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Cobertura de Pegada – Garimpo (2)

No último fim de semana rolou a segunda parte do Festival garimpo 2009. Flávio Charchar e Luciano Viana deram uma conferida e nos contam como foi, confira!

Sexta-feira, 11/9

Por Flávio Charchar

No último dia 11 de setembro, já marcado pelo atentado ao World Trade Center em 2001, outro evento tomou conta de Belo Horizonte: a invasão Pernanbucana do Festival Garimpo 2009. Muito bem representada pelas bandas Nuda (PE) e Eddie (PE), acompanhadas de um dos destaques da cena local, a banda Graveola e o Lixo Polifônico (BH). Um Studio Bar cheio parou para ouvir muito rock da terra do frevo, além de dançar bastante com todas as apresentações.

Quem abriu a calorosa sexta-feira foram os rapazes do Graveola e o Lixo Polifônico(BH). Com um som muito eclético e despretencioso, envolvendo referências que vão do samba ao tango e ao rock, os músicos mostraram um bom humor impecável no palco. No show, além de músicas ja conhecidas do seu último trabalho, o homônimo “Graveola e o Lixo Polifônico” (2009), a banda mostrou novas composições, lembrando uma espécie de combo, onde Mutantes encontra Móveis Coloniais de Acajú e Los Hermanos, com direito a muita experimentação. Além de técnica e várias demonstrações de multi-instrumentismo, o grupo surpreendeu com um público cativo e vários pedidos de bis, esses atendidos com muito prazer.

(Foto: Lucas Mortimer)

Graveola e o Lixo Polifônico (Foto: Lucas Mortimer)

A seguir, começa a dobradinha pernambucana da noite: a banda Nuda (PE) sobe ao palco com energia e uma pegada rock mais pesada. Marcados pelo familiar sotaque e letras que remetem aos elementos da cidade e experiências pessoais, os rapazes fizeram um excelente show. Muito suíngue tomou conta do público, que começou a esquentar de vez o Studio Bar. Um rock alternativo com a cara do som da cena de Pernambuco, incluindo levadas regionalistas e samba.

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Nuda botando fogo no Garimpo (Foto: Lucas Mortimer)

Por último e nada menos importante, a veterana Eddie(PE) não deixou pedra sobre pedra na casa. O que se pode chamar de “frevo-rock” não deixou ninguém parado e o que se viu foi uma banda emocionada e feliz com tamanha resposta de público. Os rapazes circularam por todo seu trabalho ja conhecido na cena nacional, além de alguma releituras de sucessos de conhecidos do público, como Nação Zumbi e Ramones. Sem perder o humor e com participação inusitada do percussionista do Nuda entre outras, o Eddie fez um show inesquecível para ser lembrado em várias futuras edições do Garimpo e fechou uma noite, que ja não deixava nada a desejar, com chave de ouro e jeitinho pernambucano.

Sábado 12/9

Por Luciano Viana

Última noite do Festival Garimpo no Studio Bar, e a festa contou com a presença dos mineiros do Pêlos de Cachorro e Transmissor, recebendo os convidados acreanos do Los Porongas.

O público já era bem numeroso quando subiu ao palco o Pêlos de Cachorro, que fez um competente show e acabou despertando curiosidade de boa parte do público que não os conhecia até aquela noite. É justamente esse um dos propósitos de um festival, fazer com que uma banda cative o público de outras e que lhe apresente novidades, e o Pêlos pareceu ter sido uma boa novidade para muitos ali. Para os que já conheciam a banda, não foi surpresa a competência do show.

Pêlos de Cachorro: surpresa do festival (Foto: Lixo e Corrupção)

Pêlos de Cachorro: surpresa do festival (Foto: Lixo e Corrupção)

Em seguida foi a vez dos visitantes da noite se apresentarem. O Los Porongas, banda acreana, mas atualmente residente em São Paulo, encheu os olhos, os ouvidos e a boca de muitos que tinham algumas de suas letras na ponta da língua e ajudaram a banda, soltando a voz durante o show. Uma banda agora sem discurso, mas com a musicalidade mais presente do que nunca, os Porongas fizeram um dos melhores shows do festival, alimentando o público com o seu rock que recebe influências sonoras de Stone Roses a Los Hermanos, com elementos de sua origem do Norte do Brasil, presentes, mais nitidamente, nas letras do grupo.

Fechando a noite e o festival, a banda mineira que mais se destaca no cenário independente desde o meio do ano passado. O Transmissor, único grupo que tocou, também, na edição do Garimpo de 2008, fez um show pra todo mundo cantar junto as músicas do seu álbum “Sociedade do Crivo Mútuo” (2008). Mas quando parte do público já sabe cantar até mesmo as novas músicas que ainda não foram gravadas pela banda, é um bom indício de que respirar novos ares é uma boa pedida, seja colocando um novo disco na praça ou levando o antigo trabalho a públicos que ainda não tiveram contato com ele. Ainda não foi dessa vez que o público se viu saturado das belas canções do Transmissor, que fez um ótimo show, sem rodeios, utilizando-se somente do que eles tem de melhor: as músicas. Enquanto muitas bandas precisam de elementos secundários para se destacar e compor seu conceito artístico, o Transmissor deixa que as músicas falem sozinhas por eles mesmo. Bonito show, encerrando com chave de ouro o Garimpo 2009.

Transmissor: Standards (Foto Lixo e Corrupção)

Transmissor: Standards (Foto Lixo e Corrupção)

Fica aqui nosso parabéns à produção do festival, a todas as bandas que por lá passaram e ao público, não só pelos números, mas também pela participação e envolvimento intenso durante muitos dos shows.

Expediente:
Coordenação de Jornalismo: Eduardo Curi
Redação: Flávio Charchar, Luciano Viana
Fotos: Hudson Caldeira, Lixo e Corrupção, Lucas Mortimer

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Cobertura de Pegada – Garimpo 2009

O coletivo Pegada se desdobra, mais uma vez, em um grande esforço de cobertura para trazer a melhor informação sobre o que rola nos principais eventos de música independente em Belo Horizonte. Desta vez, estamos oobrindo o Festival Garimpo 2009, produzido pelo pessoal do Alto Falante. Veja o que rolou no primeiro fim de semana do festival.

Sexta 4/9
Por Eduardo Curi

Com um formato diferente, dividido em dois fins de semana, começou o Garimpo 2009, que acontece, neste ano, no Stúdio Bar. O festival começou esta edição cheia de gás e trouxe, na primeira noite, as bandas Julgamento, Deco Lima e o Combinado e o cantor alagoano Wado.

Julgamento dá o pontapé inicial no Garimpo 2009

Julgamento dá o pontapé inicial no Garimpo 2009

O Julgamento, do vocalista Roger Deff, colaborador do nosso blog, entrou no palco com a missão de começar os trabalhos e o fez de forma competente. Já tinha assistido ao show deles no Conexão, em abril deste ano, mas quando o espaço diminui, a banda parece crescer em empolgação. Com uma apresentação explosiva, o Julgamento mostrou que rock e hip hop podem caminhar juntos muito bem.

Em seguida veio Deco Lima e o Combinaodo, mostrando o trabalho de seu primeiro álbum, “Volume 1”, lançado recentemente. Muito suíngue, percussão e uma cozinha afiada, além da participação de Roger Deff, pontuaram um show competente, que parece ter sido talhado para ser a apresentação do meio em uma noite com três bandas, mantendo a vertente da primeira apresentação ao mesmo tempo em que abre o caminho para o show seguinte.

Wado fechou a noite de forma magistral, com um show longo, mas de forma nenhuma demorado. Com uma banda simples de baixo guitarra e bateria, o alagoano despejou sua mistura sonora com arranjos bem diferentes dos ouvidos nos discos. a nova roupagem deu sangue novo às ótimas canções, com o público cantando junto em várias delas, mostrando que está antenado também com a música que rola fora do eixo.

Sábado, 5/9

Supercordas, experimental (Foto: Hudson caldeira

Supercordas, experimental (Foto: Hudson caldeira)

A segunda noite de um festival sempre tem uma árdua missão, assegurar a consistência do evento. Provando que a diversidade é a tônica do Garimpo, a noite começou com o post rock do Supercordas do Rio de Janeiro. Com nítida influência de Mogwaii, apesar de não ser instrumental, a banda fez um show no mesmo ritmo do da banda britânica, alternando momentos de tímida empolgação com passagens mais introspectivas. Composta por três guitarristas, a banda segue uma linha mais experimental, sem canções que irão grudar na sua cabeça.

Em seguida foi a vez do rock and roll dos alagoanos do Mopho tradicional e competente. Um show pesado, com boas canções e alguns covers no final fizeram com que quem gostasse do bom e velho hard rock saísse de lá satisfeito.

Fechando a noite, os belo-horizontinos do Monno, em franca ascensão ao jet set do pop mineiro. Veteranos da primeira edição do festival, a banda mostrou como fazer um show profissional, em que até os cabos dos instrumentos casavam com a atmosfera das músicas e com Bruno Miari assumindo a postura de vocalista / guitarrista inquieto no palco, prendendo a atenção do espectador.

Monno (F

Monno (Foto: Hudson Caldeira

Domingo 6/9
Por Luciano Viana

Depois do encontro com amigos e companheiros do Pegada, e ver pela TV de um buteco copo sujo o Atlético-MG ganhar de virada sobre o Santo André, foi hora de rumar ao Studio Bar para ver a terceira noite do Festival Garimpo. Desta vez, com a presença caseira marcada pelo Blue Satan e recebendo os visitantes do Rockz (RJ) e do Violins (GO) que após encerrar as atividades por duas vezes, faz sua volta aos palcos neste festival.

Abrindo a noite, os mineiros do Blue Satan empolgam apenas uma pequena parte do público, apresentando suas músicas que mesclam o punk, pós-punk e elementos do eletrônico e alguns covers, como de “Personal Jesus”, do Depeche Mode. A banda conta com alguns integrantes “medalhões” da cena rockeira da capital, como o guitarrista Ronaldo Gino e o baterista Luís Bambam, que entre outros bons projetos musicais pelos quais passaram, destaca-se o Virna Lisi, banda ícone da década de 90. Mas o Blue Satan foi uma banda que ficou aquém das demais atrações da noite, e se não fosse pelo pequeno revival da lendária Virna Lisi, após o convite para que o ex-vocalista César Maurício subisse ao palco, teriam um risco de passarem despercebido de boa parte do público naquela noite.

Rockz (Foto: Lucas Mortimer)

Rockz (Foto: Lucas Mortimer)

Em seguida é a vez de outra banda com outros “medalhões” da cena rockeira, mas dessa vez da cena carioca. O Rockz tem na sua formação integrantes que já passaram pelo Funk Fuckers, Planet Hemp, Lobão e Seletores de Frequência. Mas, ao contrário da primeira banda da noite, eles não chegaram nem perto de passarem despercebidos. Fizeram um grande show, vigoroso, com uma grande e intensa presença de palco que reforçou ainda mais a carga de energia de suas canções, que segundo os próprios, são influências de “rock´n roll de todos os tempos”. E são mesmo. Em todo o repertório do grupo, via-se pitadas de grunge, indie rock, pós-punk, stoner e por aí vai. Showzão, com algumas músicas ainda sendo cantadas por boa parte do público.

Fechando a noite, e reabrindo suas atividades, os “veteranos” do Violins (GO). Voltando aos palcos depois de um bom tempo parados, a banda teve no Garimpo 2009, a sua reestreia nos palcos. A banda tem quatro discos lançados, prepara o quinto disco e desde o lançamento do primeiro trabalho, “Aurora Prisma, 2003”, não tocava na capital mineira. O público esperou tão ansiosamente por esse show, que a banda acabou jogando com o torcida toda a favor, já que o público praticamente carregou-os nas mãos, cantando alto e intensamente todas as músicas e ainda esboçando enormes sorrisos na cara ao ouvir algumas inéditas que eles preparam para o próximo disco.

Violins, explosão no palco (Foto: Lucas Mortimer)

Violins (Foto: Lucas Mortimer)

Com isso, ficou fácil para a banda fazer uma apresentação histórica, levando o público ao êxtase com músicas do repertório dos últimos três discos como “Festa Universal da Queda”, “Grupo de Extermínios de Aberrações”, “Atriz”, entre outras. A cada canção, o público se empolgava mais, levava a banda junto e os Violins se viam cada vez mais à vontade no palco, comandando de forma magistral até o fim do show, onde os pedidos de “mais um” foram entoados em um volume maior ainda do que se cantava as músicas. A banda foi atendendo até onde a memória da sua recém união conseguiu.

Provavelmente após esse show, os integrantes do Violins tiveram a certeza de que tomaram a decisão certa ao se reunirem novamente, e ao contrário do que diz a letra uma sarcástica música suas, eles ainda terão muito o que dizer e muito a acrescentar para a música nacional.

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Cobertura de Pegada – 10ª edição do Flamming Nights Pegada Fogo!

Por Flávio Charchar
Fotos: Lucas Mortimer e Carou Araújo

No último sábado, 15/8, aconteceu mais uma edição do Flaming Nights, produzido pela 53HC, que busca reunir bandas que se destacam na cena independente local e nacional. Participaram as bandas Radiotape (BH), Transmissor (BH), Ricardo Koctus (BH), Canastra (RJ) e Móveis Coloniais de Acajú (DF). Apesar dos atrasos nos horário, quem foi, se divertiu muito e dançou bastante.

As três primeiras atrações, ja velhas conhecidas da capital mineira trouxeram um público cativo, com pessoas cantando as músicas e acompanhando de perto. O som estava bom, apesar de muito alto, e as três bandas divulgando ainda seus últimos trabalhos, com algumas novidades no repertório. Contudo, a casa realmente encheu ao longo deles, criando expectativa para os visitantes, apesar de ambos ja serem velhos conhecidos dos belo-horizontinos, inclusive de outras edições do Flaming Nights.

Canastra no palco!

Canastra no palco!

Primeiro o Canastra invadiu com muito bom humor, empolgação e interação com o público na medida certa, fazendo “promoções peculiares”: O público trazia uma dose de conhaque durante a música “Dois Dedos de Conhaque” para o vocalista Renato em troca um CD da banda. Sempre energéticos e com “pocket covers” (pequenas partes de músicas famosas no meio de composições próprias ou entre uma e outra), a banda se divertiu bastante e comentou que seus shows em BH melhoram cada vez mais, chamando cada vez mais pessoas. É interessante também lembrar a posição de baterista da banda ocupada atualmente por Rodrigo Barba, ex-integrante do Los Hermanos, ja bem à vontade com o retorno à cena independente.

Por último, Móveis Coloniais de Acajú. Já com um histórico de casa cheia na cidade, dessa vez não foi diferente: a banda fez um ótimo show, divulgando as músicas do disco novo, “C_mpl_te”, recém-lançado pelo Trama Virtual. As novas composição têm sido muito bem recebidas pelos fãs, que cantaram muito e acompanharam as novas e velhas brincadeiras dos rapazes de Brasília, que se dizem cada vez mais felizes com a recepção dos mineiros. Os velhos sucessos do primeiro trabalho, “Idem”, também povoaram o show, atendendo ao clamor dos ouvintes por ja consagradas favoritas e encerraram a noite com muita festa.

Móveis Coloniais de Acaju

Móveis Coloniais de Acaju

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Cobertura de Pegada – Noites Fora do Eixo começam com o pé direito em MoC

Por Hudson Caldeira

No último sábado, 8 de agosto, tivemos a primeira Noite Fora do Eixo de Montes Claros, realizada pelo coletivo Retomada, em parceria com a Secretaria da Juventude, Esporte e Lazer da cidade, Master Cabo, LA Instrumentos, Real Hotéis e com o apoio do Studio Rock, Garotas do Rock e do zine Sertões.

O evento, gratuito, aconteceu na Praça dos Jatobás, com excelente estrutura de som e luz. Ao redor da praça, barraquinhas vendiam comes e bebes – algumas delas até vendiam comida típica da região, arroz com pequi e farofa com carne de sol… bom demais!

Juntamente à discotecagem do Alan do Retomada, três bandas se apresentaram no evento: Sofia, de Montes Claros, com uma proposta entre o poprock e o hardrock; Veniversum, de Cuiabá, com um som de definição mais difícil e um grande show, com muita energia no palco; e Cães do Cerrado, banda de Pegada aqui de Belo Horizonte, tocando seu punk frenético.

Apesar dos estilos muito diferentes, a ordem das bandas funcionou. Todas as bandas foram bem recebidas pelo público, mas não extamente pelo mesmo público. As muitas pessoas que curtiram tranquilamente o show do Sofia certamente não eram as mesmas que abriram uma roda de mosh e levantaram uma densa nuvem de poeira no show dos Cães. A Veniversum, além de um grande show em si, uma boa passagem entre os dois momentos.

As fotos do evento podem ser vistas aqui.

Uma noite muito gostosa no Norte de Minas com o pessoal do coletivo Retomada. Tomara que em breve possamos ir a mais Noites Fora do Eixo em Montes Claros.

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Impressões de Pegada – Festival Escambo

Por Paulo Malibu

Então… muita gente está perguntando qual foi a boa desse último final de semana. Eu digo! Mais que boa, a ótima foi ir a Sabará pra curtir o Festival Escambo 2009. Essa foi a terceira edição do evento, organizado pelo Coletivo Fórceps de Sabará e que aconteceu durante o festival de inverno da cidade. Vieram bandas de vários cantos de Minas Gerais e do Brasil, transformando o festival num dos maiores da musica independente do Estado.

A maior parte do Escambo 2009 aconteceu no centro histórico de Sabará, lugar que eu nunca tinha ido pra falar a verdade e, agora que conheci, posso dizer que estou apaixonado. Um lugar tão perto, tão bonito e que eu não fazia a menor ideia de como era. Todo esse visual e clima de cidade velha cercando um dos melhores festivais que eu já presenciei. Isso é que é fim de semana! São oportunidades assim que me fazem adorar esses programas fora do eixo.

Além dos shows, o festival contou com oficinas, barraquinhas, banquinha do Coletivo Pegada e a presença de outros coletivos Fora do Eixo. O FDE Minas estava em peso lá, mostrando que a integração e a coletividade organizada podem ir longe.

Quem não foi, perdeu grandão, mas ainda poderá sentir o gostinho no Youtube ou em outros canais. Presencialmente, agora só ano que vem…

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Cobertura de Pegada – Flaming Night, 20/6

Por Luciano Viana
Fotos: Lucas Mortimer

Indie Rock, Surf Music, hardcore, folk. Todos reunidos no mesmo lugar: Lapa Multishow, Belo Horizonte. Era a diversidade que fazia parte do line up de mais uma Flaming Night, evento realizado periodicamente pelo selo/produtora 53HC.

Dead Fish (ES), Autoramas (RJ), Moptop (RJ), Monno (MG) e Dead Lovers Twisted Heart (MG) foram as atrações de uma noite de público numeroso e que respeitou muito as diferenças estéticas de sonoridades das bandas, com exceção de alguns poucos casos isolados que tentaram atrapalhar a festa, mas não conseguiram.

As bandas de casa foram as primeiras a subir ao palco.

O Monno fez um show apresentando o trabalho de seus dois EPs lançados, além do já tradicional cover de “Grand Hotel” do Kid Abelha, que poderia até não ser tão bem recebido pelo público hardcore do local, mas a banda passou ilesa por esse teste. Mérito para eles que souberam levar o show muito bem. Em algumas canções de andamento mais rápido como “#1”, se viu até a formação de um mosh. Os caras também apresentaram novidades do próximo trabalho da banda, indicando algumas direções da sonoridade que está por vir.

The Dead Lover´s Twisted Heart

The Dead Lover´s Twisted Heart

Em seguida, o Dead Lovers Twisted Heart entra em palco, já chamando o público para dançar. E boa parte dele entrou na onda. Depois ainda de tocarem um cover de Ramones, mas com a roupagem Dead Lovers, parte do público que estava pé atrás com eles foi conquistado, a banda seguiu de forma mais confiante e no fim das contas, fez uma bela apresentação.

Havia tempo que o Moptop não vinha a Belo Horizonte, e ao pisarem no palco, talvez tenham se surpreendido por visualizarem bastante seguidores da banda na plateia, cantando as músicas e participando ativamente do show. Com uma apresentação enérgica e a simpatia em dia, o Moptop deixou os fãs satisfeitos e arrebanhou parte do público que ainda não os conhecia.

Autoramas

Autoramas

Os veteranos do Autoramas (e sua nova baixista), foram a banda ideal para fazer a ponte entre o Indie Rock das bandas anteriores com o hardcore do Dead Fish. A banda que mescla Surf Music, Punk Rock, Indie Rock e até elementos da Jovem Guarda, fez um show competente, fazendo um apanhado sonoro de vários momentos da carreira, com as tradicionais coreografias e a energia de sempre.

Por último, chega o Dead Fish, fazendo o primeiro show na capital mineira após o lançamento do seu último álbum “Contra Todos” (2009). Incendiário como sempre, o Dead Fish mostra porque é uma das maiores bandas de hardcore do país, servindo como referência de qualidade no estilo para muitos. Show impecável, que figurou como um dos melhores shows do ano até o momento, de acordo com muitos presentes no evento. As músicas do novo disco estão mais próximas dos resultados de álbuns como “Zero e Um” e até mesmo “Afasia”, e mais distantes da estética de “Um Homem Só”, onde o hardcore deu bastante espaço a outros elementos do rock, o que acabou não agradando tanto os fãs mais antigos. Mas com o novo trabalho, parece que público e banda se reencontraram novamente, tendo como resultado, shows mais explosivos como esse.

Dead Fish

Dead Fish

Que essa ótima noite também se estenda para a próxima Flaming Night, que acontece no dia 4/7 no mesmo Lapa Multishow, desta vez com shows de Matanza (RJ). Zumbis do Espaço (SP), The Folsoms (MG), Os Dinamites (DF) e Estrume´n´tal (MG).

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Cobertura de Pegada – Banca Totaro

Texto e fotos por Renata Almeida

Ricardo Koctus ao vivo na banca

Ricardo Koctus ao vivo na banca

No sábado, 25/4, aconteceu em BH a 12º edição da Banca Totaro. Pra quem não conhece, é um projeto super bacana em que artistas, expositores, bandas e fãs da boa música se reúnem para assistir a pockets shows incríveis dentro de uma banca de revista, ver e comprar trabalhos fascinantes e se cercar de arte e música.

O Pegada esteve lá cobrindo o evento e conversou com o idealizador, Jeová Teixeira Guimarães, para contar como está sendo tocar o projeto.

Pegada – Como surgiu a Banca Totaro?

Jeová – Começou com uma brincadeira. Eu ainda era proprietário da banca. Logo quando a comprei, um amigo meu chegou aqui no sábado e falou: ‘Posso fazer um churrasco?’. Eu falei: “Pode”. Pensei que o cara estivesse de gozação. Mas o cara veio com mesa, cadeira, cerveja no isopor e marcou outro pro outro sábado e mais um pro outro sábado… Aí começamos a descer com som mecânico. Um dia eu trouxe meu violão e o deixei dentro da banca. Um amigo que tava na roda do churrasco, levantou, pegou uma cadeira, sentou lá dentro da banca e começou a tocar violão. Na hora que eu olhei eu falei: “É isso ai ó! Achei! Vou fazer essa banca de revista virar um palco”.

Pegada – Muitos eventos aqui em BH começam e não conseguem dar continuidade. Como você conseguiu chegar na 12ª edição?

Jeová – Isso é muita luta, muita luta! Porque infelizmente não tem patrocínio. Hoje tudo é movido a dinheiro, mas com a ajuda da minha mulher (Simone), do meu filho, dos alunos da UNA, dos comerciantes da região, a gente vem fazendo. Não dando prejuízo, ficando no zero a zero, ta ótimo, ta ótimo! Não pode é ficar no prejuízo.

Pegada – É a primeira vez que bandas com músicas autorais se apresentam?

Jeová – Sim. O projeto, quando eu e minha mulher resolvemos fazê-lo, logo depois de ver esse cara tocando violão e acender a luzinha, tinha como ideia abrir espaço para música autoral. Mas para que isso acontecesse, a gente teve que trazer coisas que não fossem autorais para o projeto poder vingar. Nessa 12ª são oito atrações musicais, sendo que cinco são de música autoral. Ocupou mais da metade das atrações. No projeto, a ideia é essa, é ter música autoral.

Jeová, idealizador do Banca Totaro

Jeová, idealizador do Banca Totaro

Pegada – Tem previsão para quando será a próxima edição?

Jeová – Junho. Não sei a data, depois do dia 10 de junho. O novo proprietário da banca já me chamou e falou assim: ‘marca a data que você quiser’. Se eu tivesse condição, eu faria sábado que vem, mas não dá.

Pegada – Não é a primeira vez que integrantes do Pegada comparecem ao evento, mas é a primeira vez que o Pegada cobre o evento. Ele está sempre lotado. Você faz a divulgação através do flog e orkut da Banca e tem um resultado positivo. Qual o segredo para o sucesso de público que o evento tem?

Jeová – A cada evento ele vem crescendo. A expectativa é que no próximo, o público seja maior que esse, porque isso vem acontecendo ao longo das doze edições. Nós já tivemos aqui, acho que foi o segundo, chovendo, quatro pessoas. Eles passaram o dia aqui com a gente ouvindo som de música mecânica. Hoje extrapolou. A gente não imaginava que ia chegar nesse ponto. Alguns proprietários de bancas de revista já me procuraram hoje. Tiveram vários aqui e ofereceram suas bancas para que a gente leve o projeto. A ideia é de ser uma coisa itinerante. Belo Horizonte, segundo o Sindicato de Bancas de Revista tem em torno de 1900 bancas. Vamos cortar pela metade, 800 bancas que tem condição, que tem um passeio largo, que a banca é grande. São 800 pontos de cultura acessível, grátis, pra todo mundo, sem confusão, sem briga, sem nada.

Pegada – Você gostaria de mandar um recado para as pessoas, que como você, estão ai batalhando para fomentar a cena cultural de BH?

Jeová – É querer. Querer é fazer. Dá trabalho? Dá trabalho. Agora existem mil pontos. Toda esquina em Belo Horizonte, todo quarteirão em Belo Horizonte, tem uma banca de revista. Todo bairro tem pelo menos umas dez praças. Basta querer fazer. Sem patrocínio? Tem que começar sem patrocínio, tudo começa assim. Eu sei que mais cedo ou mais tarde eu vou conseguir um patrocínio para poder pagar cachê para os músicos que hoje é o que mais me incomoda. Os caras estão aqui, eles vivem de música e estão tocando de graça. Por quê? Porque eles acreditam no projeto. Quando eu digo patrocínio, é uma grana que eu consiga pagar um cachê justo por essa bela manhã, tarde e noite que eles estão nos proporcionando. Muito obrigado mais uma vez ao Pegada, espero que vocês voltem, espero que tenham gostado. Valeu! Paz e “picolés de alegria”!

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