Rock 45s agita o Cineclube Savassi na sexta, 1/5

Rock 45s com Kid Vinil, 1/5

Nessa sexta de feriado, dia 1, a festa Rock 45s vai tomar conta do Cineclube Savassi. Promovida pelo selo Vinyl Land Records com o apoio de Pegada, contará com discotecagens de Kid Vinil, lendário músico e jornalista, Luiz PF (codinome de Luiz Valente, proprietário do selo), e do DJ de Pegada JJBZ. O evento, já em sua quinta edição, propõe um apanhado geral do rock’n’roll por meio de compactos de sete polegadas em vinil, também conhecidos como “forty-fives”.

Apesar de ter perdido força no Brasil com o surgimento do CD e do MP3, na última década, o mercado de vinil vem crescendo regularmente desde 2004, segundo dados da indústria inglesa. Tendo adquirido status cult, as bolachinhas transformaram-se em objetos de desejo de muitos, ferramentas essenciais para DJs e plataforma de lançamentos de bandas alternativas. Dedicando-se exclusivamente a esse nicho, Luiz Valente criou a Vinyl Land Records, responsável por trabalhos de artistas como Autoramas, Dead Lover’s Twisted Heart e Fungos Funk no formato.

Valente conversou com o repórter de Pegada David Dines a respeito da trajetória do selo. Confira:

PF ao pé da letra

PF ao pé da letra

Como surgiu a ideia de montar um selo especializado em vinil?
Desde 2002 já venho organizando festas com o nome de Vinyl Land, a primeira foi na época que eu era dono do “Lugar” na rua Leopoldina. O objetivo era “equilibrar” um pouco a cena de DJs da cidade, e abrir espaço pra DJs que realmente investiam no seu trabalho, pois nessa epoca começou aparecer muita gente tocando CDRs e MP3 (não que eu tenha nada contra isso…). Nesse mesmo período comecei a pensar na possibilidade de discotecar também, pois já fazia isso informalmente colocando o som ambiente da casa. Mas decidi que, se fosse realmente levar a coisa a sério, gostaria de fazer somente com vinil, por ser mais divertido e desafiador. Depois de um tempo começou a dar vontade de tocar coisas que nunca foram lançadas em vinil (tipo musica brasileira de 96 pra frente), então resolvi que, já que não existia, eu iria fazer um selo focado nisso. Então a ideia partiu mais da minha vontade de comprar esses discos. Quando conheci os Dead Lover’s em 2007, conversamos sobre a ideia e o projeto se concretizou.

A Vinyl Land também investe na divulgação dos seus lançamentos na Europa. Como está sendo a recepção no exterior?
Se o termo “investir” significar comprar espaços em revistas, fazer propaganda em radio, TV ou coisa parecida, a resposta seria não, já que o selo é muito pequeno ainda. Mas, se falarmos em termos de tempo e divulgação feitas por mim mesmo, então o investimento é grande. Sempre quando toco procuro incorporar as bandas do selo no set e, seja qual for a cidade, passo nas lojas de disco e vendo os compactos no melhor estilo “conta-gotas”. Foi nesse esquema que consegui colocar os Autoramas na Rough Trade (tradicional loja de música independente de Londres), o que deu uma repercussão bem legal pra banda. Normalmente as pessoas recebem o som de bandas brasileiras super bem, mas vai de banda pra banda. Mas se percebe que pelo menos ficam curiosos e ouvem de cabeça aberta. O objetivo de minha volta agora em Maio é conseguir um distribuidor europeu para o selo, o que abre a possibilidade de acelerar o processo de novos lançamentos.

Quais as dificuldades de se trabalhar com esse tipo de formato no país?
Como trabalho com um mercado de nicho, o objetivo principal é primeiramente chegar no seu público-alvo. Já que o selo é uma extensão natural das festas Vinyl Land e das minhas discotecagens, isso é feito de forma intuitiva, com calma, paciência e muita ajuda da internet também. Não é muita gente que consome vinil no Brasil, mas é um público fiel que corre atrás do que quer, e que foi deixado de lado no país já faz mais de 10 anos. A principal dificuldade é a Polysom (ultima fabrica da America Latina) ter fechado em 2007 e ainda não ter reaberto. Com a confirmação da compra dela pela Deck Disc no fim de 2008, recebi noticias essa semana que eles devem reabrir em julho, o que provavelmente significa algo mais pro fim do ano. Se conseguirem atingir um padrão legal de qualidade e um preço acessível, acredito que vão surgir muitos outros selos (A Monstro e a Gravadora Discos já fazem isso a um tempo) e bandas interessados em prensar suas bolachas, o que seria sensacional. Quero mais é que todo mundo adote o padrão “virtual e vinil” preu poder comprar os discos também [risos]. São tantas bandas legais que temos no Brasil, que a Vinyl Land nunca dará conta do recado… Fico na torcida que isso realmente aconteça, enquanto isso vamos fazendo o que podemos pra não deixar essa cultura morrer.

Serviço:

Festa Rock 45s com Kid Vinil
Sexta-feira, 1 de maio, 23h
Local: Cineclube Savassi – R. Levindo Lopes, 358
DJs: Kid Vinil, Luiz PF (Vinyl Land) e JJBZ (Pegada)
Entrada: R$ 15 e R$ 10 (até 1h)
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1 comentário

Arquivado em Agenda, coletivopegada, Entrevistas, Eventos de Pegada

Uma resposta para “Rock 45s agita o Cineclube Savassi na sexta, 1/5

  1. Bom demais poder continuar comprando bolachinhas de bandas independentes nacionais! Muita força ao Luiz!

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