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Áudio de Pegada – Montei uma banda e agora?

Por Thiago Marinho: Guitarrista da banda Charge e gerente do Acústico Estúdio

Produtor musical, produtor artístico, produtor executivo, assistente de produção, engenheiro de som e por ai vai.

Pra que tanta produção se tudo o que eu queria era plugar a guitarra no amplificador colocar o volume no 10 e virar um rockstar?

Para sair um pouquinho dos equipamentos e efeitos e afins, vamos falar dessa vez das pessoas por traz dos artistas e como essas podem facilitar a vida da sua banda.

Não é de hoje que esses e outros profissionais tem desempenhado uma grande contribuição para a indústria fonográfica seja ela independente ou não.

Montei uma banda e agora?

Agora é trabalhar bastante pois não existe segredo para o sucesso.

Mas existem alguns artifícios que ajudam muito, principalmente com o acesso a internet e mídia digital.

Um designer gráfico pode fazer como num passe de mágica uma banda de garagem parecer recém chegada de Hollywood.

O engenheiro de som pode fazer a sua banda soar bem como qualquer outra banda inglesa.

E um produtor artístico facilitaria a entrada de uma banda no tão sonhado festival.

Mas quem são e o que fazem exatamente esses profissionais?

E ainda, onde encontro essas pessoas? Essas são perguntas que tenho ouvido frequentemente por onde passo.

Dando nome aos bois: (pelo menos aos do nosso curral)

Carrier (carregador)
: Esse cara é o menos valorizado. Frequentemente é esquecido, mas em um festival de grande porte como Abril Pro Rock, Bananada, Uai Folia, ele desempenha uma função super importante: Receber os equipamentos dos artistas e encaminhá-los ao palco.

Roadies: Confundidos com os carregadores (Carrier) os roadies organizam os equipamentos, montam o palco, afinam os instrumentos. Resumindo, aliviam o trabalho dos músicos deixando-os livres para apenas tocar seus instrumentos. Muitos artistas possuem roadies específicos para cada instrumento de sua banda.

Engenheiro de som: Aqui começa o diferencial de uma banda de garagem para um artista internacional. Todo artista que se preze tem pelo menos um engenheiro de som que o acompanha seja em estúdio ou nos palcos. E esse profissional vai separar a sua banda das demais. Pois é ele que juntamente com a banda vai ficar encarregado de levar o som da banda ao público da maneira mais fiel a proposta do artista. Assim ele vai garantir que a voz do cantor esteja bem audível e que o baixo não embole com o bumbo da bateria. Vai garantir que a sua guitarra não soe como uma caixa de abelhas ou se essa for a intenção, que soe exatamente dessa forma.

Deu pra entender porque esse cara faz muita diferença para uma banda? Não? Então pense o seguinte:

– Sua banda morre de ensaiar. Você gasta uma grana pra comprar aquele ampli valvulado e chega no show o som tá horrível.

Culpa de quem? Da falta de um profissional experiente que faça o seu som chegar bem para o público.

Voltando aos bois:

Assistente de produção:
Como o nome diz, auxiliam a produção, seja em estúdio ou em eventos afim de dar suporte ao produtor e ao artista. Seja cuidando da agenda de shows ou do roteiro de gravação, um assistente de produção é uma figura comum no staff de grandes artistas.

Designer/Figurinista:
Cuida da imagem da banda, projetando, planejando, desenvolvendo o visual da banda.

Se você acha que esse cara é dispensável, pense duas vezes.

All Star sujo te lembra alguma coisa? Não? E Jeans rasgado?

Ah então você acha que isso não é pensado?

O visual é um dos fatores que carimba a presença de uma banda em uma época e a diferencia de outras bandas e outros estilos.

Produtor: Essa classe é a que faz mais diferença no resultado final do trabalho de uma banda. Existem produtores diversificados e na maioria das vezes encontramos um produtor fazendo o papel de vários produtores. Mas se sua banda quiser pegar um atalho e cortar caminho na estrada para o sucesso, esse deve ser o primeiro novo integrante da sua equipe (staff). E geralmente é assim mesmo que os produtores ficam conhecidos, basta citar o George Martin, que ficou conhecido como o quinto Beatle.

Aqui não é diferente. No Brasil, alguns produtores até acabam ficando mais famosos que muitos artistas que produziram.

Muitos de vocês podem não ter ouvido falar de bandas como Lipstick ou Agnela, mas certamente, quem é do meio da música, conhece o trabalho do produtor Rick Bonadio que ficou famoso após ter produzido artistas como Mamonas Assassinas e Charlie Brown Jr.

By the way os produtores são basicamente três: musical, artístico e executivo.

Claro que existem outros, mas esses vão deixar a sua banda da garagem e com um toque de mainstream.

E por último e não menos importante que todos os demais está o empresário.

O Empresário é o cara que vai fechar o seu contrato com a gravadora ou selo ou vai te falar que não precisa de nada disso e vocês estão juntos para fazer música e levá-la ao público pelo mundo afora através de leis de incentivo à cultura ou de parceria com coletivos como o Pegada.

Enfim, o empresário vai cuidar de todas as finanças e relativos da sua banda.

Mas esse, assim como todos os anteriores, pode ser um amigo do guitarrista ou a namorada do baixista.

Até mesmo aquela prima linda, meio esquisitinha, que tá sempre usando uma camisa da banda do seu melhor amigo (que por sinal já faz algum sucesso, né?).

A técnica e o conhecimento a gente adquire trocando ideias aqui e ali.

Faz uma oficina com alguém mais experiente ou um curso em alguma instituição competente.

O que importa é ter muita força de vontade e estar afim de trabalhar bastante.

Pois o que não falta é banda precisando de ajuda para sair da garagem e mostrar suas músicas.

E nem importa se são ruins ou se são boas, gosto felizmente não se discute.

Cada um tem o seu e muita gente compartilha.

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Cobertura de Pegada – 2ª prévia Grito Rock Sabará

A segunda prévia do Grito Rock Sabará, na tarde do último sábado, 10/1, no Matriz, foi marcada pela variedade de estilos. Abrigando sete bandas de propostas que variavam desde o powerpop até o experimental, a programação do evento agradou ao público. Os presentes também puderam conferir e comprar os melhores suvenires da cena independente de Belo Horizonte, ofertados pelo estande do Pegada.

A primeira apresentação foi a da banda Alethárgika, de Betim. Ainda com pouco público, o show do quarteto, liderado pela vocalista e baixista Gabriela Seemly, empolgou os presentes, com seu punk-riot-grrrl de forte carga pop e humor adolescente – notado por músicas de títulos como “Corra antes que as ovelhas fujam”, “Bunda suja” e “Sem noção”.

Em seguida, subiu ao palco o Festenkois, que realizou uma performance competente, apresentando ao público o seu denso rock alternativo de letras em inglês, influenciado fortemente pelo grunge, com umas pitadas de heavy metal tradicional. O terceiro grupo foi o Cajaba, de Santa Luzia, que propôs uma mescla de rap-metal com os típicos vocais berrados do grindcore. A apresentação teve momentos interessantes, mas declinou quando surtos de new-metal ortodoxo emergiam da massa sonora.

As apresentações continuaram com a banda instrumental FadaRobocopTubarão, e seu anti-rock, como definido por eles próprios, que tem dois integrantes do Grupo Porco de Grindcore Interpretativo, Thiago “Porquinho” e Batista, na formação. Um bom adjetivo para a performance seria “despretensioso”: o rápido set experimental foi tocado como se o trio estivesse em um ensaio, interrompido apenas por breves gracejos de Porquinho ao microfone.

Em contraste, a quinta banda a se apresentar foi o In Verso, que brindou o público com seu powerpop grudento, aproximando os casais incipientes e lembrando os colegas mineiros de Monno e Impar, banda da qual o vocalista utilizava uma camiseta. O grupo seguinte foi o Charge, que entusiasmou o público com sua apresentação vigorosa, marcada pelo indie rock noventista.

A segunda prévia foi fechada pela banda Isso, que recebeu uma das maiores ovações do evento. O show apresentou uma estética sonora experimental, marcada por influências no-wave, e uma instigante performance de palco, marcada pelo contraste de um vocalista/guitarrista estático e um baterista virulento, que chegava a abandonar as baquetas e socar seu instrumento. Metade do set foi apresentada como um duo e metade como trio, com a adição de um baixista – fator que não tornou as canções do grupo menos incomuns.

Ouça a avaliação que Léo Santiago, do Instituto Fórceps, faz do Grito Rock:

Drops de Pegada #9:

http://dc120.4shared.com/download/80337145/cb38f2bb/11__-Grito_Rock_-_matriz_11-01.mp3?tsid=20090112-192304-7a6d2513

Com reportagem de David Dines
Edição: Eduardo Curi

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BH Indie seleciona bandas para Projeto Matriz 2009

Começam neste sábado as ações de 2009 da iniciativa BH Indie Music. A primeira ação irá selecionar duas bandas de trabalho autoral para se apresentarem em janeiro e fevereiro no BH Indie Music Projeto Matriz, que ocupa as quintas-feiras da casa de shows.

Das 53 bandas inscritas, 7 foram selecioandas para se apresentarem na primeira pré-seletiva do Projeto Matriz, são elas: Charge, Cuatro, Lupe de Lupe, Somtal, The  Tennessee RockValete Sete e Santeria. Devido ao grande número de inscrições, a organização já prevê mais três seletivas para definir a agenda do projeto nos próximos meses.

Nessa primeira etapa, a mesa de avalição será formada por artistas e pessoas ligadas em movimentos e coletivos de música independente em Minas Gerais. Além da idealizadora do BH Indie Music  Malu Aires, compõem a mesa Geraldo Paim, Fred Berli, David Dines, e Juliano Jubão (integrantes do Coletivo Pegada).

A seleção já começou no Orkut, os votos populares e a reação do público nos shows contam como critério na seleção. Mais informações no blog do BH Indie ou na comunidade.

O quê?
Pré-seletivas do Projeto Matriz

Quando?
03/01, sábado, 14h

Onde?

Matriz (Rua Guajajaras, 1353 – Terminal Turístico JK – Centro)

Quanto?
R$ 5

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