Arquivo da tag: marku ribas

Pegada recomenda: Japan Pop Show- Curumin

Por Roger Deff

Músico versátil da cena paulista, Curumin fez por merecer os elogios ao seu segundo trabalho. Lançado pelo selo YB Music, Japan Pop Show mostra influências nítidas e diversas, que vão do hip-hop, black music, dub e o mais escancarado funk carioca, ou Miami Bass, se preferirem.

 O disco consegue traduzir tudo isso de forma homogênea e fluida sem causar aquela sensação de “opa! Isso não deveria estar aí”. O fato é que Curumin não parece nem um pouco preocupado em se encaixar “neste” ou “naquele” estilo, o que é ótimo, e reúne tudo aquilo que gosta em seu trabalho.

 A música de abertura, com o curioso título “Salto no vácuo com joelhada” traz o som de uma daquelas velhas e tradicionais “caixinhas de música”, que aos poucos se mescla às batidas pesadas, lembrando as bases clássicas do Wu tang. O que vêm a seguir é a ótima “Dançando no escuro” com a participação especial do mestre Marku Ribas, sempre impressionante em suas interpretações. Curumim, por sua vez, fez de tudo. Programou a MPC, tocou bateria, baixo e teclado, nesta que é, de longe, uma das melhores faixas do disco.

 “Compacto”, já virou hit por aqui e é a primeira vez que ouvimos (neste disco) o multi-instrumentista Curumim cantando (já na terceira faixa). Melódica, tranqüila e com um dos refrões mais pegajosos do disco (no bom sentido) ela foge um pouco do clima da maioria das músicas do álbum, que soa experimental em muitos aspectos, enquanto esta se mantém ancorada num funk brazuca tipo Jorge Ben, competente sem soar pretenciosa.

 “Kyoto”, em clima de alerta ecológico, a música conta com as participações dos rappers Blackalicious e Lateef the Thruthspeaker em boas performances, até o Curumin arriscou algumas rimas e mostrou que tem habilidade pra coisa. “Japan Pop Show”, traz um clima de surf music à já complexa salada musical do Curumim, tem pra todos os gostos. Na sequência a belíssima “Mistério Stéreo”, mais uma prova da versatilidade e riqueza de recursos do músico.

 Outra que já entrou fácil para a lista das mais cantadas (pelo menos deste disco) é “Mal estar Card”, bem conhecida pela genial frase “cadê minha fatia de filé? O osso é duro de roer…” Letra ácida e crítica que questiona a disparidade de oportunidades, tão comum em nosso país.

  “Caixa Preta” conta com a participação do onipresente B Negão, divertida e dançante bem ao estilo do funk carioca, mas, lógico, sem descambar para a futilidade e o sexismo que popularizou o estilo. “Sambito (Totaru Shock)”. Seria uma espécie de samba de japonês com música eletrônica, inclusive cantado no idioma da terra do sol. Fechando o álbum “Esperança” e “Fu Manchu”, esta última com programações do Daniel Ganjaman, do Instituto, só para frisar, embora as faixas programadas pelo próprio Curumin não percam em nada para esta.

 Definir em poucas palavras o trabalho deste cantor, rapper, baterista e beatmaker, entre outras coisas, é impossível e classificá-lo mais ainda (como se fosse realmente necessário algum tipo de rótulo). Vale dizer que o trabalho não é dado de forma gratuita ao ouvinte e se torna melhor ainda a cada nova audição.

Anúncios

1 comentário

Arquivado em coletivopegada

Programa Música Minas divulga selecionados

O Música Minas, programa iniciado em março de 2009, desenvolvido pelo Fórum da Música de Minas Geraise pela Secretaria de Estado de Cultura divulgou os 25 primeiros beneficiários do Edital de Circulação Nacional. Os artistas foram selecionados por meio de um edital público que prevê a realização de 75 espetáculos em capitais de norte a sul do país com todas as despesas pagas e cachês diferenciados por categoria, respeitando a trajetória de cada participante. Em contrapartida todos os 25 artistas selecionados darão oficinas e workshops em cidades do interior de Minas.

Veja os selecionados

Categoria Renome

– Marina Machado
– Marku Ribas
– Maurício Tizumba
– Toninho Horta
– Vander Lee

Categoria Destaque

– Aline Calixto
– Amaranto
– Falcatrua
– Fernando Sodré
– Flávio Henrique
– Pedro Morais
– Renegado
– Zé da Guiomar

Categoria Revelação

– Black Sonora
– Cor de Fubá
– Dokttor Bhu e Shabê
– Gastrofonic
– Joana Boechat
– Juliana Perdigão
– Lucas Avelar
– Pandeiro Mineiro
– Samba de Luiz
– Sambavesso
– Thiago Delegado
– Tom Nascimento

1 comentário

Arquivado em Notícias

Cobertura de Pegada – Conexão 2009

Julgamento agradece o público do Conexão 2009

Julgamento agradece o público do Conexão 2009

O público de Belo Horizonte é muito tradicionalista, não está acostumado a ouvir coisas novas e prefere prestigiar o bom, velho, seguro e conhecido cover. Mentira!

A Conexão, que está acontecendo no Parque Municipal e vai até o domingo, 26/4, prova que BH tem espaço para coisas novas. Bandas pouco conhecidas do público mescladas a artistas de renome têm produzido um grande espetáculo musical durante esses dias no parque. Há também uma enorme diversidade de estilos. A organização conseguiu uma mistura equilibrada de rock, hip hop, MPB, samba e várias outras vertentes da música. De uma maneira geral, a Conexão conseguiu atingir um dos seus objetivos, trazendo para o mesmo espaço artistas diferentes e que representam a nova cara da música nacional e consolidando o Estado do Mato Grosso como um dos principais pólos desse novo mercado musical.

Entre eles está o rapper Renegado que tocou na sexta-feira, junto com Marku Ribas e Cubanito, da Black Sonora e falou com o Pegada sobre a importância da diversidade na música. Clique aqui e ouça!

The Hell´s Kitchen Project: trabalhando duro

The Hell´s Kitchen Project: trabalhando duro

Indo além da conversa artística, os selecionados para o festival representam o período de transição que a música está passando hoje, com relação à forma de se trabalhar nesse novo modelo de mercado. Há artistas consagrados (e outros nem tanto), que ainda insistem no modelo antigo de trabalho com a música. Temos artistas em que a banda foi responsável por tudo sozinha, como o The Hell´s Kitchen Project, que conta apenas com o próprio trabalho para atingir os objetivos. Há ainda representantes da nova economia solidária, como o Macaco Bong, que vem para representar o Circuito Fora do Eixo e o trabalho de dezenas de coletivos em todo o país. Graças a esse trabalho cooperativo em rede, a banda conseguiu ter o seu disco de estreia, “Artista Igual Pedreiro”, eleito como o melhor de 2008 pela revista Rolling Stone. O reconhecimento da grande mídia a uma banda instrumental mostra o quão eficiente é essa nova forma de trabalhar e Ney Hugo (baixo) e Ynaiã Bertholdo explicaram para o Pegada as razões desse sucesso. Ouça aqui!

Macaco Bong: artista igual pedreiro

Macaco Bong: artista igual pedreiro

Festas no Parque Municipal sempre são sucesso de público, devido a vários fatores, como localização, preço camarada e boa organização. Este festival não está sendo diferente, mas um fato chama a atenção, uma grande parte do público está indo para assistir aos shows e não apenas “ir a uma festa”. Essa tese pode ser comprovada logo no show de abertura de cada dia, que já conta com um público expressivo às 18h30. As bandas Rocknova, Julgamento (do nosso colaborador Roger Deff), que abriram os dois primeiros dias, tocaram para um público que foi à festa para assistir aos seus shows, mostrando que a nova música de BH está formando público. Outra banda que inaugurou a noite e já contava com um público razoável foi a banda paraibana Burro Morto, que trouxe a lisergia instrumental do Nordeste para o gramado do parque.

Outro destaque dos shows foi a confirmação de que o público precisa cultuar alguém. Há alguns anos, o posto de banda mais idolatrada do país vinha sendo ocupado pelos Los Hermanos. A julgar pela reação do público, na primeira noite do festival, durante o show do Vanguart, essa lacuna acabou de ser preenchida. Plateia ensandecida, cantando todas as músicas e corrida ao camarim depois do show preenchem todos os requisitos de banda cult. Apesar de toda a idolatria, o Vanguart surgiu em Cuiabá, fazendo parte do mesmo cenário que o Espaço Cubo formenta. Após anos de trabalho duro, a banda saiu do Centro-Oeste brasileiro e se mudou para São Paulo, onde tem se dado muito bem. Clipes com veiculação constante na MTV, aparições na Globo e um DVD gravado pelo canal a cabo Multishow mostram a boa fase da banda. Mas apesar de todo o sucesso, o caminho percorrido não difere muito da maioria das bandas independentes do país, como explica o tecladista da banda, Luiz Lazarotto. Ouça aqui!

barraca-lucas2

Quem for ao Parque Municipal hoje à noite poderá conferir a barraca do Circuito Mineiro de Música Independente, com CDs e produtos de vários coletivos de todo o estado.

Confira a programação dos shows até domingo:

programacao2

Além disso, a partir das 14h de hoje, começa o Seminário Música e Movimento, no teatro do Museu Inimá de Paula, veja a programação:

Tema 23/04 – MÚSICA, TECNOLOGIA & MOBILIDADE
Tema 24/04 – DIREITOS AUTORAIS
Tema 25/04 – MOVIMENTO
Tema 26/04 – INTERNACIONAL

Mais informações aqui!

Equipe de Pegada:

Coordenação:
Eduardo Curi

Redação:
Flávio Charchar
Luciano Viana
Renata Almeida

Fotos:
Lucas Mortimer
Marco Aurélio Prates

Vídeo:
Adriano Singolani

1 comentário

Arquivado em Cobertura de Pegada, coletivopegada