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Sobre Roger Deff

Fazedor de arte em tempo integral

Pegada Recomenda- Deco Lima e o Combinado “Volume 1”

Por Roger Deff

Pouca coisa me deixa mais feliz do que presenciar a concretização merecida de alguns projetos. Principalmente quando apresentam originalidade e autenticidade, fugindo de fórmulas prontas e desgastadas. É o caso de “Volume 1”, primeiro trabalho lançado de Deco Lima e o Combinado. O combo é formado por Deco Lima (voz, letras e guitarra), Saulo Rajão ( baixo), Wallisson Liliu (percussão), Ricardo Neguim (bateria) e Sérgio Giffoni (toca –discos e programação) que é também responsável pela produção do disco, ao lado de Deco Lima.

Vi o trabalho pela primeira vez em 2006,  quando eles dividiram o palco com B Negão no Parque Municipal. O impacto inicial foi muito positivo, mas nada se compara à sensação de ouvir o CD prestando atenção nos arranjos e nas letras, em que Deco brinca com a diversidade sonora da qual bebe da fonte. O disco é uma verdadeira miscelânea de estilos, trazendo no mesmo balaio um autêntico funk soul Power, punk rock, hip-hop, samba e até o funk carioca, a exemplo da faixa “Bela Princesa”.

Uma das coisas que mais chamou minha atenção é o fato do álbum conseguir um equilíbrio que, na minha opinião, é difícil de se alcançar. Ao mesmo tempo em que ele é sofisticado, tanto na proposta musical quanto na abordagem das letras, possui grande apelo popular, não exigindo do ouvinte um conhecimento aprofundado daquelas referências sonoras. É música para dançar no fim das contas, conseguindo impressionar tanto músicos quanto leigos no assunto. E o melhor é que isso ocorreu naturalmente, não se trata de uma estratégia pra atingir um “Público Amplo”. Como o próprio Deco disse, todas as referências utilizadas no disco já fazem parte do universo cotidiano das pessoas, talvez por isso a identificação seja tão imediata. Receita simples, segundo o próprio Deco: “Funk na cara com samba embutido e distorção a gosto”. Melhor definição impossível, o samba está presente em doses homeopáticas, bem distribuías ao longo do CD. Uma das melhores faixas é a música “Fila de Banheiro”. Bonus track, lançada originalmente na coletânea “Indiada Magneto”.

A produção deste som ficou sob a responsa de Daniel Saavedra (Proa), um dos músicos mais competentes da cena local. O disco, como um todo, vai muito bem, contando com outras parcerias legais como o beat-maker DJ Roger Moore nas músicas “Fala pra mim” e “Disseram que meu rap é ½ samba” e Gabriel Guedes em o “Samba Mandou”, entre outros que somaram forças neste trampo pra lá de bacana e bom de se ouvir.

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Pegada Recomenda – Paralaxe “Under Pop Pulp Fiction”

Por Roger Deff

Imagine um trabalho musical recheado de referências, que vão desde os quadrinhos norte americanos, seriados de heróis japoneses, desenhos animados, aos personagens que permeiam o nosso imaginário cotidiano, como a “Loira do Bonfim”. Difícil? Mas não inconcebível. Resumindo, mal e toscamente, isso é Paralaxe. Para quem perdeu este que, na minha opinião, é um dos mais, importantes e singulares trabalhos do cenário independente, fica a dica.

O primeiro disco deste trio composto por Fredhc (voz, letras e arranjos), Rafael Carneiro (guitarra) e VJ Impar (inserção de imagens) saiu em 2005 com o título de “Paralaxe”, e já indicava as particularidades que definiriam o trabalho do grupo. O álbum trazia um clima meio retrô, com vocal em clima oitentista, mas com uma roupagem que mesclava rock e elementos eletrônicos. Havia algo de New Order com Kraftwerk.

As letras já traziam metáforas bem sacadas como a ótima “Dr Gory Versus Spectreman”. A referência não fica tão clara aqui, mas Spectreman foi um seriado produzido no Japão no final dos anos 70, com produção capenga, mas com histórias interessantes. O herói enlatado enfrentava o vilão Dr Gory. A música do Paralaxe usa os personagens para criar uma espécie de alegoria em que Spectreman é Carlos Marighela (guerrilheiro durante os anos de ditadura no Brasil) e seu algoz, Dr Gory é o general Golbery do Couto e Silva, uma das figuras mais importantes do regime militar brasileiro (1964 – 1985). Veja um trecho da letra:

Spectreman subversivo, alvo do alto comando, tinha um aparelho em Goiás e um míssil lituano,um esconderijo no Uruguai era amigo do Jânio fazia um Guevara-Style de charuto cubano

Mas, o primeiro disco, apesar de bem feito, é apenas um ensaio para o que estava por vir. Under Pop Pulp Fiction saiu exatamente um ano depois e surpreendeu. O disco tinha muito mais qualidade sonora e apresentava um Paralaxe mais experimental e ousado. Não havia, de forma alguma, a sensação de que o trio estava se procurando, tateando terrenos na tentativa de achar um norte definitivo, como aconteceu no primeiro trabalho.

As guitarras de Rafael Carneiro estão mais encorpadas e encontraram o equilíbrio perfeito com os samplers. A primeira faixa “Li no Linux o Celton”, deixa isso bem claro. Totalmente rock, com riffs bem marcados, e em harmonia com os beats criados por Fredhc. Não dá para deixar de comentar o título da música. Fantástico. Uma homenagem clara à cultura undergrownd. Embora todos saibam o que é o Linux, o contraponto open source do Windows, nem todos conhecem Celton. Trata-se do personagem de quadrinhos criado pelo belo-horizontino Lacarmélio Alfeu. O cara ficou conhecido por vender as revistas que ele mesmo produzia rodando pela cidade com a sua moto, e conseguiu sobreviver da própria arte. Mais independente impossível! De volta à música, essa faixa conta ainda com trechos de fala do próprio Lacarmélio explicando “quem é” o seu personagem Celton.

“Bin Laden é Bruce Wayne”, outra das metáforas amalucadas e geniais de Fredhc. Segundo ele, a associação é óbvia pelo fato de ambos morarem em cavernas, serem milionários e combaterem o mal, de acordo com seus pontos de vista. Boa música e talvez uma das mais assimiláveis de todo o CD. Outra curiosidade, a faixa se inicia com a fala de Adam West e Burt Ward (respectivamente Batman e Robin) na abertura do seriado debochado dos anos 60.

“Catch a Rising Star” é uma verdadeira ópera, não pela estática sonora, mas por ser uma faixa de 7 minutos (!!!) que conta – sem refrão – a história de uma aluna da Guignard que resolve ganhar o mundo. A música não é cansativa em momento algum. Aqui, as guitarras estão mais sutis, na maior parte do tempo, criando a ambientação para o enredo. Não dá para falar de todo o universo que é abordado no disco, tarefa quase impossível ou extensa demais, mas outras faixas também merecem atenção como “O Home azul de OA”, “A hora e a vez de Augusto Matraga”, e o repeteco do primeiro disco, a impagável “Dr Gory vs Spectreman”.

O disco, como deu para notar, é um verdadeiro caldeirão de referências da cultura pop e underground, o que explica o título da obra. O ouvinte não precisa, necessariamente conhecer tudo o que é usado no disco, ou mesmo ser uma espécie de nerd para apreciar a audição. Claro que as pessoas que sacarem vão se divertir mais a cada citação percebida, mas o importante aqui é a música que está muito bem feita por sinal.

Outro detalhe importante. A parte gráfica deste CD está mais bem cuidada, o que, principalmente no caso do Paralaxe, é primordial. Os shows utilizam imagens inseridas pelo Vj Impar que dialogam perfeitamente com as músicas, é um trabalho audiovisual, na falta de melhor definição. O encarte, desta vez, tenta trazer esse universo estético. Enquanto você acompanha as letras pode ver figuras muito legais como o um dos cartazes de “O dia em que a terra parou” (o filme clássico, de 1952), alguns dos monstros de látex, oriundos diretamente dos seriados japoneses, entre outras. É arte para os olhos também. É um álbum diferente de qualquer coisa já ouvida no cenário nacional e pode causar tanto estranheza em alguns, quanto afinidade em outros, mas ninguém poderá acusá-los de falta de originalidade.

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Pegada recomenda: Japan Pop Show- Curumin

Por Roger Deff

Músico versátil da cena paulista, Curumin fez por merecer os elogios ao seu segundo trabalho. Lançado pelo selo YB Music, Japan Pop Show mostra influências nítidas e diversas, que vão do hip-hop, black music, dub e o mais escancarado funk carioca, ou Miami Bass, se preferirem.

 O disco consegue traduzir tudo isso de forma homogênea e fluida sem causar aquela sensação de “opa! Isso não deveria estar aí”. O fato é que Curumin não parece nem um pouco preocupado em se encaixar “neste” ou “naquele” estilo, o que é ótimo, e reúne tudo aquilo que gosta em seu trabalho.

 A música de abertura, com o curioso título “Salto no vácuo com joelhada” traz o som de uma daquelas velhas e tradicionais “caixinhas de música”, que aos poucos se mescla às batidas pesadas, lembrando as bases clássicas do Wu tang. O que vêm a seguir é a ótima “Dançando no escuro” com a participação especial do mestre Marku Ribas, sempre impressionante em suas interpretações. Curumim, por sua vez, fez de tudo. Programou a MPC, tocou bateria, baixo e teclado, nesta que é, de longe, uma das melhores faixas do disco.

 “Compacto”, já virou hit por aqui e é a primeira vez que ouvimos (neste disco) o multi-instrumentista Curumim cantando (já na terceira faixa). Melódica, tranqüila e com um dos refrões mais pegajosos do disco (no bom sentido) ela foge um pouco do clima da maioria das músicas do álbum, que soa experimental em muitos aspectos, enquanto esta se mantém ancorada num funk brazuca tipo Jorge Ben, competente sem soar pretenciosa.

 “Kyoto”, em clima de alerta ecológico, a música conta com as participações dos rappers Blackalicious e Lateef the Thruthspeaker em boas performances, até o Curumin arriscou algumas rimas e mostrou que tem habilidade pra coisa. “Japan Pop Show”, traz um clima de surf music à já complexa salada musical do Curumim, tem pra todos os gostos. Na sequência a belíssima “Mistério Stéreo”, mais uma prova da versatilidade e riqueza de recursos do músico.

 Outra que já entrou fácil para a lista das mais cantadas (pelo menos deste disco) é “Mal estar Card”, bem conhecida pela genial frase “cadê minha fatia de filé? O osso é duro de roer…” Letra ácida e crítica que questiona a disparidade de oportunidades, tão comum em nosso país.

  “Caixa Preta” conta com a participação do onipresente B Negão, divertida e dançante bem ao estilo do funk carioca, mas, lógico, sem descambar para a futilidade e o sexismo que popularizou o estilo. “Sambito (Totaru Shock)”. Seria uma espécie de samba de japonês com música eletrônica, inclusive cantado no idioma da terra do sol. Fechando o álbum “Esperança” e “Fu Manchu”, esta última com programações do Daniel Ganjaman, do Instituto, só para frisar, embora as faixas programadas pelo próprio Curumin não percam em nada para esta.

 Definir em poucas palavras o trabalho deste cantor, rapper, baterista e beatmaker, entre outras coisas, é impossível e classificá-lo mais ainda (como se fosse realmente necessário algum tipo de rótulo). Vale dizer que o trabalho não é dado de forma gratuita ao ouvinte e se torna melhor ainda a cada nova audição.

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Posterize: Blog divulga a arte dos flyers e pôsteres de shows

O Posterize é um blog que foca a arte gráfica por trás da música. O projeto é idealizado e mantido pelo designer gráfico Ricardo Meola, cujo objetivo é expor a arte dos flyers e posterês, material indispensável a qualquer show, independentemente do tamanho ou projeção da banda. Não se trata de um espaço de divulgação, necessariamente, mas sim de um “local” onde esses trabalhos podem ser vistos e revistos. No bate papo a seguir, Meola fala sobre essa ideia, no mínimo, inusitada.

Pegada: Como surgiu a idéia do blog. Existe algo similar?

Ricardo Meola:
Quando comecei a trabalhar como diretor de arte, comecei a levar muito a sério os pôsteres da Z?, minha banda. Acontece que no final das contas esses pôsteres iam parar em meia dúzia de postes e em várias caixas de Spam. Independentemente de show vazio ou lotado, no dia seguinte todo o trabalho (muito trabalho) daquela divulgação ficava órfão, expirado. Então, porque não organizar esse tipo de trabalho de uma forma que, além de divulgar os eventos, sirva de referência e inspiração permanente de design, como os livros da minha estante? Daí nasce o Posterize que, muito humildemente, busca indexar o belíssimo trabalho feito pra divulgar os shows e festivais pelo Brasil.

Pegada: Há quanto tempo existe?

RM:
O site está no ar hà pouco mais de dois meses.

Pegada: Como você escolhe os pôsteres? O foco é música independente?

RM: O critério é bastante subjetivo, ate porque esse tipo de tema não permite um muito formal. Não sei se é porque bandas grandes e conhecidas precisam de menos divulgacão pra seus shows, mas ate agora quase tudo que recebi foi material independente. Também acredito muito nas parcerias, coletivos e estúdios independentes que estão atuando em varias frentes (design, musica, literarura, etc). Isso acaba melhorando em quantidade e qualidade o trabalho de todos.

Pegada: Como é alimentado o site? Como fazer para mandar imagens?

RM:
Pra enviar um pôster basta preencher um pequeno formulario do site e anexá-lo. Incluo no site praticamente todos que recebo. Os que eu não incluo não são necessariamente piores, na maioria das vezes simplesmente não fecham com o “mood” do site. Mais uma vez, tudo isso é muito subjetivo.

Pegada: Vale mandar pôster antigo?

RM:
Deve! Acho que nesses dois meses muita gente mandou quase tudo que tinha, o que diminuiu bastante a frequência de pôsteres mais antigos. Por outro lado os pôsteres novos também servem como agenda, o que acho ótimo.

Pegada: O músico brasileiro sabe trabalhar a imagem visual? E o designer, sabe traduzir as músicas? Uma profissão valoriza outra?

RM:
Com certeza uma valoriza a outra! Diria mais, acho que uma viabilliza a outra. A bagagem artística que se adquire com a música (ou design) com certeza abre portas pra quem começa a trabalhar com outros tipos de arte, é um exercício constante de sensibilidade, de percepção. No entanto, não acho que o musico seja obrigado, ele mesmo, a ser um bravo designer. O que é mais bacana são, justamente, as parcerias que nascem de necessidades em comum de várias artes diferentes. Mais uma vez, palmas pros coletivos!

Pegada: Ele visualiza a mania de pôsteres no Brasil? E existe a idéia de vender os trabalhos expostos, a exemplo do site Gigposters?

RM:
Sinceramente eu não esperava um retorno tão bom em relação ao Posterize, mas nunca pensei nesse site como uma fonte de renda. Acho que cada pequena iniciativa como essa alimenta um pouco o gosto por pôsteres, fico feliz por contribuir. Por enquanto não penso em venda de pôsteres, mas existe um projeto bacana quase pronto pra dar um suporte físico pra esses belos trabalhos!

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Assembleia Legistlativa de MG debate o financiamento à cultura, nesta sexta 19/06

Para quem precisa saber mais sobre leis de incentivo e formas de captação, uma boa oportunidade para tirar as dúvidas e adquirir novas informações é o debate “Financiamento e Incentivo à cultura: avanços e desafios”, que será realizado nesta sexta feira, dia 19 de junho, a partir das 14 horas, no Plenário Juscelino Kubitscheck da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (Rua Rodrigues Caldas, 30, Santo Agostinho. Belo Horizonte/ MG).

 Estarão presentes figuras diretamente ligadas às leis de incentivo, entre elas o Ministro da Cultura Juca Ferreira.

A programação pode ser conferida aqui.

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Oi FM promove espaço para as bandas de todo o país

por Roger Deff

Mais uma opção interessante para as bandas independentes Brasil afora. O Oi Novo Som é um espaço onde músicos de diversos estilos podem se inscrever e criar seus perfis, bem parecido com o esquema do Palco MP3 e outros similares.  A diferença está no fato de que as bandas podem ser selecionadas para que seus sons sejam veiculados no programa Oi Novo Som, que vai ao ar aos domingos, a partir das 19h.

Além disso, alguns músicos podem ser convidados para apresentarem seus trabalhos no “Estúdio Oi Novo Som”. O quadro sempre traz alguma das “novas” bandas ao vivo, no Estúdio Show Livre de São Paulo, com apresentação de Clemente Nascimento, líder da banda Inocentes. Além de apresentarem as músicas os artistas poderão trocar ideias sobre referências, trajetória, enfim, falar sobre o trabalho de forma geral.

Os cadastros podem ser realizados aqui. Oportunidade a mais para quem precisa mostrar a cara no cenário independente e ótimo canal para quem pretende ter uma visão geral do que está sendo produzido por aí.

Acesse www.oinovosom.com.br .

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Mapa Musical ajuda a “rastrear” o cenário independente

por Roger Deff

O cenário musical independente no Brasil vêm experimentando um crescimento notório nos últimos anos. Para tentar registrar toda esta produção surgiu o site Mapa Musical, um espaço que pretende nortear músicos, produtores ou mesmo interessados em conhecer melhor a cena independente nacional.

 O site está no ar desde o dia 22 de abril, com uma pesquisa voltada para blogs e sites que tenham a música independente como foco. De acordo com o paulista Tiago Barizon,  produtor e um dos idealizadores do projeto, o próximo passo é fazer o mesmo com bandas e público. É através destas pesquisas iniciais que o Mapa Musical criará seu banco de dados, cujo conteúdo terá participação ativa das pessoas que compõem a cadeia produtiva da música.

 Quando todo este trabalho estiver concluído o site poderá fornecer um panorama abrangente da cena musical do país, permitindo, entre outras coisas, que bandas e produtores foquem seus esforços de acordo com a distribuição do público e seus hábitos.

 A idéia surgiu durante um bate papo entre Tiago Barizon e suas parceiras, Pamela Leme e Kátia Abreu, onde ele expôs suas aflições com relação à falta de informação na cena musical independente.

 “Não podemos falar de mercado musical independente, ninguém tem números sobre o público, quem são essas pessoas, onde estão como descobrem novas bandas, como consomem, o que as bandas pensam sobre a cena e quais suas necessidades”, analisa.

 Foi a partir desta conversa que os três deram início ao Mapa Musical. Embora os resultados ainda não estejam 100% disponíveis, já que ainda estão colhendo informações, o primeiro fruto destas pesquisas já pode ser conferido. Trata-se de um bookmark colaborativo com todos os blogs e sites que responderam à pesquisa, são links para blogs e sites alternativos de todo o Brasil. Barizon enfatiza a importância destes espaços para o fomento da cena.

 “Já não é surpresa para ninguém que estes veículos que tem uma audiência segmentada que pode dar muito mais resultados para um grupo que quer divulgar seu trabalho do que ficar tentando uma nota em algum jornal de grande circulação. Se no futuro forem analisar como agiam e o que diziam os formadores de opinião no começo do século XXI, sem dúvidas alguns destes sites e blogs estarão na lista”, diz.

 O produtor conta que, sem informações que sirvam de orientação é difícil pensar em qualquer planejamento ou dialogo com outros setores que possam ajudar na viabilização de projetos sustentáveis na área musical. De acordo com Tiago, mesmo dentro da cena, a circulação de informações é muito restrita, apesar de boas iniciativas da ABRAFIN e do Circuito Fora Eixo.

“O fato é que, na grande maioria das vezes, as pessoas fazem coisas usando o método do achismo. Alguém acha que tal ação pode dar certo, então ele tenta realizá-la”, completa, enfatizando a carência de informações que possibilitem ações efetivas.

Tiago chama a atenção para a diversidade existente no cenário independente. Segundo ele, a maioria dos produtores ou bandas de rock, quando referem-se à música independente normalmente está pensando somente no rock independente.

 “Temos que nos lembrar que existe também uma cena do rap independente, do jazz independente, da mpb independente, da música experimental independente. Esse pessoal da música experimental, por exemplo. Se os rockers acham que faltam espaços para tocar, imaginem eles. Queremos estabelecer diálogos e trocas, coisa que acontece em uma escala mínima atualmente”, conclui.

 Confira e colabore: www.mapamusical.com.br

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