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Enne – “Lugar Comum”

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Pegada Recomenda – Paralaxe “Under Pop Pulp Fiction”

Por Roger Deff

Imagine um trabalho musical recheado de referências, que vão desde os quadrinhos norte americanos, seriados de heróis japoneses, desenhos animados, aos personagens que permeiam o nosso imaginário cotidiano, como a “Loira do Bonfim”. Difícil? Mas não inconcebível. Resumindo, mal e toscamente, isso é Paralaxe. Para quem perdeu este que, na minha opinião, é um dos mais, importantes e singulares trabalhos do cenário independente, fica a dica.

O primeiro disco deste trio composto por Fredhc (voz, letras e arranjos), Rafael Carneiro (guitarra) e VJ Impar (inserção de imagens) saiu em 2005 com o título de “Paralaxe”, e já indicava as particularidades que definiriam o trabalho do grupo. O álbum trazia um clima meio retrô, com vocal em clima oitentista, mas com uma roupagem que mesclava rock e elementos eletrônicos. Havia algo de New Order com Kraftwerk.

As letras já traziam metáforas bem sacadas como a ótima “Dr Gory Versus Spectreman”. A referência não fica tão clara aqui, mas Spectreman foi um seriado produzido no Japão no final dos anos 70, com produção capenga, mas com histórias interessantes. O herói enlatado enfrentava o vilão Dr Gory. A música do Paralaxe usa os personagens para criar uma espécie de alegoria em que Spectreman é Carlos Marighela (guerrilheiro durante os anos de ditadura no Brasil) e seu algoz, Dr Gory é o general Golbery do Couto e Silva, uma das figuras mais importantes do regime militar brasileiro (1964 – 1985). Veja um trecho da letra:

Spectreman subversivo, alvo do alto comando, tinha um aparelho em Goiás e um míssil lituano,um esconderijo no Uruguai era amigo do Jânio fazia um Guevara-Style de charuto cubano

Mas, o primeiro disco, apesar de bem feito, é apenas um ensaio para o que estava por vir. Under Pop Pulp Fiction saiu exatamente um ano depois e surpreendeu. O disco tinha muito mais qualidade sonora e apresentava um Paralaxe mais experimental e ousado. Não havia, de forma alguma, a sensação de que o trio estava se procurando, tateando terrenos na tentativa de achar um norte definitivo, como aconteceu no primeiro trabalho.

As guitarras de Rafael Carneiro estão mais encorpadas e encontraram o equilíbrio perfeito com os samplers. A primeira faixa “Li no Linux o Celton”, deixa isso bem claro. Totalmente rock, com riffs bem marcados, e em harmonia com os beats criados por Fredhc. Não dá para deixar de comentar o título da música. Fantástico. Uma homenagem clara à cultura undergrownd. Embora todos saibam o que é o Linux, o contraponto open source do Windows, nem todos conhecem Celton. Trata-se do personagem de quadrinhos criado pelo belo-horizontino Lacarmélio Alfeu. O cara ficou conhecido por vender as revistas que ele mesmo produzia rodando pela cidade com a sua moto, e conseguiu sobreviver da própria arte. Mais independente impossível! De volta à música, essa faixa conta ainda com trechos de fala do próprio Lacarmélio explicando “quem é” o seu personagem Celton.

“Bin Laden é Bruce Wayne”, outra das metáforas amalucadas e geniais de Fredhc. Segundo ele, a associação é óbvia pelo fato de ambos morarem em cavernas, serem milionários e combaterem o mal, de acordo com seus pontos de vista. Boa música e talvez uma das mais assimiláveis de todo o CD. Outra curiosidade, a faixa se inicia com a fala de Adam West e Burt Ward (respectivamente Batman e Robin) na abertura do seriado debochado dos anos 60.

“Catch a Rising Star” é uma verdadeira ópera, não pela estática sonora, mas por ser uma faixa de 7 minutos (!!!) que conta – sem refrão – a história de uma aluna da Guignard que resolve ganhar o mundo. A música não é cansativa em momento algum. Aqui, as guitarras estão mais sutis, na maior parte do tempo, criando a ambientação para o enredo. Não dá para falar de todo o universo que é abordado no disco, tarefa quase impossível ou extensa demais, mas outras faixas também merecem atenção como “O Home azul de OA”, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, e o repeteco do primeiro disco, a impagável “Dr Gory vs Spectreman”.

O disco, como deu para notar, é um verdadeiro caldeirão de referências da cultura pop e underground, o que explica o título da obra. O ouvinte não precisa, necessariamente conhecer tudo o que é usado no disco, ou mesmo ser uma espécie de nerd para apreciar a audição. Claro que as pessoas que sacarem vão se divertir mais a cada citação percebida, mas o importante aqui é a música que está muito bem feita por sinal.

Outro detalhe importante. A parte gráfica deste CD está mais bem cuidada, o que, principalmente no caso do Paralaxe, é primordial. Os shows utilizam imagens inseridas pelo Vj Impar que dialogam perfeitamente com as músicas, é um trabalho audiovisual, na falta de melhor definição. O encarte, desta vez, tenta trazer esse universo estético. Enquanto você acompanha as letras pode ver figuras muito legais como o um dos cartazes de “O dia em que a terra parou” (o filme clássico, de 1952), alguns dos monstros de látex, oriundos diretamente dos seriados japoneses, entre outras. É arte para os olhos também. É um álbum diferente de qualquer coisa já ouvida no cenário nacional e pode causar tanto estranheza em alguns, quanto afinidade em outros, mas ninguém poderá acusá-los de falta de originalidade.

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JJBZ na Quina Gleria, 11/7

O designer de Pegada JJBZ irá expor alguns desenhos na inauguração da galeria Quina, nesse sábado, 11/7. Sinta-se convidado!

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Posterize: Blog divulga a arte dos flyers e pôsteres de shows

O Posterize é um blog que foca a arte gráfica por trás da música. O projeto é idealizado e mantido pelo designer gráfico Ricardo Meola, cujo objetivo é expor a arte dos flyers e posterês, material indispensável a qualquer show, independentemente do tamanho ou projeção da banda. Não se trata de um espaço de divulgação, necessariamente, mas sim de um “local” onde esses trabalhos podem ser vistos e revistos. No bate papo a seguir, Meola fala sobre essa ideia, no mínimo, inusitada.

Pegada: Como surgiu a idéia do blog. Existe algo similar?

Ricardo Meola:
Quando comecei a trabalhar como diretor de arte, comecei a levar muito a sério os pôsteres da Z?, minha banda. Acontece que no final das contas esses pôsteres iam parar em meia dúzia de postes e em várias caixas de Spam. Independentemente de show vazio ou lotado, no dia seguinte todo o trabalho (muito trabalho) daquela divulgação ficava órfão, expirado. Então, porque não organizar esse tipo de trabalho de uma forma que, além de divulgar os eventos, sirva de referência e inspiração permanente de design, como os livros da minha estante? Daí nasce o Posterize que, muito humildemente, busca indexar o belíssimo trabalho feito pra divulgar os shows e festivais pelo Brasil.

Pegada: Há quanto tempo existe?

RM:
O site está no ar hà pouco mais de dois meses.

Pegada: Como você escolhe os pôsteres? O foco é música independente?

RM: O critério é bastante subjetivo, ate porque esse tipo de tema não permite um muito formal. Não sei se é porque bandas grandes e conhecidas precisam de menos divulgacão pra seus shows, mas ate agora quase tudo que recebi foi material independente. Também acredito muito nas parcerias, coletivos e estúdios independentes que estão atuando em varias frentes (design, musica, literarura, etc). Isso acaba melhorando em quantidade e qualidade o trabalho de todos.

Pegada: Como é alimentado o site? Como fazer para mandar imagens?

RM:
Pra enviar um pôster basta preencher um pequeno formulario do site e anexá-lo. Incluo no site praticamente todos que recebo. Os que eu não incluo não são necessariamente piores, na maioria das vezes simplesmente não fecham com o “mood” do site. Mais uma vez, tudo isso é muito subjetivo.

Pegada: Vale mandar pôster antigo?

RM:
Deve! Acho que nesses dois meses muita gente mandou quase tudo que tinha, o que diminuiu bastante a frequência de pôsteres mais antigos. Por outro lado os pôsteres novos também servem como agenda, o que acho ótimo.

Pegada: O músico brasileiro sabe trabalhar a imagem visual? E o designer, sabe traduzir as músicas? Uma profissão valoriza outra?

RM:
Com certeza uma valoriza a outra! Diria mais, acho que uma viabilliza a outra. A bagagem artística que se adquire com a música (ou design) com certeza abre portas pra quem começa a trabalhar com outros tipos de arte, é um exercício constante de sensibilidade, de percepção. No entanto, não acho que o musico seja obrigado, ele mesmo, a ser um bravo designer. O que é mais bacana são, justamente, as parcerias que nascem de necessidades em comum de várias artes diferentes. Mais uma vez, palmas pros coletivos!

Pegada: Ele visualiza a mania de pôsteres no Brasil? E existe a idéia de vender os trabalhos expostos, a exemplo do site Gigposters?

RM:
Sinceramente eu não esperava um retorno tão bom em relação ao Posterize, mas nunca pensei nesse site como uma fonte de renda. Acho que cada pequena iniciativa como essa alimenta um pouco o gosto por pôsteres, fico feliz por contribuir. Por enquanto não penso em venda de pôsteres, mas existe um projeto bacana quase pronto pra dar um suporte físico pra esses belos trabalhos!

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Concurso para escolha da logo do CMMI termina domingo

O Circuito Mineiro de Música Independente está promovendo concurso para escolha da logomarca. Você tem até esse domingo, 29/3, para enviar a sua proposta!

Veja aqui o edital!

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CMMI faz concurso para escolher marca

O Circuito Mineiro de Música Independente, entidade que tem o objetivo de formentar a cena independente no Estado de Minas Gerais está realizando concurso para escolher a sua logomarca.

Você tem até o dia 29/3 para enviar a sua proposta. O resultado será anunciado no início de abril.

Baixe aqui o edital.

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