Áudio de Pegada – Reverberando

Por Eduardo Curi

O reverb é um dos efeitos mais utilizados na música. Ele pode ser natural ou inserido durante a mixagem e é um dos principais elementos estéticos de uma produção. Um reverb natural é aquele gerado pela reflexão das ondas sonoras em uma superfície, em todas as direções, durante um determinado período de tempo. Como nem todos nós temos salas específicas para gravação, com tratamento acústico adequado e reverb natural calculado, temos que suprir essa falta com processadores.

São vários tipos de reverb, plate, spring, hall, chamber, cada um com uma sonoridade específica que se adequa melhor a um instrumento ou estilo musical. Além do tipo de reverb, temos que prestar atenção também em sua duração na música, para não comprometermos a inteligibilidade geral da mix.

Uma boa maneira de aprender a dosar um reverb é (como sempre) ouvir referências. Normalmente, alguns estilos seguem padrões de uso do efeito, o que, inclusive, ajuda a caracterizá-lo ou mesmo data-lo. Tome como exemplo o rock progressivo dos anos 70. As canções, geralmente, apresentam uma sonoridade mais “viajante” e um dos efeitos usados para dar essa sensação é o reverb, normalmente longo e brilhante, soando com toda imponência, principalmente, durante solos de guitarra.

Os anos 80 também foram pródigos no uso do reverb, muito pelo desenvolvimento tecnológico da década. Repare nos vocais de gravações da Madonna, por exemplo, e veja como sua voz está “molhada”, envolta em um espectro reverberante claramente inserido durante a mixagem. Tons e caixas de bateria gravados durante essa década também possuem um alto grau de processamento por reverb, o que ajudou, inclusive, a definir o som da bateria dos anos 80.

Em contrapartida, em uma canção punk, praticamente não se escuta o reverb. Isso ocorre porque a atmosfera do punk rock tem muito mais a ver com uma banda tocando em um pequeno porão do que em uma arena e a principal sensação que o reverb transmite é a de espaço. Reverbs longos, grandes espaços, reverbs curtos pequenas salas. E nos anos 90, com a negação de tudo que foi produzido na década anterior, o que se buscou foi uma diminuição do uso do reverb, simbolizada muito pelas gravações grunge, notadamente cruas (embora bem limpinhas).

Deixe um comentário

Arquivado em Áudio de Pegada

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s