Conexão Vivo 2009 e as novas perspectivas

Por Roger Deff

Este texto tem o objetivo de trazer uma avaliação do Conexão Vivo 2009, do ponto de vista de quem participou do evento, mas, antes de falar das minhas impressões desta edição, acho necessário fazer uma retrospectiva do projeto,  para que possamos perceber, de forma mais ampla, a sua importância para a cena cultural da cidade.

Participei do Conexão pela primeira vez em 2004 (na época Conexão Telemig Celular), quando o festival abriu espaço para inscrição de novos artistas. Até então o evento era focado apenas nos músicos patrocinados e os shows, se não me engano, aconteciam no Teatro Francisco Nunes. Me lembro de uma apresentação em que o NUC (grupo do Renegado) trouxe o Jair Rodrigues como convidado, muito bacana.

A proposta me parecia clara: estabelecer pontes entre os artistas locais e outros de renome nacional. Quando fomos selecionados, entre cerca de 400 artistas inscritos em todo estado, foi como uma espécie de divisor de águas, não apenas para minha história como músico, mas o evento nos deu a possibilidade de criar conexões duradouras com bandas de outras vertentes.

Na época os selecionados não recebiam ajuda de custo para as viagens, e nós iríamos tocar em Montes Claros. Como não haviam recursos finenceiros a solução foi entrar em contato com os outros selecionados e sugerir uma parceria. Liguei para o Bruno Couto, da banda Cumbaquê e fiz a proposta, ele por sua vez organizou o resto, contactou os demais e dividimos, entre os interessados, o custo da viagem. Não me lembro de todas as bandas, mas havia o Coletivo Universal, formado pelo Wagner Merije, Daniel Barbosa, Daniel Saavedra, o Cumbaquê trazia na formação, além do Bruno Couto, Felipe Fantonni, André Lima, Skilo, e tinha o Nono Osso, banda que foi a escolhida da etapa Montes Claros para participar da coletânea e realizar o show em Belo Horizonte.

No final das contas todos ganhamos na verdade, sem querer recorrer àquela frase clichê “valeu a experiência”, mas aqui ela se justifica. Algumas das pessoas citadas (a maioria na verdade) se tornaram nossas parceiras, o que gerou frutos interessantes no que se refere a participações e afins.

Voltando ao festival alguns anos depois, na edição 2009, já num âmbito maior, com edital aberto para todo o território nacional e com mais de 1600 inscritos, acho importante pensar em como o projeto cresceu, aliás, não só o projeto, mas também os artistas (cada um a seu modo) que tiveram a oportunidade de participar dele. Bati um papo muito rápido com o pessoal do The Hell’s Kitchen Project, vi a euforia dos caras com o fato de terem sido selecionados e acompanhei a repercussão recente disso para a história da banda. São novas perspectivas que se abrem e com uma carreira ainda bem jovem, já que a banda foi criada há apenas dois anos.

Achei pertinente citar o The Hell’s Kitchen justamente por se tratar de “gente nova no pedaço”, o que representa uma renovação artística importante, já que alguns de nós são reincidentes, a exemplo do Black Sonora, o Proa ou mesmo o Transmissor (que apesar de não serem bandas tão antigas, são compostas por pessoas que estão na estrada há algum tempo e que já estiveram no Conexão de alguma forma).

Como artista, vejo que o evento continua servindo ao seu propósito inicial, que é criar elos entre bandas e músicos individuais das mais diversas matizes. Pessoas que continuarão a se encontrar, sempre reforçando a idéia de uma cena plural (pelo menos eu a vejo assim), onde há cada vez menos espaços para guetos e mais abertura para o compartilhamento saudável de idéias e concepções musicais divergentes (mas não necessariamente opostas).

Foi bom perceber que esta diversidade se mantém, e o evento se esforça em mostrar isto. Há espaço tanto para o “rock com melodia pop” do  Rock Nova, como para o samba autêntico do Thiago Delegado, ou mesmo o hip-hop da minha banda, Julgamento. E o melhor disso tudo é ver que temos um público pronto para apreciar todas estas propostas e que não estão aí apenas pelos artistas já consagrados.

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