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Entrevista de Pegada – Mariana Zande (Faverock)

Nosso repórter de Pegada Marcus Vinícius trocou uma ideia rápida com Mariana Zande, produtora do Pelos de Cachorro, uma das pessoas que estiveram à frente do Faverock e que também está articulando a volta dele.

Confira:

Pegada: Conte um pouco da história do Faverock. Quais foram as maiores conquistas?

Mariana Zande: O Faverock começou com um “junta-junta”. Quatro bandas (Pelos de Cachorro, Anjos de Metal, Molusco e Púlgas) ainda inexperientes que queriam criar um espaço para tocar e fazer uma movimentação no morro. No lugar do palco teve um palanque de madeira, os equipamentos não eram bons, era um pouco do que cada banda usava para ensaiar, a divulgação foi feita com xerox de um cartaz feito à mão, era tudo muito “na tora”. Só quando esse pessoal viu que a iniciativa era legal, que o público correspondeu bem e que coisa poderia ficar interessante, é que começaram a pensar em um evento de qualidade. O terceiro Faverock já tinha apoio da Prefeitura, palco e som bons. Foi na terceira edição também que o evento passou a acontecer na divisa entre o bairro e o aglomerado da Serra, entre o morro e o asfalto. A proposta de fazer dialogar pessoas de origens diferentes e quebrar os preconceitos sobre o rock e favela, surgiram aí. Um evento organizado pelas próprias bandas, de graça, no meio da rua. Acabou incentivando até o surgimento de novas bandas.

No 4º e 5º Faverock já haviam bandas que surgiram dessa agitação causada pelo próprio movimento. Foi quando pensamos o Faverock como mais que um evento ou festival. Fizemos oficinas de guitarra, baixo, bateria e voz, exposição do acervo de fotos e debates durante o 6º Faverock. Foi quando começamos os circuitos, eventos menores, com três ou quatro bandas nas outras periferias da cidade e região metropolitana, e uma mostra no fim do ano na Serra, com todas as bandas. O movimento evoluiu, as bandas também, as articulações do Faverock tornaram as bandas mais profissionais.

Pegada:
O Faverock era um coletivo importante, com boa visibilidade. Quando e por que as atividades pararam?

MZ:
Para a sétima edição do Faverock o desgaste foi muito grande. Naturalmente, com a evolução e profissionalização dos trabalhos individual das bandas, o pessoal começou a ficar sem tempo, e muitas vezes, o Faverock deixou de ser prioridade. No fim, um movimento de 14 bandas acabou em um evento feito por cinco ou seis pessoas. Nosso principal apoiador “deu pra trás” um dia antes do evento, ficamos sem palco, sem alvará, sem liberação do ponto de luz e R$ 1.000 em caixa para fazer dois dias de shows gratuitos. Com a melhor divulgação e atenção da imprensa que já havíamos conseguido.

Acabamos fazendo em um pequeno bar próximo ao local onde era para coisa acontecer, sinalizamos como chegar ao bar e alugamos um som. O problema foi que até a chuva sacaneou, houve gente que foi e não viu a sinalização, achou que não tinha rolado e foi embora, o som ficou numa Kombi em frente ao bar e a banda lá dentro, o público na rua. No segundo dia, na última banda, chamaram a polícia por causa do barulho. Enfim, acabamos a sétima edição exaustos e desmotivamos, na certeza de que enquanto todos mundo não quisesse carregar o Faverock, não ia funcionar.

Pegada: O Faverock está de volta? Em que pé está a nova movimentação?

MZ: Estamos com vontade de trazer o Faverock de volta sim. Com outra forma de funcionamento, outras ações. Por enquanto estamos conversando com as bandas da Serra mesmo, mas não estamos fechados. A ideia é conseguir primeiro os apoios e patrocínios, via leis de incentivo e editais da iniciativa privada. Temos que fazer melhor do que já fizemos, não dá para retroceder. Vamos fazer tudo com calma, quando começar a dar resultados voltamos a todo vapor!

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Prévias Grito 2009 – Pelos de Cachorro

A primeira banda de rock a se apresentar na Escola de Música da UFMG

Andrá Scatelli

Foto: Andrá Scatelli

Na cena rock de Belo Horizonte desde 1997, fundadora do movimento Faverock e com vários trabalhos lançados, a banda Pelos de Cachorro é um grupo de “arte-rock” que explora o conceito de produção multiartística, unindo à música a poesia, o teatro, cinema e as artes visuais. As temáticas das letras são universais, sentimentos e conflitos humanos bem como suas atitudes e comportamentos.

O grupo já se apresentou em espaços importantes de Belo Horizonte e de outras cidades do país, como no Teatro Noel Rosa, no Rio de Janeiro e na Câmara Municipal de São Paulo. Recentemente, foi destaque no FAN (Festival de Arte Negra) e FIT (Festival Internacional de Teatro), ambos em Belo Horizonte. Em 2005, a banda foi objeto de estudo da dissertação de mestrado “Pelos de Cachorro: o rock que vem do morro”, sobre etnomusicologia, defendida pela musicóloga Márcia Guerra, quando o grupo apresentou-se na Escola de Música da UFMG, sendo o primeiro show de rock a acontecer no espaço. A banda também já se apresentou duas vezes no projeto Quarta Sônica, do Teatro Marília e foi uma das 12 bandas que realizaram o Festival OutroRock na capital em 2008.

Em sua discografia estão o CD-demo “Enquanto isso, o mundo se move lá fora” (2002) e o demo-álbum conceitual “Alegrias Paliativas do leprosário” (2005). Também produziram a trilha sonora dos curtas-metragens “Estranhos que acompanham” (Robert Frank – 2005), “Ontem, hoje, talvez amanhã” (Beto Assenção – 2005) e “Pisciana 23, calibre .380” (Maurílio Martins – 2006), além do EP “Memorial dos Abismos”.

Continuando a sequência de entrevistas com as bandas do Grito Rock 2009, o Pegada conversou com o líder do grupo, Roberto Frank. Confira!

Pegada: Bandas que se denominavam art rock há algum tempo eram, geralmente, ligadas ao rock progressivo. Vocês fazem um som bem calcado no pop rock tradicional, onde entra a arte no rock de vocês?

Robert Frank: Acho que o dia em que fizermos um som calcado no pop rock, será o momento certo para pendurarmos as guitarras, (risos). Nosso trabalho está muito mais ligado às artes visuais, literárias e cênicas do que à musica pop tradicional. Claro que nossa paixão maior é o rock, mas nunca nos prendemos a rótulos, isso nos levou a denominar nosso som pela sua finalidade maior, a de ser arte. Nosso trabalho está completamente relacionado à imagem, dos figurinos usados nos shows aos filmes produzidos por nós como complemento do trabalho dos Pelos. Acreditamos que nossa música quase sempre não se explica sozinha, o objetivo não é esse realmente, é levar o ouvinte para outro lugar, outros ares e sensações. Pelo menos quando compomos, sentimos ela assim.

Pegada: Vocês estão na ativa desde 1997. Quais as mudanças que vocês presenciaram durante esse período na cena e no mercado independente?

Robert Frank: Quando iniciamos, éramos grandes inocentes e ingênuos fazendo somente o que nos fazia sentir bem. Não tínhamos acesso fácil à internet nem equipamentos de gravação tão próximos quanto hoje. Só para se ter uma idéia, quando gravamos nosso primeiro CD “Enquanto isso o mundo se move lá fora”, fizemos cópias em fita para os integrantes, pois não tínhamos como ouví-lo em casa. A cena que vivíamos naquela época era completamente desconectada do restante da cidade ou do país, era uma cena formada por mais ou menos umas 10 bandas, todas do Aglomerado Serra, e fazer rock dentro de uma favela não era a coisa mais comum do mundo para muitas pessoas. Montávamos nossos equipamentos nas ruas, armávamos palanques sobre barrancos e assim criamos um movimento chamado Faverock, que depois de algum tempo desceu a favela para dialogar com o chamado “asfalto”. Hoje temos ferramentas muito mais próximas, como a internet e máquinas que nos permitem gravar dentro do próprio quarto.

Hoje podemos ver como a necessidade de coletivos ainda se faz muito presente, e paralelo a isso, muitas bandas ainda não conseguem ou não querem ver isso. Além do mais, poucos artistas se assistem, se as bandas fossem público delas mesmas, nunca tocaríamos para 10, 20 pessoas. Mesmo com tudo isso, achamos que estamos no caminho. Hoje são vários os coletivos e festivais em todo o país e eu citaria entre muitos o OUTROROCK, que também ajudamos a construir. Acho que outra grande mudança está sendo a quebra das gravadoras, que em nosso ponto de vista é muito saudável para a descriação (sic) de um mercado único da música nacional. Podemos viver uma diversidade maior e o público pode escolher, de verdade, o que ouvir.

A banda Pelos de Cachorro se apresenta no dia 21/1, n´A Obra, concorrendo a uma vaga no Grito Rock 2009, em fevereiro!

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