Arquivo da tag: conexao vivo

Pegada Recomenda – Cidadão Instigado – Uhuuu

cidadaoinstigado-uhuuu

Uhuuu era a última coisa que eu iria pensar em gritar ao ouvir Cidadão Instigado. Conhecia apenas o primeiro disco deles, mas sempre foi uma banda que eu admirei, mais pela qualidade da experimentação musical que eles fazem do que pelas canções em si. O primeiro disco, por exemplo, possui apenas uma música que eu considero uma canção pop, fácil e gostosa de ouvir (Minha Imagem Roubada), mas isso não torna o disco ruim, pelo contrário.

Assisti ao show deles na Conexão, em abril deste ano e achei a melhor apresentação do festival. E o que mais me surpreendeu foram as canções, simples, pop, deliciosas de se ouvir, várias delas deste CD que vos resenho, pois eu estava esperando um certo nível de psicodelia no show, com músicas no estilo do primeiro disco.

Uhuuu é um disco que dá vontade de gritar uhuuu! Canções pop do início ao fim, sem tanta lisergia como no início da carreira, porém com toda a psicodelia apresentada no primeiro trabalho. Ao ouvir um disco como este, percebemos que a banda trabalha para evoluir, não ficando presa à fórmulas lisérgicas de músicas difíceis de se digerir. A experimentação pura e simples acabou, O que dá o tom agora são as canções, que é no que todo disco de música pop deveria focar. Boas canções. E isso, este disco tem de sobra.

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Pegada recomenda

Imunidade Tributária

Clique aqui para ver!

Deixe um comentário

Arquivado em vídeo

Conexão Vivo 2009 e as novas perspectivas

Por Roger Deff

Este texto tem o objetivo de trazer uma avaliação do Conexão Vivo 2009, do ponto de vista de quem participou do evento, mas, antes de falar das minhas impressões desta edição, acho necessário fazer uma retrospectiva do projeto,  para que possamos perceber, de forma mais ampla, a sua importância para a cena cultural da cidade.

Participei do Conexão pela primeira vez em 2004 (na época Conexão Telemig Celular), quando o festival abriu espaço para inscrição de novos artistas. Até então o evento era focado apenas nos músicos patrocinados e os shows, se não me engano, aconteciam no Teatro Francisco Nunes. Me lembro de uma apresentação em que o NUC (grupo do Renegado) trouxe o Jair Rodrigues como convidado, muito bacana.

A proposta me parecia clara: estabelecer pontes entre os artistas locais e outros de renome nacional. Quando fomos selecionados, entre cerca de 400 artistas inscritos em todo estado, foi como uma espécie de divisor de águas, não apenas para minha história como músico, mas o evento nos deu a possibilidade de criar conexões duradouras com bandas de outras vertentes.

Na época os selecionados não recebiam ajuda de custo para as viagens, e nós iríamos tocar em Montes Claros. Como não haviam recursos finenceiros a solução foi entrar em contato com os outros selecionados e sugerir uma parceria. Liguei para o Bruno Couto, da banda Cumbaquê e fiz a proposta, ele por sua vez organizou o resto, contactou os demais e dividimos, entre os interessados, o custo da viagem. Não me lembro de todas as bandas, mas havia o Coletivo Universal, formado pelo Wagner Merije, Daniel Barbosa, Daniel Saavedra, o Cumbaquê trazia na formação, além do Bruno Couto, Felipe Fantonni, André Lima, Skilo, e tinha o Nono Osso, banda que foi a escolhida da etapa Montes Claros para participar da coletânea e realizar o show em Belo Horizonte.

No final das contas todos ganhamos na verdade, sem querer recorrer àquela frase clichê “valeu a experiência”, mas aqui ela se justifica. Algumas das pessoas citadas (a maioria na verdade) se tornaram nossas parceiras, o que gerou frutos interessantes no que se refere a participações e afins.

Voltando ao festival alguns anos depois, na edição 2009, já num âmbito maior, com edital aberto para todo o território nacional e com mais de 1600 inscritos, acho importante pensar em como o projeto cresceu, aliás, não só o projeto, mas também os artistas (cada um a seu modo) que tiveram a oportunidade de participar dele. Bati um papo muito rápido com o pessoal do The Hell’s Kitchen Project, vi a euforia dos caras com o fato de terem sido selecionados e acompanhei a repercussão recente disso para a história da banda. São novas perspectivas que se abrem e com uma carreira ainda bem jovem, já que a banda foi criada há apenas dois anos.

Achei pertinente citar o The Hell’s Kitchen justamente por se tratar de “gente nova no pedaço”, o que representa uma renovação artística importante, já que alguns de nós são reincidentes, a exemplo do Black Sonora, o Proa ou mesmo o Transmissor (que apesar de não serem bandas tão antigas, são compostas por pessoas que estão na estrada há algum tempo e que já estiveram no Conexão de alguma forma).

Como artista, vejo que o evento continua servindo ao seu propósito inicial, que é criar elos entre bandas e músicos individuais das mais diversas matizes. Pessoas que continuarão a se encontrar, sempre reforçando a idéia de uma cena plural (pelo menos eu a vejo assim), onde há cada vez menos espaços para guetos e mais abertura para o compartilhamento saudável de idéias e concepções musicais divergentes (mas não necessariamente opostas).

Foi bom perceber que esta diversidade se mantém, e o evento se esforça em mostrar isto. Há espaço tanto para o “rock com melodia pop” do  Rock Nova, como para o samba autêntico do Thiago Delegado, ou mesmo o hip-hop da minha banda, Julgamento. E o melhor disso tudo é ver que temos um público pronto para apreciar todas estas propostas e que não estão aí apenas pelos artistas já consagrados.

Deixe um comentário

Arquivado em coletivopegada

Cobertura de Pegada – Conexão Vivo

Por Flávio Charchar
Fotos: Lucas Mortimer

Transmissor abre a quinta-feira

Transmissor abre a quinta-feira

Continuando com as boas surpresas da cena de BH e do Brasil afora, a noite de quinta-feira, 23/4, foi aberta pelo Transmissor. Atualmente a banda ostenta o “peso” de ter feito um dos melhores trabalhos do ano passado na cidade, além de ter figurinhas já conhecidas do “underground” em sua formação, como Thiago Correa (ex-Diesel, atualmente também no Eminence), Jennifer Souza (integrante do Cinza) e Leonardo Marques (ex-Diesel, atual Udora). A banda fez mais um dos seus elogiados shows, com um público seguidor marcante, cantando as músicas e chamando a atenção dos poucos presentes. Após o show, o primeiro CD do grupo, “Sociedade do Crivo Mútuo”, vendeu tão rápido quanto chegou à banquinha do CMMI, mostrando um reflexo claro da apresentação.

No decorrer da noite, Otto (PE) fez uma apresentação que gerou críticas e elogios, um pouco diferente do reflexo de seu show na edição anterior do evento. Contudo, sempre animado, foi uma apresentação interessante de um artista respeitado no meio. Em seguida, veio o show de Makely Ka com Alexandre Lima. Apresentando músicas de seu último trabalho,”Autófago”, entre outras, com muito rock e MPB, o show se alternou entre momentos calmos e agitados, com muita dinâmica e um público interessado, mostrando o poder da música autoral. E para encerrar a noite, Porcas Borboletas, de Uberlândia (MG). Assim como na edição anterior, a banda fez uma apresentação que causa espanto inicialmente, devido a sua presença performática e mensagens subliminares em letras escrachadas. O público começa o show com um pé atrás, mas depois se diverte bastante e entra no clima da banda. Para os já fãs de carteirinha, o Porcas tocou música novas, de um trabalho a ser lançado possivelmente este ano ainda, dando um gostinho do que está por vir.

No dia seguinte, sexta-feira, Curumin, renomado baterista já envolvido com alguns projetos na cena independente, mostrou seu trabalho cheio de swing e uma presença de palco descontraída e cativante, sendo muito aplaudido pelos ouvintes, que dançaram sem parar e sem tirar os olhos do palco.

Madame Saatan: peso na Conexão

Madame Saatan: peso na Conexão

O sábado foi, contudo, a maior surpresa em termos de resposta do público a uma banda no festival, graças ao Madame Saatan do Pará. Com um som pesado, presença de palco forte, muita técnica e uma vocalista muito carismática e talentosa, a banda pôs o Conexão Vivo em xeque, mostrando que o seu metal misturado com hard rock e ritmos regionais tem seu lugar mesmo no público mais improvável (nenhuma outra atração tinha tanto peso musical na programação), com um trabalho autoral e que chamou muita atenção, resultados claramente visíveis nas vendas dos produtos relacionados à banda após o show na banquinha do CMMI.

Outra surpresa agradável ao longo da noite foi o Filomedusa, do Acre, com um som esteticamente retrô, animado e liderado pela voz carismática e, dessa vez mais doce, de outra mulher. Ao contrário da banda paraense com seus vocais graves e fortes, os acreanos mostraram mais sutileza e muito bom gosto para uma audiência muito animada. O show foi tranquilo e muito elogiado, gerando uma curiosidade interessante em torno da banda.

Filomedusa: rock acreano em MG

Filomedusa: rock acreano em MG

Enfim, termina o Conexão no domingo, com mais um dia de trabalho para a banquinha do CMMI e muita gente curtindo música boa e independente. O evento foi um bom exemplo do interesse que as pessoas têm tido pela cena, cada vez mais presente e parte do cotidiano do público. Até ano que vem!

Deixe um comentário

Arquivado em Cobertura de Pegada, coletivopegada

Cobertura de Pegada – Conexão 2009

Julgamento agradece o público do Conexão 2009

Julgamento agradece o público do Conexão 2009

O público de Belo Horizonte é muito tradicionalista, não está acostumado a ouvir coisas novas e prefere prestigiar o bom, velho, seguro e conhecido cover. Mentira!

A Conexão, que está acontecendo no Parque Municipal e vai até o domingo, 26/4, prova que BH tem espaço para coisas novas. Bandas pouco conhecidas do público mescladas a artistas de renome têm produzido um grande espetáculo musical durante esses dias no parque. Há também uma enorme diversidade de estilos. A organização conseguiu uma mistura equilibrada de rock, hip hop, MPB, samba e várias outras vertentes da música. De uma maneira geral, a Conexão conseguiu atingir um dos seus objetivos, trazendo para o mesmo espaço artistas diferentes e que representam a nova cara da música nacional e consolidando o Estado do Mato Grosso como um dos principais pólos desse novo mercado musical.

Entre eles está o rapper Renegado que tocou na sexta-feira, junto com Marku Ribas e Cubanito, da Black Sonora e falou com o Pegada sobre a importância da diversidade na música. Clique aqui e ouça!

The Hell´s Kitchen Project: trabalhando duro

The Hell´s Kitchen Project: trabalhando duro

Indo além da conversa artística, os selecionados para o festival representam o período de transição que a música está passando hoje, com relação à forma de se trabalhar nesse novo modelo de mercado. Há artistas consagrados (e outros nem tanto), que ainda insistem no modelo antigo de trabalho com a música. Temos artistas em que a banda foi responsável por tudo sozinha, como o The Hell´s Kitchen Project, que conta apenas com o próprio trabalho para atingir os objetivos. Há ainda representantes da nova economia solidária, como o Macaco Bong, que vem para representar o Circuito Fora do Eixo e o trabalho de dezenas de coletivos em todo o país. Graças a esse trabalho cooperativo em rede, a banda conseguiu ter o seu disco de estreia, “Artista Igual Pedreiro”, eleito como o melhor de 2008 pela revista Rolling Stone. O reconhecimento da grande mídia a uma banda instrumental mostra o quão eficiente é essa nova forma de trabalhar e Ney Hugo (baixo) e Ynaiã Bertholdo explicaram para o Pegada as razões desse sucesso. Ouça aqui!

Macaco Bong: artista igual pedreiro

Macaco Bong: artista igual pedreiro

Festas no Parque Municipal sempre são sucesso de público, devido a vários fatores, como localização, preço camarada e boa organização. Este festival não está sendo diferente, mas um fato chama a atenção, uma grande parte do público está indo para assistir aos shows e não apenas “ir a uma festa”. Essa tese pode ser comprovada logo no show de abertura de cada dia, que já conta com um público expressivo às 18h30. As bandas Rocknova, Julgamento (do nosso colaborador Roger Deff), que abriram os dois primeiros dias, tocaram para um público que foi à festa para assistir aos seus shows, mostrando que a nova música de BH está formando público. Outra banda que inaugurou a noite e já contava com um público razoável foi a banda paraibana Burro Morto, que trouxe a lisergia instrumental do Nordeste para o gramado do parque.

Outro destaque dos shows foi a confirmação de que o público precisa cultuar alguém. Há alguns anos, o posto de banda mais idolatrada do país vinha sendo ocupado pelos Los Hermanos. A julgar pela reação do público, na primeira noite do festival, durante o show do Vanguart, essa lacuna acabou de ser preenchida. Plateia ensandecida, cantando todas as músicas e corrida ao camarim depois do show preenchem todos os requisitos de banda cult. Apesar de toda a idolatria, o Vanguart surgiu em Cuiabá, fazendo parte do mesmo cenário que o Espaço Cubo formenta. Após anos de trabalho duro, a banda saiu do Centro-Oeste brasileiro e se mudou para São Paulo, onde tem se dado muito bem. Clipes com veiculação constante na MTV, aparições na Globo e um DVD gravado pelo canal a cabo Multishow mostram a boa fase da banda. Mas apesar de todo o sucesso, o caminho percorrido não difere muito da maioria das bandas independentes do país, como explica o tecladista da banda, Luiz Lazarotto. Ouça aqui!

barraca-lucas2

Quem for ao Parque Municipal hoje à noite poderá conferir a barraca do Circuito Mineiro de Música Independente, com CDs e produtos de vários coletivos de todo o estado.

Confira a programação dos shows até domingo:

programacao2

Além disso, a partir das 14h de hoje, começa o Seminário Música e Movimento, no teatro do Museu Inimá de Paula, veja a programação:

Tema 23/04 – MÚSICA, TECNOLOGIA & MOBILIDADE
Tema 24/04 – DIREITOS AUTORAIS
Tema 25/04 – MOVIMENTO
Tema 26/04 – INTERNACIONAL

Mais informações aqui!

Equipe de Pegada:

Coordenação:
Eduardo Curi

Redação:
Flávio Charchar
Luciano Viana
Renata Almeida

Fotos:
Lucas Mortimer
Marco Aurélio Prates

Vídeo:
Adriano Singolani

1 comentário

Arquivado em Cobertura de Pegada, coletivopegada

Conexão Vivo começa 6ª em BH

A Conexão Vivo começa nesta sexta-feira, no Parque Municipal, no Centro de Belo Horizonte. Os shows começam às 18h e quem fará a abertura é a banda Rocknova, que tocou no Grito Rock BH 2009.

O festival irá até o dia 26 de abril.

Confira a programação do primeiro fim de semana do evento:

conexao

Em sua oitava edição, a Conexão já passou pelas cidades de Governador Valadares, São João del-Rei, Uberlândia, Montes Claros e Campinas (SP). Ao todo, foram realizados 81 shows, 79 oficinas culturais, algumas delas ministradas por Camila Cortielha, coordenadora de Planejamento do Pegada, e dois espetáculos teatrais, com público estimado de 34 mil pessoas.

Em BH, o projeto irá promover vários shows no Parque Municipal, de 17 a 21 e de 23 a 26 de abril. Irão se apresentar os artistas selecionados pelo júri e por votação popular nas etapas eliminatórias do interior. Também irão se apresentar nomes já consagrados da música como Patrícia Ahmaral e Vander Lee, Vanguart, Macaco Bong, Kiko Klaus e Naná Vasconcelos, Porcas Borboletas, Otto, Gilvan de Oliveira, Chico Amaral e Samuel Rosa, Marina Machado, Pedro Morais, Dea Trancoso, Curumin, Macaco Bong, Juarez Moreira e Wagner Tiso, Lirinha, Chacal, Sergio Pererê, entre outros.

Será realizado, pela segunda vez, o Seminário Internacional Música & Movimento, com debates, oficinas e mesas-redondas. Dirigido a músicos, jornalistas, produtores, representantes do poder público e empresários ligados ao setor cultural, o Seminário neste ano trará mais uma vez alguns dos mais importantes especialistas do mercado e da indústria cultural, como representantes do MinC, Festivais Internacionais e de Fundações e Institutos culturais ligados ao desenvolvimento do setor, como o Instituto Cultural Espaço Cubo, representado por Pablo Capilé, liderança nacional do Circuito Fora do Eixo e a Eletrocooperativa. O Seminário teve sua primeira edição em 2003 e surgiu da necessidade de uma reflexão sobre o relacionamento entre a cadeia produtiva da música e os novos caminhos do mercado cultural. O Seminário Internacional Música & Movimento ocorre entre os dias 23 e 26 de abril.

Deixe um comentário

Arquivado em coletivopegada, Festival

Sai lista de aprovados no Conexão Vivo 2009 em Belo Horizonte

O power trio sem guitarra The Hell’s Kitchen Project e o grupo de hip-hop Julgamento continuam suas trajetórias de destaque no cenário mineiro da música independente com uma ótima conquista. Depois de serem selecionados por curadoria e se apresentarem em Governador Valadares, as bandas agora se apresentam no Conexão Vivo 2009 em Belo Horizonte.

The Hells Kitchen Project após o show em Governador Valadares

The Hell's Kitchen Project após o show em Governador Valadares

Segundo o site do evento, a presença de palco foi um critério essencial para escolha dos 12 selecionados que se apresentam na capital mineira ao lado de artistas patrocinados pela Vivo e seus convidados. O coletivo Pegada já sabia da qualidade de show dos caras, que foram eleitos entre os cinco melhores shows que o coletivo assistiu em 2008.

Entre os 12 artistas selecionados figuram Madame Saatan e Transmissor, bandas que também foram mencionadas na elaboração da lista de 2008.

Deixe um comentário

Arquivado em Festival, Notícias, Pegada recomenda, Seletivas