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Cobertura de Pegada – Garimpo 2009

O coletivo Pegada se desdobra, mais uma vez, em um grande esforço de cobertura para trazer a melhor informação sobre o que rola nos principais eventos de música independente em Belo Horizonte. Desta vez, estamos oobrindo o Festival Garimpo 2009, produzido pelo pessoal do Alto Falante. Veja o que rolou no primeiro fim de semana do festival.

Sexta 4/9
Por Eduardo Curi

Com um formato diferente, dividido em dois fins de semana, começou o Garimpo 2009, que acontece, neste ano, no Stúdio Bar. O festival começou esta edição cheia de gás e trouxe, na primeira noite, as bandas Julgamento, Deco Lima e o Combinado e o cantor alagoano Wado.

Julgamento dá o pontapé inicial no Garimpo 2009

Julgamento dá o pontapé inicial no Garimpo 2009

O Julgamento, do vocalista Roger Deff, colaborador do nosso blog, entrou no palco com a missão de começar os trabalhos e o fez de forma competente. Já tinha assistido ao show deles no Conexão, em abril deste ano, mas quando o espaço diminui, a banda parece crescer em empolgação. Com uma apresentação explosiva, o Julgamento mostrou que rock e hip hop podem caminhar juntos muito bem.

Em seguida veio Deco Lima e o Combinaodo, mostrando o trabalho de seu primeiro álbum, “Volume 1”, lançado recentemente. Muito suíngue, percussão e uma cozinha afiada, além da participação de Roger Deff, pontuaram um show competente, que parece ter sido talhado para ser a apresentação do meio em uma noite com três bandas, mantendo a vertente da primeira apresentação ao mesmo tempo em que abre o caminho para o show seguinte.

Wado fechou a noite de forma magistral, com um show longo, mas de forma nenhuma demorado. Com uma banda simples de baixo guitarra e bateria, o alagoano despejou sua mistura sonora com arranjos bem diferentes dos ouvidos nos discos. a nova roupagem deu sangue novo às ótimas canções, com o público cantando junto em várias delas, mostrando que está antenado também com a música que rola fora do eixo.

Sábado, 5/9

Supercordas, experimental (Foto: Hudson caldeira

Supercordas, experimental (Foto: Hudson caldeira)

A segunda noite de um festival sempre tem uma árdua missão, assegurar a consistência do evento. Provando que a diversidade é a tônica do Garimpo, a noite começou com o post rock do Supercordas do Rio de Janeiro. Com nítida influência de Mogwaii, apesar de não ser instrumental, a banda fez um show no mesmo ritmo do da banda britânica, alternando momentos de tímida empolgação com passagens mais introspectivas. Composta por três guitarristas, a banda segue uma linha mais experimental, sem canções que irão grudar na sua cabeça.

Em seguida foi a vez do rock and roll dos alagoanos do Mopho tradicional e competente. Um show pesado, com boas canções e alguns covers no final fizeram com que quem gostasse do bom e velho hard rock saísse de lá satisfeito.

Fechando a noite, os belo-horizontinos do Monno, em franca ascensão ao jet set do pop mineiro. Veteranos da primeira edição do festival, a banda mostrou como fazer um show profissional, em que até os cabos dos instrumentos casavam com a atmosfera das músicas e com Bruno Miari assumindo a postura de vocalista / guitarrista inquieto no palco, prendendo a atenção do espectador.

Monno (F

Monno (Foto: Hudson Caldeira

Domingo 6/9
Por Luciano Viana

Depois do encontro com amigos e companheiros do Pegada, e ver pela TV de um buteco copo sujo o Atlético-MG ganhar de virada sobre o Santo André, foi hora de rumar ao Studio Bar para ver a terceira noite do Festival Garimpo. Desta vez, com a presença caseira marcada pelo Blue Satan e recebendo os visitantes do Rockz (RJ) e do Violins (GO) que após encerrar as atividades por duas vezes, faz sua volta aos palcos neste festival.

Abrindo a noite, os mineiros do Blue Satan empolgam apenas uma pequena parte do público, apresentando suas músicas que mesclam o punk, pós-punk e elementos do eletrônico e alguns covers, como de “Personal Jesus”, do Depeche Mode. A banda conta com alguns integrantes “medalhões” da cena rockeira da capital, como o guitarrista Ronaldo Gino e o baterista Luís Bambam, que entre outros bons projetos musicais pelos quais passaram, destaca-se o Virna Lisi, banda ícone da década de 90. Mas o Blue Satan foi uma banda que ficou aquém das demais atrações da noite, e se não fosse pelo pequeno revival da lendária Virna Lisi, após o convite para que o ex-vocalista César Maurício subisse ao palco, teriam um risco de passarem despercebido de boa parte do público naquela noite.

Rockz (Foto: Lucas Mortimer)

Rockz (Foto: Lucas Mortimer)

Em seguida é a vez de outra banda com outros “medalhões” da cena rockeira, mas dessa vez da cena carioca. O Rockz tem na sua formação integrantes que já passaram pelo Funk Fuckers, Planet Hemp, Lobão e Seletores de Frequência. Mas, ao contrário da primeira banda da noite, eles não chegaram nem perto de passarem despercebidos. Fizeram um grande show, vigoroso, com uma grande e intensa presença de palco que reforçou ainda mais a carga de energia de suas canções, que segundo os próprios, são influências de “rock´n roll de todos os tempos”. E são mesmo. Em todo o repertório do grupo, via-se pitadas de grunge, indie rock, pós-punk, stoner e por aí vai. Showzão, com algumas músicas ainda sendo cantadas por boa parte do público.

Fechando a noite, e reabrindo suas atividades, os “veteranos” do Violins (GO). Voltando aos palcos depois de um bom tempo parados, a banda teve no Garimpo 2009, a sua reestreia nos palcos. A banda tem quatro discos lançados, prepara o quinto disco e desde o lançamento do primeiro trabalho, “Aurora Prisma, 2003”, não tocava na capital mineira. O público esperou tão ansiosamente por esse show, que a banda acabou jogando com o torcida toda a favor, já que o público praticamente carregou-os nas mãos, cantando alto e intensamente todas as músicas e ainda esboçando enormes sorrisos na cara ao ouvir algumas inéditas que eles preparam para o próximo disco.

Violins, explosão no palco (Foto: Lucas Mortimer)

Violins (Foto: Lucas Mortimer)

Com isso, ficou fácil para a banda fazer uma apresentação histórica, levando o público ao êxtase com músicas do repertório dos últimos três discos como “Festa Universal da Queda”, “Grupo de Extermínios de Aberrações”, “Atriz”, entre outras. A cada canção, o público se empolgava mais, levava a banda junto e os Violins se viam cada vez mais à vontade no palco, comandando de forma magistral até o fim do show, onde os pedidos de “mais um” foram entoados em um volume maior ainda do que se cantava as músicas. A banda foi atendendo até onde a memória da sua recém união conseguiu.

Provavelmente após esse show, os integrantes do Violins tiveram a certeza de que tomaram a decisão certa ao se reunirem novamente, e ao contrário do que diz a letra uma sarcástica música suas, eles ainda terão muito o que dizer e muito a acrescentar para a música nacional.

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Festival Garimpo 2009

Começa nessa sexta-feira o Festival Garimpo, organizado pela equipe do programa Alto Falante. Em sua terceira edição, o festival traz as bandas novidades do cenário independente nacional, divididas em cinco noites de muita música boa.

Confira a programação:

Dia 4/9 – sexta-feira

– Deco Lima e o Combinado
(MG)
Julgamento (MG)
Wado (AL)

Dia 5/9 – sábado

Supercordas (RJ)
Mopho (AL)
Monno (MG)

Dia 6/9 – domingo (véspera de feriado)

Blue Satan (MG)
– Rockz (RJ)
Violins (GO)

Dia 11/9 – sexta

Graveola (MG)
Nuda (PE)
Eddie (PE)

Dia 12/9 – sábado


– Pêlos de Cachorro
(MG)
– Los Porongas (AC)
Transmissor (MG)

O festival será realizado no Studio Bar, na rua Guajajaras, 842 – Centro – BH/MG

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Festival Escambo começa hoje!

final_cartaz - ESCAMBO 2009

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Conexão Vivo 2009 e as novas perspectivas

Por Roger Deff

Este texto tem o objetivo de trazer uma avaliação do Conexão Vivo 2009, do ponto de vista de quem participou do evento, mas, antes de falar das minhas impressões desta edição, acho necessário fazer uma retrospectiva do projeto,  para que possamos perceber, de forma mais ampla, a sua importância para a cena cultural da cidade.

Participei do Conexão pela primeira vez em 2004 (na época Conexão Telemig Celular), quando o festival abriu espaço para inscrição de novos artistas. Até então o evento era focado apenas nos músicos patrocinados e os shows, se não me engano, aconteciam no Teatro Francisco Nunes. Me lembro de uma apresentação em que o NUC (grupo do Renegado) trouxe o Jair Rodrigues como convidado, muito bacana.

A proposta me parecia clara: estabelecer pontes entre os artistas locais e outros de renome nacional. Quando fomos selecionados, entre cerca de 400 artistas inscritos em todo estado, foi como uma espécie de divisor de águas, não apenas para minha história como músico, mas o evento nos deu a possibilidade de criar conexões duradouras com bandas de outras vertentes.

Na época os selecionados não recebiam ajuda de custo para as viagens, e nós iríamos tocar em Montes Claros. Como não haviam recursos finenceiros a solução foi entrar em contato com os outros selecionados e sugerir uma parceria. Liguei para o Bruno Couto, da banda Cumbaquê e fiz a proposta, ele por sua vez organizou o resto, contactou os demais e dividimos, entre os interessados, o custo da viagem. Não me lembro de todas as bandas, mas havia o Coletivo Universal, formado pelo Wagner Merije, Daniel Barbosa, Daniel Saavedra, o Cumbaquê trazia na formação, além do Bruno Couto, Felipe Fantonni, André Lima, Skilo, e tinha o Nono Osso, banda que foi a escolhida da etapa Montes Claros para participar da coletânea e realizar o show em Belo Horizonte.

No final das contas todos ganhamos na verdade, sem querer recorrer àquela frase clichê “valeu a experiência”, mas aqui ela se justifica. Algumas das pessoas citadas (a maioria na verdade) se tornaram nossas parceiras, o que gerou frutos interessantes no que se refere a participações e afins.

Voltando ao festival alguns anos depois, na edição 2009, já num âmbito maior, com edital aberto para todo o território nacional e com mais de 1600 inscritos, acho importante pensar em como o projeto cresceu, aliás, não só o projeto, mas também os artistas (cada um a seu modo) que tiveram a oportunidade de participar dele. Bati um papo muito rápido com o pessoal do The Hell’s Kitchen Project, vi a euforia dos caras com o fato de terem sido selecionados e acompanhei a repercussão recente disso para a história da banda. São novas perspectivas que se abrem e com uma carreira ainda bem jovem, já que a banda foi criada há apenas dois anos.

Achei pertinente citar o The Hell’s Kitchen justamente por se tratar de “gente nova no pedaço”, o que representa uma renovação artística importante, já que alguns de nós são reincidentes, a exemplo do Black Sonora, o Proa ou mesmo o Transmissor (que apesar de não serem bandas tão antigas, são compostas por pessoas que estão na estrada há algum tempo e que já estiveram no Conexão de alguma forma).

Como artista, vejo que o evento continua servindo ao seu propósito inicial, que é criar elos entre bandas e músicos individuais das mais diversas matizes. Pessoas que continuarão a se encontrar, sempre reforçando a idéia de uma cena plural (pelo menos eu a vejo assim), onde há cada vez menos espaços para guetos e mais abertura para o compartilhamento saudável de idéias e concepções musicais divergentes (mas não necessariamente opostas).

Foi bom perceber que esta diversidade se mantém, e o evento se esforça em mostrar isto. Há espaço tanto para o “rock com melodia pop” do  Rock Nova, como para o samba autêntico do Thiago Delegado, ou mesmo o hip-hop da minha banda, Julgamento. E o melhor disso tudo é ver que temos um público pronto para apreciar todas estas propostas e que não estão aí apenas pelos artistas já consagrados.

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Manolos Funk na Conexão Vivo

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Os Manolos Funk estão concorrendo a uma vaga na Conexão Vivo! Você pode ajudá-los a tocar num dos maiores festivais itinerante do país, basta clicar aqui!

A votação irá até o dia 4/3, quarta-feira.

Veja as outras atrações já selecionadas para o ferstival:

P.R.O.A – Minas Gerais
The Hell’s Kitchen Project – Minas Gerais
JULGAMENTO – Minas Gerais
Black Sonora – Minas Gerais
DJ Tudo e a Garrafada – São Paulo
Indiada Magneto – Minas Gerais
Itomoreno – São Paulo
Leo cavalcanti – São Paulo
Madame Saatan – Pará
Monjolo – São Paulo
Rosie and Me – Paraná
Soatá – Distrito Federal
Sotaque Carregado – Rio de Janeiro
Thiago Delegado – Minas Gerais
8bitinstrumental – Minas Gerais
Burro morto – Paraíba
Transmissor – Minas Gerais
Ophelia and the tree – Minas Gerais
Leandro Ferrari – Minas Gerais
Paulo Padilha – São Paulo

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