Cobertura de Pegada – Banca Totaro

Texto e fotos por Renata Almeida

Ricardo Koctus ao vivo na banca

Ricardo Koctus ao vivo na banca

No sábado, 25/4, aconteceu em BH a 12º edição da Banca Totaro. Pra quem não conhece, é um projeto super bacana em que artistas, expositores, bandas e fãs da boa música se reúnem para assistir a pockets shows incríveis dentro de uma banca de revista, ver e comprar trabalhos fascinantes e se cercar de arte e música.

O Pegada esteve lá cobrindo o evento e conversou com o idealizador, Jeová Teixeira Guimarães, para contar como está sendo tocar o projeto.

Pegada – Como surgiu a Banca Totaro?

Jeová – Começou com uma brincadeira. Eu ainda era proprietário da banca. Logo quando a comprei, um amigo meu chegou aqui no sábado e falou: ‘Posso fazer um churrasco?’. Eu falei: “Pode”. Pensei que o cara estivesse de gozação. Mas o cara veio com mesa, cadeira, cerveja no isopor e marcou outro pro outro sábado e mais um pro outro sábado… Aí começamos a descer com som mecânico. Um dia eu trouxe meu violão e o deixei dentro da banca. Um amigo que tava na roda do churrasco, levantou, pegou uma cadeira, sentou lá dentro da banca e começou a tocar violão. Na hora que eu olhei eu falei: “É isso ai ó! Achei! Vou fazer essa banca de revista virar um palco”.

Pegada – Muitos eventos aqui em BH começam e não conseguem dar continuidade. Como você conseguiu chegar na 12ª edição?

Jeová – Isso é muita luta, muita luta! Porque infelizmente não tem patrocínio. Hoje tudo é movido a dinheiro, mas com a ajuda da minha mulher (Simone), do meu filho, dos alunos da UNA, dos comerciantes da região, a gente vem fazendo. Não dando prejuízo, ficando no zero a zero, ta ótimo, ta ótimo! Não pode é ficar no prejuízo.

Pegada – É a primeira vez que bandas com músicas autorais se apresentam?

Jeová – Sim. O projeto, quando eu e minha mulher resolvemos fazê-lo, logo depois de ver esse cara tocando violão e acender a luzinha, tinha como ideia abrir espaço para música autoral. Mas para que isso acontecesse, a gente teve que trazer coisas que não fossem autorais para o projeto poder vingar. Nessa 12ª são oito atrações musicais, sendo que cinco são de música autoral. Ocupou mais da metade das atrações. No projeto, a ideia é essa, é ter música autoral.

Jeová, idealizador do Banca Totaro

Jeová, idealizador do Banca Totaro

Pegada – Tem previsão para quando será a próxima edição?

Jeová – Junho. Não sei a data, depois do dia 10 de junho. O novo proprietário da banca já me chamou e falou assim: ‘marca a data que você quiser’. Se eu tivesse condição, eu faria sábado que vem, mas não dá.

Pegada – Não é a primeira vez que integrantes do Pegada comparecem ao evento, mas é a primeira vez que o Pegada cobre o evento. Ele está sempre lotado. Você faz a divulgação através do flog e orkut da Banca e tem um resultado positivo. Qual o segredo para o sucesso de público que o evento tem?

Jeová – A cada evento ele vem crescendo. A expectativa é que no próximo, o público seja maior que esse, porque isso vem acontecendo ao longo das doze edições. Nós já tivemos aqui, acho que foi o segundo, chovendo, quatro pessoas. Eles passaram o dia aqui com a gente ouvindo som de música mecânica. Hoje extrapolou. A gente não imaginava que ia chegar nesse ponto. Alguns proprietários de bancas de revista já me procuraram hoje. Tiveram vários aqui e ofereceram suas bancas para que a gente leve o projeto. A ideia é de ser uma coisa itinerante. Belo Horizonte, segundo o Sindicato de Bancas de Revista tem em torno de 1900 bancas. Vamos cortar pela metade, 800 bancas que tem condição, que tem um passeio largo, que a banca é grande. São 800 pontos de cultura acessível, grátis, pra todo mundo, sem confusão, sem briga, sem nada.

Pegada – Você gostaria de mandar um recado para as pessoas, que como você, estão ai batalhando para fomentar a cena cultural de BH?

Jeová – É querer. Querer é fazer. Dá trabalho? Dá trabalho. Agora existem mil pontos. Toda esquina em Belo Horizonte, todo quarteirão em Belo Horizonte, tem uma banca de revista. Todo bairro tem pelo menos umas dez praças. Basta querer fazer. Sem patrocínio? Tem que começar sem patrocínio, tudo começa assim. Eu sei que mais cedo ou mais tarde eu vou conseguir um patrocínio para poder pagar cachê para os músicos que hoje é o que mais me incomoda. Os caras estão aqui, eles vivem de música e estão tocando de graça. Por quê? Porque eles acreditam no projeto. Quando eu digo patrocínio, é uma grana que eu consiga pagar um cachê justo por essa bela manhã, tarde e noite que eles estão nos proporcionando. Muito obrigado mais uma vez ao Pegada, espero que vocês voltem, espero que tenham gostado. Valeu! Paz e “picolés de alegria”!

2 Comentários

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2 Respostas para “Cobertura de Pegada – Banca Totaro

  1. Davi Brêtas

    Boto fé! Bacana a matéria rê!!!

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