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Inscrições para Cena Musical Independente terminam em 2/10

Fonte: Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo

Estão abertas até o dia 2/10, sexta-feira, as inscrições para o Cena Musical Independente – II Mostra Paulista de Bandas Jovens 2009. O programa, lançado em 2008 pela Secretaria de Estado da Cultura, chega à segunda edição neste ano, com o objetivo de localizar, identificar e difundir o trabalho de bandas e grupos emergentes do cenário musical independente do Estado de São Paulo.

Escolhidos por uma comissão julgadora, os dez grupos vencedores receberão R$ 5 mil cada e ainda terão uma música de sua autoria registrada em CD coletânea, para distribuição em bibliotecas, centros culturais, emissoras de rádio, sites de música e entre os próprios grupos vencedores. Além disso, as bandas selecionadas participarão de um festival, nos dias 5 e 6 de dezembro, no Memorial da América Latina.

As inscrições estão abertas a bandas ou grupos que ainda não tenham seu trabalho distribuído comercialmente por selos ou gravadoras ou que gravaram apenas um CD.

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Vale um CD!

Por Eduardo Curi

Revoluções na música são feitas a partir de boas ideias. A banda paulistana Portnoy está dando sua contribuição à mudança de padrão que está em curso hoje na indústria fonográfica. Seu primeiro trabalho, intitulado simplesmente de “O Disco” está à disposição para download gratuito no site da banda.

Até aí nada demais, mas se você quiser ter a versão física, basta você mandar qualquer coisa para a banda que eles te enviam um CD. Pode ser uma foto, um desenho, uma música, outro disco, um quadro, qualquer coisa, desde que seja um trabalho feito por você. Inclusive, este post vai me render um CD deles!

Conversei com o guitarrista e vocalista, Conrado, que conta como surgiu a banda e a ideia.

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Conrado
: O Portnoy surgiu no final de 2007. Eu e meu irmão Caio nos juntamos ao Lefê, baixista de primeira, que já conhecíamos do circuito alternativo. O nome da banda é uma referência ao Alexander Portnoy, o personagem hilário do livro “Complexo de Portnoy”, do escritor norte-americano Phillip Roth. Montamos o repertório e fomos pro estúdio pra gravar o disco de estreia que foi produzido pelo gaúcho Iuri Freiberger. O Caio deixou a banda logo depois. Na mesma noite em que ele anunciou sua intenção de largar a bateria pra tocar violão e cantar, o Lefê, que é baiano, me apresentou um conterrâneo dele que estava dando sopa aqui em São Paulo, o Kleber Kruschewsky. Fomos, no dia seguinte, pra um estúdio e ensaiamos das quatro da tarde às oito da manhã. Estava concluído o processo e assim foi: eu na guitarra e na voz, Lefê no baixo e Kleber na bateria.

Pegada: Como surgiu a ideia de trocar o disco por outros produtos?

Conrado: Acho que cobrar por música gravada é um sistema velho, pra um modelo velho de relação artista/ouvinte. O símbolo máximo desse modelo, inclusive, acaba de morrer. Acho que Michel Jackson leva pro túmulo (se o corpo dele for um dia pro túmulo) essa relação monárquica com rei, rainha, corte e seus súditos. A internet deu um xeque-mate na questão. Como ter um retorno pra pagar as cordas da guitarra que quebram? Fazendo show. E pra fazer show é preciso expandir o trabalho. O primeiro passo era fazer o que muita gente já faz: disponibilizar de graça as músicas pra download no site da banda. Também tínhamos na mão uma edição com encarte caprichado do CD. Pensei, então, numa forma de aproximar as pessoas da banda e tentar reproduzir com o disco físico o que já é feito via web. E como dinheiro não tinha nada a ver com isso, fechamos na ideia: a gente dá o CD e recebe em troca alguma coisa produzida por quem quer ouvi-lo. Isso incentiva a circulação de cultura, sempre dando crédito. Nem temos pretensão de reproduzir um Creative Commons, por exemplo. É uma coisa bem intimista, do Portnoy com seu público. A mesma relação que a gente busca ter por meio de outro canal do site, o LAB, onde colocamos músicas que acabam de ser feitas, tudo gravado na hora, em casa, pra que as pessoas ouçam e acompanhem a evolução de um trabalho que vai resultar no segundo disco do Portnoy.

Pegada: O que já foi recebido até agora, quantas trocas já fizeram?

Conrado: Já recebemos vídeo, desenho e até assinatura de revista. Algumas coisas mais elaboradas e outras bem simples, como a de um cara que mandou uma foto da estante de CDs dele com um espaço vago para o disco do Portnoy. Tá tudo bem no começo, na casa da dezena. Mas espero que passe rápido pra casa da centena, até que os discos que eu tenho aqui acabem. Começamos a colocar algumas coisas que chegaram no site da banda, no espaço do ESCAMBE!.

Pegada: Vocês conhecem o Circuito Fora do Eixo e a filosofia de economia solidária adotada dentro do circuito?

Conrado: Não conhecia e nunca participamos do Circuito Fora do Eixo. Vi o site e achei sensacional. É o tipo de coisa que eu mais gosto. Ao invés de ficar se moldando pra entrar num esquema que já existe, você cria seu próprio esquema. É como fazer punk rock. Se nos permitirem, o Portnoy tá dentro!

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Grave de graça no Acústico Estúdio!

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Áudio de Pegada – Produção Musical

Por Eduardo Curi
Música: James Pratt

Antes de começar a trabalhar com música, eu sempre tive dúvida sobre o que era o trabalho de um produtor musical e acredito que muitos tenham essa dúvida também. Afinal o que faz um produtor?

Pode-se compará-lo à figura de um editor em uma redação de jornal. O repórter é quem escreve o texto (no caso o músico compõe a canção) e o editor lapida o seu trabalho de forma a ficar mais palatável. No caso de um produtor, “ficar mais palatável” não significa, necessariamente, fazer a música ficar “comercial”, naquele sentido de estourar no rádio e vender (?) milhões, mas fazer com que a música passe a ter sentido, que pode ter se perdido na explosão de criatividade do autor.

Pois bem, vou dar um exemplo do que o trabalho de um produtor musical pode fazer. Ouça esta gravação. É de um amigo meu, que achava que estava bem ruim, não só a gravação, como a canção em si, pois é toda feita com a mesma sequência de acordes, o que torna a música repetitiva se não for arranjada com criatividade.

O primeiro passo foi gravar uma guia para que pudéssemos fixar uma estrutura. Logo após, começamos a sequenciar a bateria, mas acabou que o resultado não ficou do nosso agrado, pois estava muito intrincada, cheio de quebras e acabamos descartando o que fizemos.

Feito isso, gravei o baixo, já valendo, que serviria de referência para a sonoridade da música. Usando um POD, gravei usando dois canais, um limpo, para os graves e outro um pouco distorcido para dar definição. Depois foi a vez do meu amigo gravar as bases de guitarra. Ele gravou três canais ao todo, duas bases e um com algumas melodias e riffs. Esse terceiro canal foi gravado sem preocupação de em qual ponto da música as melodias iriam entrar, isso seria decidido durante a edição.

Depois foi a vez dos vocais. Foram gravados dois canais. Por último, ele gravou uma cabaça. Fizemos todas as gravações dentro do meu quarto, e o único microfone que usamos, tanto para o vocal quanto para a cabaça foi o Shure SM58. A guitarra foi gravada com um POD, usando um simulador de amplificador limpo e outro um pouco distrocido.

Com todos os canais gravados fui olhar para a bateria. Usando o Xpand! (instrumento virtual que vem no Pro Tools), sequenciei uma bateria com seis peças: bumbo, caixa, hi hat, tom, crash e ride. Se antes a bateria era toda quebrada, agora ela está linear, dando ritmo à canção.

Como a música tem apenas a mesma sequência de acordes durante todo o tempo, eu precisava de formas de torná-la interessante ao ouvinte. Uma das formas que usei para fazer isso foi tirar e colocar elementos da bateria ao longo da canção.

Outro recurso foi a retirada das guitarras na primeira estrofe, deixando apenas um bloco sonoro de bumbo, caixa, baixo e cabaça servindo de base para os vocais. Além disso, pus algumas automações de volume para colocar à frente partes diferentes da harmonia vocal gravada, assim como automações de delay.

Como a letra tem apenas duas partes, há uma grande passagem instrumental no final. Logo após o fim dos versos eu coloquei uma parada de bateria para introduzir a nova parte. Na sequência, coloquei as harmonias vocais, com automações de volume, alternando entre si. Quando as harmonias acabam, entra a melodia final da guitarra até o fim da canção, que termina com um fade out, deixando transparecer o acorde final da guitarra base.

Ficou curioso para ouvir o resultado? Ouça aqui e comente sobre a diferença das duas versões gravadas!

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Áudio de Pegada – Processssssando dinâmicas

Por Eduardo Curi

SSSSSSSSSSSSSSSSSSS….

Você já reparou como o som dos S e F são aparentes na fala? Eles estão na região entre 5 e 8 kHz, aproximadamente, e o ouvido humano é bem sensível a essas frequências. Quando se está gravando, não há muito o que fazer para atenuá-los (na verdade até há, mas eu prefiro gravar com menor quantidade de processamento e atenuar depois), mas na hora da mixagem é bem simples de corrigir. Para isso, usamos o de-esser, que, na verdade, é um compressor que atua apenas em determinadas frequências.

Como todos sabem, um compressor diminui a distância entre o pico de uma onda sonora e o seu ponto mais baixo, domando a dinâmica do som. Com o de-esser, o que acontece é que há um seletor de frequência, além dos outros parâmetros. Com isso, a compressão irá atuar apenas na faixa de frequências selecionada, deixando o resto do áudio inalterado.

Não há regras, mas pelo procedimento padrão, insira o de-esser após a equalização e a compressão e antes de efeitos de modulação ou de ecos e reverbs. Usando um analisador de espector, você pode ver em qual região está a sibilância do vocalista. Insira o de-esser e selecione a região que aparece o maior pico no analisador quando o vocalista diz um S ou F. Atenue até que essa sibilância fique no mesmo volume que o resto dos outros fonemas. Vá comparando com e sem o processamento até achar a atenuação ideal.

O mesmo efeito pode ser conseguido com um compressor multibanda ou com um equalizador paramétrico. Para usar o EQ como de-esser, ao inserílo, ajuste um valor de Q médio, para que ele não atue além das frequências que você precisa e coloque-o no centro da região a ser atenuada. Vá atenuando, até achar o volume ideal, sempre comparando.

Mesmo depois de terminado o processo, espere até o dia seguinte para tomar a decisão final. É sempre bom descansar os ouvidos antes de tomar uma decisão tão importante quanto determinar como soam os fonemas de um vocalista.

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Áudio de Pegada – Mesas de som

Por Eduardo Curi

Uma mesa de som, ou mesa de mixagem, ou mixer, ou mesa de mistura (português de Portugal) é um periférico usado para centralizar todos os instrumentos de um sistema de forma que eles possam ser mixados e enviados para um PA. Elas podem ser analógicas ou digitais, mas o conceito por trás do seu funcionamento e uso são os mesmos.

A célula básica de uma mesa é o canal, ou track em inglês. É nele que será conectado o instrumento ou microfone. Dependendo da complexidade da mesa, podem existir apenas quatro canais ou algumas dezenas. Independentemente do número de canais, todos fazem exatamente a mesma coisa, controlam e processam o nível de sinal de entrada e de saída. Cada canal possui diversos controles e podem ser mais complexos ou mais simples, dependendo da mesa. Mas alguns controles são padrão e você irá encontra-los em qualquer mesa.

O caminho que o sinal de áudio irá percorrer começa na entrada, que pode ser com plug XLR ou P10. Depois de entrar na mesa, o sinal irá passar pelo pré-amplificador, geralmente um controle giratório localizado logo abaixo dela. Ele é usado para ajustar o nível de sinal que irá alimentar a mesa. Após o pré, iremos encontrar os equalizadores, que nas mesas mais simples, têm três bandas, graves, médios e agudos. Algumas mesas mais complexas podem ter equalizadores paramétricos, em que é possível controlar as frequências que serão alteradas.

Após os equalizadores, temos o controle de panorâmico que você irá usar para posicionar o som no estéreo. Se o canal for estéreo, esse controle se chamará “balanço” e será usado para aumentar ou atenuar a intensidade do som em algum dos dois lados. Caso você queira ouvir apenas o que está saindo do lado esquerdo dos seus monitores, basta colocar o controle totalmente à esquerda, silenciando a caixa da direita. Após o panorâmico, há o controle de volume, usado para dosar o nível de sinal que será enviado à saída máster da mesa.

Outros controles

As mesas possuem mandadas (ou send, ou bus), que são canais auxiliares. Em uma mesa simples, você terá apenas uma mandada. Já nas mais complexas, pode haver várias. Essa mandada irá enviar o sinal a um periférico, digamos um reverb, para que o sinal seja processado. Após passar pelo periférico o sinal retorna à mesa, que receberá o som processado. Esse retorno pode ser em um outro canal separado. Dessa forma, podemos dosar o nível de efeito que acrescentaremos ao áudio original.

Outro controle são os subgrupos. Imagine a seguinte situação: você está operando o PA de um show e na sua mesa chegam cinco canais da bateria. Após mixá-la, você irá precisar encontrar um volume adequado para a bateria como um todo. Ao invés de ficar pilotando todos os controles das peças, você pode enviar cada uma delas para um determinado subgrupo, digamos o subgrupo 1-2. No controle de volume do subgrupo você irá controlar o volume de toda a bateria, ao invés de ter que aumentar cada peça por igual (o que é impossível de fazer).

Saídas

Para terminar, as mesas possuem diversos tipos de saídas. A principal é a master, que irá enviar a mix ao PA. Há saídas de fones de ouvidos também, para que você possa monitorar com mais precisão. Há ainda saídas auxiliares, que podem ser direcionadas para os monitores da técnica, no caso de você estar dentro de um estúdio e para um gravador, caso você queira registrar o que está sendo tocado.

É importante conhecer todos esses controles básicos, pois o trabalho com áudio gira em torno desses conceitos. Programas de gravação digital simplesmente os importaram para o ambiente virtual, criando novas possibilidades, mas a ideia por trás é sempre a mesma.

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Áudio de Pegada – Ouvindo guitarras

por Eduardo Curi

Comecei tocando violão em 1993 e logo passei pra guitarra que se tornou meu instrumento original. Sempre gostei muito de guitarra e me lembro a primeira vez que assisti a um vídeo do Guns ´n Roses e reparei que havia duas delas. Até então, não tinha me dado conta de que poderia haver duas guitarras em uma mesma banda. Intrigado com isso, passei a tentar ouvir o que cada uma tocava e como soavam, enfim, tentei ouvir cada uma em separado.

Depois que se consegue a primeira vez, o sentido passa a ser automático e você sempre percebe quando há mais de uma guitarra. Com o passar dos anos, comecei a ouvir Iron Maiden e reparava que, nos discos ao vivo, cada guitarra estava em uma caixa de som.

Aprendi o que é a espacialização da guitarra sem saber.

Depois fui ouvir Black Sabbath e, quando ouvia “Paranoid” reparava que, durante o solo de Tony Iommi, havia uma outra guitarra no fundo. Não entendia o porquê, afinal, a banda só tinha um guitarrista.

Aprendi, então, o overdub.

Saber ouvir o que cada instrumento está fazendo dentro da música como um todo é fundamental para qualquer um que queira mixar uma boa track de guitarra. Você precisa saber se há overdubs e onde as guitarras estão no estéreo, e principalmente, saber acompanhar as mudanças e movimentos.

Para espacializar bem uma guitarra você tem que primeiro prestar atenção no estilo de música que está sendo tocado, afinal, a guitarra do jazz não ocupa o mesmo espaço que a guitarra do punk. Ouça suas referências e repare onde a guitarra está no espectro. Ouça as músicas com fones de ouvido, tire um deles da orelha e escute apenas um lado para ver o que está ali. Escute nas caixas de som e desligue uma para ver como soa a outra.

Feito isso, veja quantas guitarras tem na canção que você vai trabalhar e procure distribuí-las como se fosse em um palco à sua frente. Pense onde, normalmente, você vê os amplificadores em um show. É apenas uma guitarra, tem overdubs, tem solos? Onde entrará cada elemento e a qual tempo? Eles estarão sempre juntos ou apenas em partes específicas da música?

Distribua-as de modo que elas não mascarem ou sejam mascaradas por outros instrumentos. Fique atento na relação dela com a caixa da bateria, quando estiver posicionado-a. Você não precisa deixa-las fixas em um ponto também, brinque com a posição delas, faça movimentos delas no pan.

Para finalizar, sempre tome a decisão final ouvindo-as na mix como um todo. Afinal, o consumidor final da sua música não ouve apenas tracks de instrumentos.

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