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Áudio de Pegada – Captação Mid Side

Por Ruslan Viana*

Uma das possibilidades de captação de uma imagem estéreo (e a minha predileta) é a utilização de um par Mid-Side. Esse par consiste na utilização de um microfone bidirecional (figura 8 ) e um cardióide. O cardióide será responsável por dar a sensação de presença enquanto o bidirecional trará a informação de espacialidade, ou seja, a imagem tridimensional. Existem no mercado pré amplificadores que constroem a lógica de funcionamento do par M-S. O que farei aqui é ensinar um método para se montar essa configuração com o que temos nos estúdios. Vamos precisar de três canais mono de uma mesa de som, um inversor de polaridade (se a mesa não prover essa função você pode construir um cabo inversor), um cabo spliter, um microfone com padrão polar bidirecional e um microfone com padrão polar cardióide. Conecte o bidirecional no cabo spliter, uma mandada vai para o primeiro canal e a outra vai para o terceiro canal, inverta a fase de um desses canais (apenas um dos canais do bidirecional deve estar com a fase invertida) e abra o panorama desses canais.

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No exemplo da figura abrimos totalmente o pan dos canais 1 e 3. Ligue o cardióide no canal 2 e deixe o panorama no centro. Escute! Perceba que você pode ter uma imagem agressivamente estérea se deixarmos o canal 2 muito atenuado e, à medida que adicionamos o conteúdo desse microfone, vamos tendo mais presença no centro. Você pode também fechar o pan, isso diminui a esterofonia . O que mais gosto dessa configuração é que temos uma versatilidade enorme de imagens e como estamos lidando com uma montagem coincidente estamos livres do efeito comb-filter. Se desejar pode gravar o conteúdo dos três microfones diretamente no HD da sua estação de trabalho e reconstruir essa lógica durante a mixagem (é o que eu faço) ou se estiver seguro da imagem que deseja pode gravar o L-R da mesa. Faça boas tomadas e lembre-se de comentar os resultados conosco!

*Ruslan Viana é engenheiro de áudio, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e há oito anos respira música

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Acústico Estúdio oferece curso de áudio

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Áudio de Pegada – Ponto Crítico

Por Ruslan Viana*

Ao tentar captar um instrumento dentro de uma sala de gravação é preciso ter em mente o conceito sobre ponto critico. Nesse ponto, a intensidade do som direto do instrumento é idêntica à intensidade do campo reverberante. Uma boa forma de se descobrir esse ponto dentro da sala é termos em mãos um medidor de pressão sonora, uma caixa acústica e um gerador de ruído rosa. Coloque a caixa acústica para tocar o ruído rosa com uma pressão sonora equivalente a do instrumento (algo em torno de 70 à 90 decibéis ponderação A) e posicione-a no ponto onde normalmente o instrumento estaria. Aproxime o medidor da boca do alto falante e vagarosamente vá se afastando. Quando notar que a pressão sonora parou de diminuir com o aumento da distância você terá encontrado o ponto critico da sala. Ou seja, a pressão sonora devido ao som direto é igual à soma de todas as reflexões da sala. Note que uma sala pode ter outros pontos críticos, dependendo da posição da fonte sonora em relação à sala.

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A essa altura você deve estar questionando, mas por que quero saber o ponto critico da minha sala? Saber exatamente onde ocorre esse ponto critico auxilia no posicionamento dos microfones de captação. Se já tivermos o conceito da “imagem” sonora de um projeto podemos na microfonação construirmos a profundidade ou espacialidade da obra. Logo, se desejarmos ter uma maior profundidade do instrumento na nossa mix, devemos colocar o microfone dentro do campo reverberante e vice-versa. Um microfone próximo da fonte irá captar majoritariamente o som direto e assim a sensação de presença é intensificada. Uma boa prática é utilizar um par M-S (Mid-Side) pouco à frente do ponto crítico (mais próximo da fonte), dessa forma teremos tanto o som direto (Mid) quanto o campo reverberante (Side), aumentando a flexibidade durante a mixagem. Em uma próxima matéria, irei me aprofundar mais sobre o par M-S. Boa sorte e boas tomadas.

*Ruslan Viana é engenheiro de áudio, formado pela Universidade Federal de Minas Gerais e há oito anos respira música

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StereoTaxiCo no estúdio – parte 2: mixando duas músicas

Por Lucas Mortimer

Após a gravação das baterias para o primeiro EP do StereoTaxiCo, decidimos gravar duas músicas completas para enviar para o Edital de Circulação Nacional do Programa Música Minas.

Foi um trampo corrido, com muita ralação. Gravamos o baixo em linha, diretasso, utilizando o pre ISA-220 da Focusrite. O baixo utilizado foi o próprio baixo do Giordano, um OLP Tony Levin.

O baixo até foi tranqüilo de gravar; o difícil mesmo foram as guitarras do Arthur. Testamos vários equipamentos emprestados. Testamos um Fender De Ville e um amp handmade, o Horizon da Lifesound (que possui dois canais, um limpo estilo Fender e um com alto ganho estilo Mesa Boogie).  

Horizon microfonado com dois Shure SM-57

Horizon microfonado com dois Shure SM-57

O Horizon possibilitou uma variedade maior de timbres e optamos por ele nas gravações. Utilizamos ainda um Direct Drive para algumas distorções e um pedal StereoVibe (também handmade) para algumas modulações. Microfonamos o amp com dois SM-57 (um no centro e um na borda) e um Neumann TLM-103 pra tentar captar a ambiência (que não funcionou legal). Tudo foi executado na Squier Telecaster Custom do Arthur.

Arthur Vinícius e sua Telecaster Custom

Arthur Vinícius e sua Telecaster Custom

As vozes foram gravada com o TLM-103 no ISA-220 com um pouco de compressão e de-esser.

Voz no Neumann TLM-103

Voz no Neumann TLM-103

Passando rapidamente para a mixagem, fizemos tudo no Nuendo e a monitoração foi feita através de um par de Yamaha HS-80M (com Room Control no -2dB por causa do tamanho da sala). Tive que começar a mixar sozinho, sem a presença do nosso produtor Davi Bretâs. Fiquei meio inseguro, mas mandei bala. A princípio fiz uma mix alterando pouco as gravações e utilizando muito das ambiências. No entanto, essa mix se mostrou muito bonita, mas bem fraca. Voltei ao começo e comecei a ativar os compressores e os simuladores de válvulas, para dar mais força e brilho aos instrumentos. Tirei as ambiências que estavam deixando o som um pouco embolado e apliquei alguns reverbs “room” e “plate” do Roomworks.

Davi no comando

Davi no comando

Feita a mixagem, o Davi se juntou novamente a mim para tentarmos fazer a masterização. A pouca experiência em masterizar dificultou muito o processo e gastamos horas testando vários parâmetros para chegar ao som que queríamos. Utilizamos o Ozone iZotope para equalizar, comprimir, excitar harmônicos e maximizar. No final o resultado não foi o que esperávamos, mas esta aí pra galera ouvir e criticar.

Luzes da Cidade já está no myspace da banda e também pode ser baixada nesse link.

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Áudio de Pegada – DAWs Parte 2

Por Davi Brêtas

Na semana passada vocês assistiram à primeira parte da entrevista com Fabrício Galvani, proprietário do Estúdio Casa Antiga em Belo Horizonte. Hoje publicamos o restante do papo com ele, espero que tenham aprendido bastante!

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