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Vale um CD!

Por Eduardo Curi

Revoluções na música são feitas a partir de boas ideias. A banda paulistana Portnoy está dando sua contribuição à mudança de padrão que está em curso hoje na indústria fonográfica. Seu primeiro trabalho, intitulado simplesmente de “O Disco” está à disposição para download gratuito no site da banda.

Até aí nada demais, mas se você quiser ter a versão física, basta você mandar qualquer coisa para a banda que eles te enviam um CD. Pode ser uma foto, um desenho, uma música, outro disco, um quadro, qualquer coisa, desde que seja um trabalho feito por você. Inclusive, este post vai me render um CD deles!

Conversei com o guitarrista e vocalista, Conrado, que conta como surgiu a banda e a ideia.

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Conrado
: O Portnoy surgiu no final de 2007. Eu e meu irmão Caio nos juntamos ao Lefê, baixista de primeira, que já conhecíamos do circuito alternativo. O nome da banda é uma referência ao Alexander Portnoy, o personagem hilário do livro “Complexo de Portnoy”, do escritor norte-americano Phillip Roth. Montamos o repertório e fomos pro estúdio pra gravar o disco de estreia que foi produzido pelo gaúcho Iuri Freiberger. O Caio deixou a banda logo depois. Na mesma noite em que ele anunciou sua intenção de largar a bateria pra tocar violão e cantar, o Lefê, que é baiano, me apresentou um conterrâneo dele que estava dando sopa aqui em São Paulo, o Kleber Kruschewsky. Fomos, no dia seguinte, pra um estúdio e ensaiamos das quatro da tarde às oito da manhã. Estava concluído o processo e assim foi: eu na guitarra e na voz, Lefê no baixo e Kleber na bateria.

Pegada: Como surgiu a ideia de trocar o disco por outros produtos?

Conrado: Acho que cobrar por música gravada é um sistema velho, pra um modelo velho de relação artista/ouvinte. O símbolo máximo desse modelo, inclusive, acaba de morrer. Acho que Michel Jackson leva pro túmulo (se o corpo dele for um dia pro túmulo) essa relação monárquica com rei, rainha, corte e seus súditos. A internet deu um xeque-mate na questão. Como ter um retorno pra pagar as cordas da guitarra que quebram? Fazendo show. E pra fazer show é preciso expandir o trabalho. O primeiro passo era fazer o que muita gente já faz: disponibilizar de graça as músicas pra download no site da banda. Também tínhamos na mão uma edição com encarte caprichado do CD. Pensei, então, numa forma de aproximar as pessoas da banda e tentar reproduzir com o disco físico o que já é feito via web. E como dinheiro não tinha nada a ver com isso, fechamos na ideia: a gente dá o CD e recebe em troca alguma coisa produzida por quem quer ouvi-lo. Isso incentiva a circulação de cultura, sempre dando crédito. Nem temos pretensão de reproduzir um Creative Commons, por exemplo. É uma coisa bem intimista, do Portnoy com seu público. A mesma relação que a gente busca ter por meio de outro canal do site, o LAB, onde colocamos músicas que acabam de ser feitas, tudo gravado na hora, em casa, pra que as pessoas ouçam e acompanhem a evolução de um trabalho que vai resultar no segundo disco do Portnoy.

Pegada: O que já foi recebido até agora, quantas trocas já fizeram?

Conrado: Já recebemos vídeo, desenho e até assinatura de revista. Algumas coisas mais elaboradas e outras bem simples, como a de um cara que mandou uma foto da estante de CDs dele com um espaço vago para o disco do Portnoy. Tá tudo bem no começo, na casa da dezena. Mas espero que passe rápido pra casa da centena, até que os discos que eu tenho aqui acabem. Começamos a colocar algumas coisas que chegaram no site da banda, no espaço do ESCAMBE!.

Pegada: Vocês conhecem o Circuito Fora do Eixo e a filosofia de economia solidária adotada dentro do circuito?

Conrado: Não conhecia e nunca participamos do Circuito Fora do Eixo. Vi o site e achei sensacional. É o tipo de coisa que eu mais gosto. Ao invés de ficar se moldando pra entrar num esquema que já existe, você cria seu próprio esquema. É como fazer punk rock. Se nos permitirem, o Portnoy tá dentro!

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Silk com Pegada!

Por Luciano Viana
Fotos: Luciano Viana

O Festival Escambo, em Sabará, na região metropolitana de Belo Horizonte, realizado no final do mês de julho pelo Instituto Fórceps, teve como ponto alto não somente os bons shows que passaram pelo palco da praça Melo Viana, mas também as inúmeras oficinas organizadas e realizadas por coletivos e colaboradores do Circuito Fora do Eixo. Entre essas oficinas, estava a oficina de silk do Coletivo Pegada, ministrada por Lucas Mortimer e Camila Cortielha.

Apesar da ausência de alguns inscritos (que preencheram todas as vagas oferecidas), a oficina contou com a presença de um bom número de espectadores interessados em viabilizar seu silk artesanal, inclusive integrantes de outros coletivos.

Após uma breve apresentação sobre o Coletivo Pegada, Lucas e Camila iniciaram a oficina com a parte mais teórica, explicando algumas noções básicas, mostrando e explicando a produção de alguns trabalhos de silk realizados pelo Pegada, e dando uma grande ênfase também na importância da pesquisa, de boas parcerias e relacionamentos durante o processo, seja para se chegar a fornecedores de tinta mais baratos, ou para se descobrir lugares onde se faça telas mais em conta e de melhor qualidade e até mesmo de pegar informações e truques com alguns desses agentes mais experientes que são dispostos a ensinar.

A oficina tomou forma de vez no momento de partir para a prática. As cerca de 15 pessoas presentes se dividiram em grupos e botaram a mão na massa e na tinta, com a orientação cuidadosa dos oficineiros. Assim puderam ver com clareza todas as etapas e recursos explicados anteriormente e pegar pequenos truques que poderiam passar despercebidos somente pela parte teórica.

No final das contas, além de novas camisas produzidas para o Festival Escambo, teve-se ainda a certeza de que saíram dali, pessoas capacitadas a experimentar e fazer seu próprio silk, ou pelo menos ter uma noção maior de todo o processo e repassar essa tecnologia aprendida à frente.

O coletivo Pegada está sempre disposto a ministrar a oficina a todos que se interessarem por ela. Para saber mais sobre como realiza-la, entre em contato coma gente pelo e-mail coletivopegada@yahoo.com.br.

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Impressões de Pegada – Festival Escambo

Por Paulo Malibu

Então… muita gente está perguntando qual foi a boa desse último final de semana. Eu digo! Mais que boa, a ótima foi ir a Sabará pra curtir o Festival Escambo 2009. Essa foi a terceira edição do evento, organizado pelo Coletivo Fórceps de Sabará e que aconteceu durante o festival de inverno da cidade. Vieram bandas de vários cantos de Minas Gerais e do Brasil, transformando o festival num dos maiores da musica independente do Estado.

A maior parte do Escambo 2009 aconteceu no centro histórico de Sabará, lugar que eu nunca tinha ido pra falar a verdade e, agora que conheci, posso dizer que estou apaixonado. Um lugar tão perto, tão bonito e que eu não fazia a menor ideia de como era. Todo esse visual e clima de cidade velha cercando um dos melhores festivais que eu já presenciei. Isso é que é fim de semana! São oportunidades assim que me fazem adorar esses programas fora do eixo.

Além dos shows, o festival contou com oficinas, barraquinhas, banquinha do Coletivo Pegada e a presença de outros coletivos Fora do Eixo. O FDE Minas estava em peso lá, mostrando que a integração e a coletividade organizada podem ir longe.

Quem não foi, perdeu grandão, mas ainda poderá sentir o gostinho no Youtube ou em outros canais. Presencialmente, agora só ano que vem…

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Festival Escambo começa hoje!

final_cartaz - ESCAMBO 2009

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Pegada oferece oficina de silk de camisetas no Festival Escambo em Sabará

Silk de Pegada é a oficina que Lucas Mortimer e Camila Cortielha irão ministrar durante o Festival Escambo, em Sabará, Região Metropolitana de Belo Horizonte. A oficina será no sábado, 25/7, a partir das 13h na Escola Estadual Zoroastro Viana Passos, na Praça Melo Viana.

As inscriçõessão gratuitas e podem ser feitas diretamente aqui!

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Grito Rock BH 2009 – 4

Virtuosismo sem chatice

Divulgação/Alan e Loris (Coletivo Retomada)

Foto: Divulgação/Alan e Loris (Coletivo Retomada)

A 4 é uma banda instrumental formada em Sabará (MG) em abril de 2008 por quatro jovens músicos que possuem influências diversas como rock alternativo, progressivo, heavy metal, música brasileira, jazz, entre outras. O resultado é um som virtuoso e técnico sem soar chato. Um som que impressiona pela habilidade sem aborrecer o ouvinte.

Apesar do pouco tempo de formação, o 4 já circulou por várias cidades do circuito mineiro de música independente, como BH, Sabará, Vespasiano, Divinópolis, Patos de Minas e Uberlândia, tocando em festivais importantes no cenário mineiro como o Escambo, em Sabará, o Minas Instrumental, em BH, o Marreco, em Patos de Minas, o BH Indie e o Arena Livre, em Vespasiano. Além disso, a banda, integrada ao coletivo Fórceps, já tocou nas principais casas de música independente de MG como Goma, em Uberlândia, A Obra e o Matriz, na capital.

Como um dos nomes que tocarão no Grito Rock BH e também integrando o evento nas cidades de Montes Claros (28/2) e Sabará (07/3), o 4 conversou com este Blog de Pegada sobre o presente e o futuro da banda:

Pegada: A banda já se apresentou em diversas casas e eventos do circuito mineiro. O que significa para vocês tocar em três Gritos Rock do estado, incluindo BH?

4: Tudo tem acontecido muito rápido para a gente e isso é muito gratificante. O fato de podermos mostrar nosso som em todas essas cidades com tão pouco tempo de banda é fantástico, e o Grito Rock veio para consagrar de, certa forma, todo esse nosso trabalho. Somos muito gratos a todos vocês não só pelo convite, mas também por toda essa empreitada indie.

Pegada: Quais são os próximos planos da banda, para depois das apresentações?

4: Quanto aos planos, pretendemos gravar o mais rápido possivel para lançarmos o disco até o fim do ano, buscando assim divulgar, cada vez mais, nosso trabalho em todo o país.

O 4 se apresenta n’A Obra no dia 19/2, na primeira noite do Grito Rock BH 2009.

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Pegada no Escambo II

A primeira pegada registrada em vídeo, a primeira vez que falamos oficialmente sobre o Pegada, depoimentos de outros coletivos mineiros e mais um pouco do que foi o festival Escambo:

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