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Mês de Pegada @ Uzina: 09/09/09

Comemorando que agora dá pra pagar a conta com cartões lá no Uzina!

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Áudio de Pegada – Reverberando

Por Eduardo Curi

O reverb é um dos efeitos mais utilizados na música. Ele pode ser natural ou inserido durante a mixagem e é um dos principais elementos estéticos de uma produção. Um reverb natural é aquele gerado pela reflexão das ondas sonoras em uma superfície, em todas as direções, durante um determinado período de tempo. Como nem todos nós temos salas específicas para gravação, com tratamento acústico adequado e reverb natural calculado, temos que suprir essa falta com processadores.

São vários tipos de reverb, plate, spring, hall, chamber, cada um com uma sonoridade específica que se adequa melhor a um instrumento ou estilo musical. Além do tipo de reverb, temos que prestar atenção também em sua duração na música, para não comprometermos a inteligibilidade geral da mix.

Uma boa maneira de aprender a dosar um reverb é (como sempre) ouvir referências. Normalmente, alguns estilos seguem padrões de uso do efeito, o que, inclusive, ajuda a caracterizá-lo ou mesmo data-lo. Tome como exemplo o rock progressivo dos anos 70. As canções, geralmente, apresentam uma sonoridade mais “viajante” e um dos efeitos usados para dar essa sensação é o reverb, normalmente longo e brilhante, soando com toda imponência, principalmente, durante solos de guitarra.

Os anos 80 também foram pródigos no uso do reverb, muito pelo desenvolvimento tecnológico da década. Repare nos vocais de gravações da Madonna, por exemplo, e veja como sua voz está “molhada”, envolta em um espectro reverberante claramente inserido durante a mixagem. Tons e caixas de bateria gravados durante essa década também possuem um alto grau de processamento por reverb, o que ajudou, inclusive, a definir o som da bateria dos anos 80.

Em contrapartida, em uma canção punk, praticamente não se escuta o reverb. Isso ocorre porque a atmosfera do punk rock tem muito mais a ver com uma banda tocando em um pequeno porão do que em uma arena e a principal sensação que o reverb transmite é a de espaço. Reverbs longos, grandes espaços, reverbs curtos pequenas salas. E nos anos 90, com a negação de tudo que foi produzido na década anterior, o que se buscou foi uma diminuição do uso do reverb, simbolizada muito pelas gravações grunge, notadamente cruas (embora bem limpinhas).

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Áudio de Pegada – Produção Musical

Por Eduardo Curi
Música: James Pratt

Antes de começar a trabalhar com música, eu sempre tive dúvida sobre o que era o trabalho de um produtor musical e acredito que muitos tenham essa dúvida também. Afinal o que faz um produtor?

Pode-se compará-lo à figura de um editor em uma redação de jornal. O repórter é quem escreve o texto (no caso o músico compõe a canção) e o editor lapida o seu trabalho de forma a ficar mais palatável. No caso de um produtor, “ficar mais palatável” não significa, necessariamente, fazer a música ficar “comercial”, naquele sentido de estourar no rádio e vender (?) milhões, mas fazer com que a música passe a ter sentido, que pode ter se perdido na explosão de criatividade do autor.

Pois bem, vou dar um exemplo do que o trabalho de um produtor musical pode fazer. Ouça esta gravação. É de um amigo meu, que achava que estava bem ruim, não só a gravação, como a canção em si, pois é toda feita com a mesma sequência de acordes, o que torna a música repetitiva se não for arranjada com criatividade.

O primeiro passo foi gravar uma guia para que pudéssemos fixar uma estrutura. Logo após, começamos a sequenciar a bateria, mas acabou que o resultado não ficou do nosso agrado, pois estava muito intrincada, cheio de quebras e acabamos descartando o que fizemos.

Feito isso, gravei o baixo, já valendo, que serviria de referência para a sonoridade da música. Usando um POD, gravei usando dois canais, um limpo, para os graves e outro um pouco distorcido para dar definição. Depois foi a vez do meu amigo gravar as bases de guitarra. Ele gravou três canais ao todo, duas bases e um com algumas melodias e riffs. Esse terceiro canal foi gravado sem preocupação de em qual ponto da música as melodias iriam entrar, isso seria decidido durante a edição.

Depois foi a vez dos vocais. Foram gravados dois canais. Por último, ele gravou uma cabaça. Fizemos todas as gravações dentro do meu quarto, e o único microfone que usamos, tanto para o vocal quanto para a cabaça foi o Shure SM58. A guitarra foi gravada com um POD, usando um simulador de amplificador limpo e outro um pouco distrocido.

Com todos os canais gravados fui olhar para a bateria. Usando o Xpand! (instrumento virtual que vem no Pro Tools), sequenciei uma bateria com seis peças: bumbo, caixa, hi hat, tom, crash e ride. Se antes a bateria era toda quebrada, agora ela está linear, dando ritmo à canção.

Como a música tem apenas a mesma sequência de acordes durante todo o tempo, eu precisava de formas de torná-la interessante ao ouvinte. Uma das formas que usei para fazer isso foi tirar e colocar elementos da bateria ao longo da canção.

Outro recurso foi a retirada das guitarras na primeira estrofe, deixando apenas um bloco sonoro de bumbo, caixa, baixo e cabaça servindo de base para os vocais. Além disso, pus algumas automações de volume para colocar à frente partes diferentes da harmonia vocal gravada, assim como automações de delay.

Como a letra tem apenas duas partes, há uma grande passagem instrumental no final. Logo após o fim dos versos eu coloquei uma parada de bateria para introduzir a nova parte. Na sequência, coloquei as harmonias vocais, com automações de volume, alternando entre si. Quando as harmonias acabam, entra a melodia final da guitarra até o fim da canção, que termina com um fade out, deixando transparecer o acorde final da guitarra base.

Ficou curioso para ouvir o resultado? Ouça aqui e comente sobre a diferença das duas versões gravadas!

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Áudio de Pegada – Processssssando dinâmicas

Por Eduardo Curi

SSSSSSSSSSSSSSSSSSS….

Você já reparou como o som dos S e F são aparentes na fala? Eles estão na região entre 5 e 8 kHz, aproximadamente, e o ouvido humano é bem sensível a essas frequências. Quando se está gravando, não há muito o que fazer para atenuá-los (na verdade até há, mas eu prefiro gravar com menor quantidade de processamento e atenuar depois), mas na hora da mixagem é bem simples de corrigir. Para isso, usamos o de-esser, que, na verdade, é um compressor que atua apenas em determinadas frequências.

Como todos sabem, um compressor diminui a distância entre o pico de uma onda sonora e o seu ponto mais baixo, domando a dinâmica do som. Com o de-esser, o que acontece é que há um seletor de frequência, além dos outros parâmetros. Com isso, a compressão irá atuar apenas na faixa de frequências selecionada, deixando o resto do áudio inalterado.

Não há regras, mas pelo procedimento padrão, insira o de-esser após a equalização e a compressão e antes de efeitos de modulação ou de ecos e reverbs. Usando um analisador de espector, você pode ver em qual região está a sibilância do vocalista. Insira o de-esser e selecione a região que aparece o maior pico no analisador quando o vocalista diz um S ou F. Atenue até que essa sibilância fique no mesmo volume que o resto dos outros fonemas. Vá comparando com e sem o processamento até achar a atenuação ideal.

O mesmo efeito pode ser conseguido com um compressor multibanda ou com um equalizador paramétrico. Para usar o EQ como de-esser, ao inserílo, ajuste um valor de Q médio, para que ele não atue além das frequências que você precisa e coloque-o no centro da região a ser atenuada. Vá atenuando, até achar o volume ideal, sempre comparando.

Mesmo depois de terminado o processo, espere até o dia seguinte para tomar a decisão final. É sempre bom descansar os ouvidos antes de tomar uma decisão tão importante quanto determinar como soam os fonemas de um vocalista.

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Áudio de Pegada – Ouvindo guitarras

por Eduardo Curi

Comecei tocando violão em 1993 e logo passei pra guitarra que se tornou meu instrumento original. Sempre gostei muito de guitarra e me lembro a primeira vez que assisti a um vídeo do Guns ´n Roses e reparei que havia duas delas. Até então, não tinha me dado conta de que poderia haver duas guitarras em uma mesma banda. Intrigado com isso, passei a tentar ouvir o que cada uma tocava e como soavam, enfim, tentei ouvir cada uma em separado.

Depois que se consegue a primeira vez, o sentido passa a ser automático e você sempre percebe quando há mais de uma guitarra. Com o passar dos anos, comecei a ouvir Iron Maiden e reparava que, nos discos ao vivo, cada guitarra estava em uma caixa de som.

Aprendi o que é a espacialização da guitarra sem saber.

Depois fui ouvir Black Sabbath e, quando ouvia “Paranoid” reparava que, durante o solo de Tony Iommi, havia uma outra guitarra no fundo. Não entendia o porquê, afinal, a banda só tinha um guitarrista.

Aprendi, então, o overdub.

Saber ouvir o que cada instrumento está fazendo dentro da música como um todo é fundamental para qualquer um que queira mixar uma boa track de guitarra. Você precisa saber se há overdubs e onde as guitarras estão no estéreo, e principalmente, saber acompanhar as mudanças e movimentos.

Para espacializar bem uma guitarra você tem que primeiro prestar atenção no estilo de música que está sendo tocado, afinal, a guitarra do jazz não ocupa o mesmo espaço que a guitarra do punk. Ouça suas referências e repare onde a guitarra está no espectro. Ouça as músicas com fones de ouvido, tire um deles da orelha e escute apenas um lado para ver o que está ali. Escute nas caixas de som e desligue uma para ver como soa a outra.

Feito isso, veja quantas guitarras tem na canção que você vai trabalhar e procure distribuí-las como se fosse em um palco à sua frente. Pense onde, normalmente, você vê os amplificadores em um show. É apenas uma guitarra, tem overdubs, tem solos? Onde entrará cada elemento e a qual tempo? Eles estarão sempre juntos ou apenas em partes específicas da música?

Distribua-as de modo que elas não mascarem ou sejam mascaradas por outros instrumentos. Fique atento na relação dela com a caixa da bateria, quando estiver posicionado-a. Você não precisa deixa-las fixas em um ponto também, brinque com a posição delas, faça movimentos delas no pan.

Para finalizar, sempre tome a decisão final ouvindo-as na mix como um todo. Afinal, o consumidor final da sua música não ouve apenas tracks de instrumentos.

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Q ind´in da Vovó @Uzina, com Mi Simpatia e JJBZ

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Acústico Estúdio oferece curso de áudio

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