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Cobertura de Pegada – Flaming Night, 20/6

Por Luciano Viana
Fotos: Lucas Mortimer

Indie Rock, Surf Music, hardcore, folk. Todos reunidos no mesmo lugar: Lapa Multishow, Belo Horizonte. Era a diversidade que fazia parte do line up de mais uma Flaming Night, evento realizado periodicamente pelo selo/produtora 53HC.

Dead Fish (ES), Autoramas (RJ), Moptop (RJ), Monno (MG) e Dead Lovers Twisted Heart (MG) foram as atrações de uma noite de público numeroso e que respeitou muito as diferenças estéticas de sonoridades das bandas, com exceção de alguns poucos casos isolados que tentaram atrapalhar a festa, mas não conseguiram.

As bandas de casa foram as primeiras a subir ao palco.

O Monno fez um show apresentando o trabalho de seus dois EPs lançados, além do já tradicional cover de “Grand Hotel” do Kid Abelha, que poderia até não ser tão bem recebido pelo público hardcore do local, mas a banda passou ilesa por esse teste. Mérito para eles que souberam levar o show muito bem. Em algumas canções de andamento mais rápido como “#1”, se viu até a formação de um mosh. Os caras também apresentaram novidades do próximo trabalho da banda, indicando algumas direções da sonoridade que está por vir.

The Dead Lover´s Twisted Heart

The Dead Lover´s Twisted Heart

Em seguida, o Dead Lovers Twisted Heart entra em palco, já chamando o público para dançar. E boa parte dele entrou na onda. Depois ainda de tocarem um cover de Ramones, mas com a roupagem Dead Lovers, parte do público que estava pé atrás com eles foi conquistado, a banda seguiu de forma mais confiante e no fim das contas, fez uma bela apresentação.

Havia tempo que o Moptop não vinha a Belo Horizonte, e ao pisarem no palco, talvez tenham se surpreendido por visualizarem bastante seguidores da banda na plateia, cantando as músicas e participando ativamente do show. Com uma apresentação enérgica e a simpatia em dia, o Moptop deixou os fãs satisfeitos e arrebanhou parte do público que ainda não os conhecia.

Autoramas

Autoramas

Os veteranos do Autoramas (e sua nova baixista), foram a banda ideal para fazer a ponte entre o Indie Rock das bandas anteriores com o hardcore do Dead Fish. A banda que mescla Surf Music, Punk Rock, Indie Rock e até elementos da Jovem Guarda, fez um show competente, fazendo um apanhado sonoro de vários momentos da carreira, com as tradicionais coreografias e a energia de sempre.

Por último, chega o Dead Fish, fazendo o primeiro show na capital mineira após o lançamento do seu último álbum “Contra Todos” (2009). Incendiário como sempre, o Dead Fish mostra porque é uma das maiores bandas de hardcore do país, servindo como referência de qualidade no estilo para muitos. Show impecável, que figurou como um dos melhores shows do ano até o momento, de acordo com muitos presentes no evento. As músicas do novo disco estão mais próximas dos resultados de álbuns como “Zero e Um” e até mesmo “Afasia”, e mais distantes da estética de “Um Homem Só”, onde o hardcore deu bastante espaço a outros elementos do rock, o que acabou não agradando tanto os fãs mais antigos. Mas com o novo trabalho, parece que público e banda se reencontraram novamente, tendo como resultado, shows mais explosivos como esse.

Dead Fish

Dead Fish

Que essa ótima noite também se estenda para a próxima Flaming Night, que acontece no dia 4/7 no mesmo Lapa Multishow, desta vez com shows de Matanza (RJ). Zumbis do Espaço (SP), The Folsoms (MG), Os Dinamites (DF) e Estrume´n´tal (MG).

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Rock 45s agita o Cineclube Savassi na sexta, 1/5

Rock 45s com Kid Vinil, 1/5

Nessa sexta de feriado, dia 1, a festa Rock 45s vai tomar conta do Cineclube Savassi. Promovida pelo selo Vinyl Land Records com o apoio de Pegada, contará com discotecagens de Kid Vinil, lendário músico e jornalista, Luiz PF (codinome de Luiz Valente, proprietário do selo), e do DJ de Pegada JJBZ. O evento, já em sua quinta edição, propõe um apanhado geral do rock’n’roll por meio de compactos de sete polegadas em vinil, também conhecidos como “forty-fives”.

Apesar de ter perdido força no Brasil com o surgimento do CD e do MP3, na última década, o mercado de vinil vem crescendo regularmente desde 2004, segundo dados da indústria inglesa. Tendo adquirido status cult, as bolachinhas transformaram-se em objetos de desejo de muitos, ferramentas essenciais para DJs e plataforma de lançamentos de bandas alternativas. Dedicando-se exclusivamente a esse nicho, Luiz Valente criou a Vinyl Land Records, responsável por trabalhos de artistas como Autoramas, Dead Lover’s Twisted Heart e Fungos Funk no formato.

Valente conversou com o repórter de Pegada David Dines a respeito da trajetória do selo. Confira:

PF ao pé da letra

PF ao pé da letra

Como surgiu a ideia de montar um selo especializado em vinil?
Desde 2002 já venho organizando festas com o nome de Vinyl Land, a primeira foi na época que eu era dono do “Lugar” na rua Leopoldina. O objetivo era “equilibrar” um pouco a cena de DJs da cidade, e abrir espaço pra DJs que realmente investiam no seu trabalho, pois nessa epoca começou aparecer muita gente tocando CDRs e MP3 (não que eu tenha nada contra isso…). Nesse mesmo período comecei a pensar na possibilidade de discotecar também, pois já fazia isso informalmente colocando o som ambiente da casa. Mas decidi que, se fosse realmente levar a coisa a sério, gostaria de fazer somente com vinil, por ser mais divertido e desafiador. Depois de um tempo começou a dar vontade de tocar coisas que nunca foram lançadas em vinil (tipo musica brasileira de 96 pra frente), então resolvi que, já que não existia, eu iria fazer um selo focado nisso. Então a ideia partiu mais da minha vontade de comprar esses discos. Quando conheci os Dead Lover’s em 2007, conversamos sobre a ideia e o projeto se concretizou.

A Vinyl Land também investe na divulgação dos seus lançamentos na Europa. Como está sendo a recepção no exterior?
Se o termo “investir” significar comprar espaços em revistas, fazer propaganda em radio, TV ou coisa parecida, a resposta seria não, já que o selo é muito pequeno ainda. Mas, se falarmos em termos de tempo e divulgação feitas por mim mesmo, então o investimento é grande. Sempre quando toco procuro incorporar as bandas do selo no set e, seja qual for a cidade, passo nas lojas de disco e vendo os compactos no melhor estilo “conta-gotas”. Foi nesse esquema que consegui colocar os Autoramas na Rough Trade (tradicional loja de música independente de Londres), o que deu uma repercussão bem legal pra banda. Normalmente as pessoas recebem o som de bandas brasileiras super bem, mas vai de banda pra banda. Mas se percebe que pelo menos ficam curiosos e ouvem de cabeça aberta. O objetivo de minha volta agora em Maio é conseguir um distribuidor europeu para o selo, o que abre a possibilidade de acelerar o processo de novos lançamentos.

Quais as dificuldades de se trabalhar com esse tipo de formato no país?
Como trabalho com um mercado de nicho, o objetivo principal é primeiramente chegar no seu público-alvo. Já que o selo é uma extensão natural das festas Vinyl Land e das minhas discotecagens, isso é feito de forma intuitiva, com calma, paciência e muita ajuda da internet também. Não é muita gente que consome vinil no Brasil, mas é um público fiel que corre atrás do que quer, e que foi deixado de lado no país já faz mais de 10 anos. A principal dificuldade é a Polysom (ultima fabrica da America Latina) ter fechado em 2007 e ainda não ter reaberto. Com a confirmação da compra dela pela Deck Disc no fim de 2008, recebi noticias essa semana que eles devem reabrir em julho, o que provavelmente significa algo mais pro fim do ano. Se conseguirem atingir um padrão legal de qualidade e um preço acessível, acredito que vão surgir muitos outros selos (A Monstro e a Gravadora Discos já fazem isso a um tempo) e bandas interessados em prensar suas bolachas, o que seria sensacional. Quero mais é que todo mundo adote o padrão “virtual e vinil” preu poder comprar os discos também [risos]. São tantas bandas legais que temos no Brasil, que a Vinyl Land nunca dará conta do recado… Fico na torcida que isso realmente aconteça, enquanto isso vamos fazendo o que podemos pra não deixar essa cultura morrer.

Serviço:

Festa Rock 45s com Kid Vinil
Sexta-feira, 1 de maio, 23h
Local: Cineclube Savassi – R. Levindo Lopes, 358
DJs: Kid Vinil, Luiz PF (Vinyl Land) e JJBZ (Pegada)
Entrada: R$ 15 e R$ 10 (até 1h)

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Atrações em Belo Horizonte para o fim de semana

Dead Lover's Twisted Heart

Sexta-feira tem o lançamento do EP dos Dead Lover’s Twisted Heart em vinil. A iniciativa é do selo mineiro Vinyl Land Records. Na festa, além do show dos DLTH, tem discotecagem só em bolachas de acetato por Luiz PF, Gabriel Thomaz e JJBZ (um DJ de Pegada). Vai ser no Studio Bar (Rua Guajajaras, 842), a entrada é R$12 e a limitadíssima tiragem de 200 compactos estará a venda por R$10.

Radiotape

Radiotape

Sábado é dia de Festa a Fórceps! A iniciativa sabarense convida as bandas Radiotape (BH) e Ruído Jack (MoC) para fazer barulho antes da meia-noite. Depois que todo mundo virar abóbora, os DJs B-Flogin, Charcar (um DJ de Pegada) e Amplis botam fogo na pista com rock e hits.

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