Entrevista de Pegada – RockNova

Nossa repórter de Pegada Renata Almeida esteve na cola da banda RockNova, nos últimos dias. O grupo foi um dos selecionados pelo público para se apresentar no Festival Conexão em Belo Horizonte, que terminou ontem, tendo a honra de abrir as apresentações no dia 17 de abril.

Foto: Renata Almeida

Foto: Renata Almeida

Renata conversou com Gustavo Lago, vocalista da banda, logo após a apresentação no Parque Municipal e, antes havia conversado com a banda toda que contou como é a ralação para se chegar a algum lugar tocando as próprias músicas.

Pegada – Como foi tocar no Conexão?

Gustavo – Para nós, a apresentação no Conexão foi super positiva. A estrutura era maravilhosa. A equipe, nem se fala. A gente pôde dar continuidade ao nosso trabalho e divulgá-lo para um público novo que ainda não tinha acesso a ele. A energia estava alta e as pessoas que estavam lá, nos assistindo, foram bastante receptivas. Foi uma experiência indescritível para a banda e a gente só tem a agradecer a todos que colaboraram para que a gente pudesse estar lá.

Pegada – Esse ano vocês lançaram o álbum RockNova, como foi o processo de gravação do álbum? Vocês tiveram ajuda de lei de incentivo à cultura ou patrocinador?

Gustavo – A banda começou mais ou menos em agosto, setembro de 2007. Menos de um ano depois, a gente já tinha finalizado as composições ou, pelo menos, estavam em processo de finalização e resolvemos então gravar nosso primeiro CD, porque a gente acha que esse é o primeiro passo de uma banda. Qualquer banda que queira levar um trabalho autoral a serio, né!? A gente sentiu necessidade de ter um CD, de ter um registro autoral. Então, começamos esse processo de gravação no início de 2008. Como a gente tinha essa necessidade, um tanto quanto urgente, a gente não esperou muito por capitação de lei de incentivo, nem nada não. Nós resolvemos, por uma questão de iniciativa, bancar o nosso primeiro CD independente e dai tiramos do bolso mesmo, dos recursos que a gente tinha em mãos e resolvemos gravá-lo. Fomos ao estúdio Lima Lab. O CD foi produzido pelo Daniel Lima e tem partes gravadas no estúdio do Monno, o Tremor Void e outras no Lima. Finalizamos o CD mais ou menos em outubro; não, até antes um pouco; mas em outubro foi o nosso lançamento lá no Teatro Dom Silvério e a partir disso, nós estamos ai, lutando para divulgar o CD e tocar o projeto.

Pegada – Vocês citaram o estúdio da Monno, vocês farão agora o MTV independente junto com eles, não e mesmo?

Gustavo – Coincidentemente a gente acabou de sair de lá. A gravação foi hoje junto com essa entrevista que a gente está dando. Eu não sei quando entra no ar, algum de vocês sabem?

Nenel – Acho que no começo do mês.

Xexel – Começo de maio.

Gustavo – Acho que no começo de maio. Eles fizeram uma entrevista com a gente super bacana, com a gente e com o pessoal do Monno,. Espero que vocês curtam.

Nenel – A gente tocou nossa música de trabalho, ‘Nova’. Inclusive acabamos de fazer o vídeo dela.

Pegada – Falem um pouco do CD, ele tem algum contexto ou vocês nem pensaram sobre isso?

Gustavo – Sobre essa questão de qual é o conceito do cd, bem, não foi uma coisa muito pensada ou pré-refletida, não tentamos buscar um conceito x ou y. Acho que o CD surgiu de uma maneira muito espontânea. A banda foi formada inicialmente pelos meninos, eu entrei depois. Eu sou parte do processo inicial, mas eu fui o último a ser convidado. O guitarrista, o Borba, já tinha algumas músicas de autoria dele que eles já estavam tocando antes de eu entrar na banda. Então, quando eu entrei, já existia uma ideia mais ou menos formatada de quais seriam as músicas que fariam parte do CD, pelo menos inicialmente. Depois, acabaram entrando composições minhas e a gente fechou um CD que a gente acha, que eu acho, extremamente conciso, mas com uma diversidade de estilos grande. Tem umas baladas, tem umas músicas que são mais agitadas, por eu não ter outra palavra pra dizer. Mas eu acho que nunca teve essa preocupação em “vamos parecer alguma coisa ou vamos ter uma cara mais rock, uma cara mais pop, um cara … “

Xerllex – A gente não seguiu uma linha.

Gustavo – Foi uma coisa bem espontânea mesmo, das composições que a gente fazia em casa, a gente trouxe pra banda e a banda montou o arranjo e a partir disso, nós resolvemos registrar.

Nenel – O interessante é que no segundo CD, quando a gente for lançar, não sei, ano que vem talvez, já vai ter muita música composta pelos dois, pelo Borba e pelo Guto. Eu acho que hoje, eles já podem fazer músicas pensando num segundo disco, dentro de um conceito. É uma possibilidade, Guto. Coisa que antes não aconteceu, porque quando a banda começou a maioria das músicas já estavam prontas.

Gustavo – Já tinha um violão e voz, uma ideia formatada. Quando eu entrei, eu vim trazendo composições minhas, assim como o Borba já tinha umas dele.

Nenel – A gente lapidou as músicas, claro, com a ajuda de produtor. Primeiramente com a gente, nós quatro no estúdio. Mas a maioria já existia, então eu acho assim, que no próximo CD a gente pode parar e pensar em ter um conceito. A gente vai querer dar uma cara pra ele, existe essa possibilidade, que no primeiro, pela nossa vontade de lançar um trabalho, foi uma coisa muito natural. Pegamos músicas que já existiam e as lapidamos.

Pegada – O som de vocês passeia pelo pop e rock alternativo atingindo tanto o público underground, quanto o grande público, a grande massa, vocês acham que esse som diferenciado vai mudar no segundo CD ou essa base vai continuar?

Xerllex – Eu acho que não.

Gustavo – Eu acho até muito engraçado, porque todo mundo traz uma opinião sobre o que eles acham do nosso som. Eu acho que parte muito também de quem escuta e qual música escutou. Isso gera uma variedade boa. Nossa intenção nunca foi ser pop, assim como nunca foi ser rock, assim como nunca foi ser indie, assim como nunca foi ser muita coisa. Eu acho que é até um clichê das bandas de hoje falarem isso, mas eu acho que é uma verdade. A questão é que a gente gosta muito de todos os estilos, esses estilos, e é claro que uma composição que você faz em casa, vai se aproximar daquilo que você esta escutando. Então eu acho que não tem uma intenção de ser mais pop ou indie, o que vai ser do segundo CD, é o quê sair mesmo dos nossos…

Nenel – Na verdade, eu acho que a gente não sabe como vai ser o próximo CD. Porque a gente está trabalhando nesse e os meninos estão compondo. Então estão surgindo composições que eles montam no estúdio, mas a gente ainda não pegou pra lapidar essas músicas. Então a gente sinceramente não sabe como vai ser.

Gustavo – Mas querendo uma suposição, se é que é necessário isso pra alguém, a gente vai seguir a mesma linha de raciocínio mesmo, que é o que a gente gosta. A gente segue o mesmo não porque a gente quer seguir o mesmo, mas porque ele é fruto da espontaneidade.

Nenel – Eu acho que o mais honesto que a gente pode fazer é continuar fazendo nosso trabalho de uma forma natural. Ele saiu de uma forma super natural, a gente não forçou nada na hora de gravar o CD, em momento algum alguém chegou e falou vamos fazer isso para ficar mais radiofônico ou não, ou pra ficar mais alternativo. De jeito nenhum, foi natural! A gente colocou do jeito que a gente achou que a música ia ficar melhor.

Gustavo – Eu acho bacana isso, eu vejo isso no RockNova, pelo menos assim conversando com os três. A nossa música de trabalho foi escolhida porque é a primeira do CD e a gente achava que ela tinha uma energia legal. A gente não chegou nem a escolher muito. Foi uma coisa muito espontânea.

Xerllez – Inclusive foi a última a entrar no CD.

Gustavo – Exatamente, foi a última música composta do CD inteiro que a gente achava que era a mais atual, por isso mais a cara da banda. A ultima musica composta talvez seja o processo de um fim de alguma coisa que a gente tinha começado e por isso mesmo que ela entrou. Enfim, eu nem sei falar qual vai ser a próxima musica de trabalho.

Xerllex – O que a gente mais pode falar sobre o CD, sobre o projeto é que a gente é o mais honesto possível com as nossas convicções.

Pegada – E quais são suas convicções?

Xerllex – Tocar o que a gente gosta. Parece clichê isso também, mas tocar o que a gente gosta. Eu acho que tocando o que a gente gosta e sentindo prazer no que a gente está fazendo, a gente atinge o publico e o publico gosta da gente.

Foto: Renata Almeida

Foto: Renata Almeida

Pegada – Vocês falaram que não tem como definir se o som de vocês é pop ou se é indie ou se é alternativo ou se é rock, mas como vocês definiriam o som de vocês? Quais as influências da banda?

Gustavo – Na verdade eu não acho que a gente não seja nem pop, nem rock, nem indie. O que eu quero dizer é que a gente nunca parou pra pensar em compor com essa intenção, de ser isso. Se saiu isso, eu até concordo. Se você então me pergunta como é que a gente se vê, eu acho isso complicado. Primeiramente, a gente tem um julgamento sobre as próprias composições né, as composições nossas mesmos, mas eu acho que a gente vai estar é nisso mesmo, é esse rock moderno com uma vertente pop que eu acho moderno e muito atual. Tem uma grande gama de pessoas ai fazendo esse rock, inclusive na Inglaterra, o The Kooks que está vindo ao Brasil. A gente tá nessa linha.

Nenel – A influência geral é The Beatles.

Xerllez – Pearl Jam, Ramones

Nenel – Na verdade, as influências são diversas dentro da banda. Dentro do mundo de rock, MPB e até bossa nossa. As influencias são tão diversas! Eu acho difícil falar “nós temos influencias tal, tal e tal”, porque cada um escuta uma coisa, tem banda que um gosta e o outro não gosta.

Gustavo – Minha maior influencia é o Nenel. (Risos)

Nenel – A gente acha pontos em comum com os Beatles.

Xerllez – Acho que essa diferença de nós quatro, do que escutar, da escola de cada um, isso é o que eu acho que á a coisa mais importante dentro da banda. É exatamente terem quatro pessoas que, querendo ou não, têm influências de musicas diferentes.

Nenel – Completamente diferentes.

Xerllex – Exatamente. Completamente diferentes que juntou nesse monstro.

Nenel – Se a galera reparar bem, pode ver essas influências na maneira de tocar, na postura no palco, mas também na maneira como toca, a pegada de cada um, isso tudo vem de nossas influencias, não é questão de imitar, mas é natural, você escuta tanto uma coisa que ela vai te influenciar. E a gente também ta aberto para novas influências. Acho importante a gente também estar se arejando, renovar.

Pegada – Vocês participaram de muitos festivais como o Grito Rock, o Conexão Vivo e tocam nas casas consideradas berço do cenário alternativo de BH, como A Obra e o Matriz, característica de bandas do movimento independente, do underground. Vocês se consideram alternativos e independentes ou vocês estão independentes e querem ir pro mainstream?

Gustavo – Eu continuo dizendo, parece até absurdo, mas da nossa falta de intenção, né?! Eu acho o som do RockNova despretensioso, eu acho o caminho do RockNova despretensioso, eu acho complicado em falar o quê que a gente pretende no dia de amanhã. Eu acho verdadeiramente que a música independente é a música atual, o cenário hoje é o cenário independente. Eu acho que o caminho é o caminho independente, a música independente hoje é independente, porque cada vez mais essa questão do mainstream, das grandes gravadoras, está perdendo força, isso é visível. Existem bandas grandes ai, que já foram do grande mercado que escolheram ser independentes e começaram a seguir um caminho independente, abriram mão das gravadoras, estão lançando selos, estão ligando o nome a selos próprios independentes, sem ter que ter essa obrigação de gravadora. Então, eu acho que a gente tenta não levantar bandeira nenhuma. O RockNova tenta não pensar “ah, eu sou independente e foda-se”. Eu não gosto de levantar nenhuma bandeira, eu acho que a gente é parte ativa da música independente, da parte alternativa inclusive. O termo alternativo pra mim é muito sério. O que é o alternativo? Parece que é uma alternativa para alguma coisa que está acontecendo, mas eu acho que tudo hoje é alternativo. Como eu diria, não tem mais um formato. Os formatos de banda caíram por terra, todos. As grandes gravadoras já falam em falência. Eu acho que tudo é uma alternativa. Ficar levantando essa bandeira de eu sou independente, bem, não tem nada de mais comum do que isso.

Xerllez – Eu vou ser sincero. Vou dar a minha opinião nessa história. Eu acho bobagem, no final das contas não sei nem se o termo seria esse ‘bobagem’, mas essa separação de mainstrem, questão de público, não tem mais essa separação.

Gustavo – Ela já existiu, não tem mais.

Xerllez – Não tem. Mainstream, alternativo, quem escuta aquilo e não escuta isso. Eu acho que isso não existe mais não. Eu acho que nisso mesmo que você falou que a gente se enquadra, a gente consegue agradar gregos e troianos, diga-se de passagem. Então, eu não acredito mais nessa separação.

Nenel – Talvez nosso grande segredo seja também não querer agradar demais. Eu vou falar isso de uma maneira séria porque há quem queira agradar os alternativos e ai faz um som totalmente diferenciado com essa intenção de querer agradar o público mais underground e se preocupa tanto com isso que fica até uma coisa um pouco pedante. Desculpa ai se eu vou atingir alguém, não queria nem estar comentando nesse tom. Por outro lado, tem também essa preocupação de algumas bandas de ser aquela coisa massificada, de fazer um som extremamente popular e de uma maneira que vai vender e que vai agradar grandes produtores e não sei mais o quê. E talvez a gente esteja conseguindo transitar nos dois meios exatamente porque a gente não levantou bandeira nenhuma. Foram composições extremamente espontâneas que saíram de uma maneira extremamente espontânea mesmo e que, exatamente por isso, agrada os dois públicos, porque não tem essa intenção de ficar querendo levantar uma bandeira de “ah, eu sou underground” ou “ah, eu sou o popular, o mainstream”.

Pegada – O que vocês acham da cena independente de BH? Vocês concordam com a lenda de que BH é cemitério de artista, tem que sair de BH pra fazer sucesso?

Xerllez – Eu acho que Belo Horizonte é uma panela de pressão prestes a estourar, porque tem muita banda, muito som legal, muita gente boa. Nós estamos assim, numa geração de bandas novas fantásticas.

Gustavo – Eu acho que não há grandes vantagens nem em ser do mainstream, nem em não ser. O Udora é uma banda que estava no meio independente junto com a gente há pouco tempo e agora está ai assinando com a Som Livre. Já está dando um passo para o Mainstream, parece que eles já tem até umas músicas tocando na Rede Globo. Acabamos de fazer um show com eles, eles nos convidaram. É disso que eu estou falando, não tem mais barreira mainstream e indie ou independente. O Udora que é uma banda que está com gravadora, tocando na Rede Globo, na Malhação, está nos convidando para tocarmos juntos e a gente ta ai no cenário independente.

Nenel– E eu acho que o mais legal em ter esse tanto de banda fantástica em BH é que o pessoal ta começando, porque eu acho que é muito recente, coisa de poucos anos, está começando a ter a visão de que não existe mais o sou eu, o cada um por si. A gente está vendo que é preciso, e é uma grande preocupação nossa desde o início, estar junto e ajudar quem a gente pode. Se ajudar.

Gustavo – Eu acho que o cenário é fortalecido quando as bandas começam a se unir. Quando você cria um cenário. E eu acho que isso já implica numa pluralidade de artistas. Assim, você está tentando fazer um movimento e não simplesmente uma banda que se basta por si só. E eu acho que o interessante do atual momento belo-horizontino é que está sendo criado um cenário da música independente. Sendo criado assim, ele já existia faz algum tempo e continua sendo lapidado a cada dia. E a galera está muito unida, muito unida mesmo, de uma maneira que eu não vi faz muito tempo. Nós, por exemplo, criamos um festival no final do ano passado que se chamava ‘Fórmula Indie’. Nós tivemos três edições desse festival. Contamos com a presença de muitos músicos belo-horizontinos, de várias bandas, teve o Sânzio do Cálix, o Bochecha que era do Cartoon, teve o Léo do Transmissor, teve o Ricardo Koctus que é do Pato Fu, que é um músico que hoje está lançando um trabalho independente dele, um trabalho próprio, vai lançar clipe agora, teve no mainstream, teve reconhecimento nacional e internacional inclusive, e hoje tai, lançando um trabalho independente, apoiando a gente, estava no nosso festival, fez uma participação incrível lá. As bandas estão se fortalecendo, uma está preocupada em apoiar a outra e eu acho que acabou isso, todo mundo já entendeu que é preciso unir forças. Resultado disso é a quantidade de coletivos que está surgindo pra mexer com música, apoiar, lançar festivais e criar um cenário.

Xerllez – Inclusive o Pegada que está falando com a gente. Parabéns!

Gustavo – Parabéns!

Nenel – Eu fico pensando, eu acho que a gente ainda está aprendendo a lidar com isso, todos nós, porque é uma realidade novíssima. Essa realidade tem o que, 10 anos? Menos? É tão novo que não tem ninguém que saiba falar sobre isso. A gente está aprendendo na marra mesmo, todos nós, os coletivos, o pessoal do Outrorock, das bandas. A gente está aprendendo na marra a lidar com isso, com os erros e os acertos.

Pegada – Thiago Sarkis (ex-Roadie Crew, Whiplash, Solada, entre outros) fez a seguinte pergunta: Como vocês esperam conseguir espaço em rádio, TV, na mídia sabendo que tem tanto jabá por ai? Que tem muita gente que tem que pagar pra aparecer?

Gustavo – Eu não sei se eu sou otimista por uma realidade que a gente está vivendo ultimamente, mas nossa música está tocando na 98FM e a gente não pagou nenhum centavo, está tocando na rádio Inconfidência e a gente nunca pagou um centavo e nas rádios do interior então, nem se fala. Na minha opinião, essa lógica de que a gravadora banca o artista e só toca em rádio se é da gravadora é uma ideia falida. As rádios estão vendo que o público também está querendo se focar em quem faz música de uma maneira mais independente e mais própria. A diferença é que no independente a música é nossa, não no sentido de ser uma composição minha, mas você se apropria dela, ela é do jeito que a gente quer. Não tem uma grande gravadora exigindo, não tem força a externa, você consegue se apropriar daquilo, aquilo é seu. Parece então, que as rádios 98FM e a Inconfidência, reconheceram nosso trabalho. Que existe jabá, todo mundo sabe, mas eu acho, e eu quero acreditar nisso, que isso é uma tendência que está diminuindo.

Nenel – Eu acho que a gente é muito novo aqui para dar alguma dica pra galera, mas a dica que eu posso dar é acreditar no seu trabalho, que se ele for bom sua música vai poder tocar na rádio, é o que está acontecendo com a gente.

Xerllex – E trabalhar, trabalhar! Ser chato, divulgar, gastar seu tempo, porque senão você não chega a lugar nenhum. Tem que ter raça. Nós, graças a Deus, estamos colhendo uns frutos bacanas, mas tem que ralar.

Gustavo – Só pra terminar, existia essa lógica de que você só conseguiu ser uma banda de sucesso ou uma banda que deu certo quando você assinasse com uma gravadora ou atingisse no mainstream. Eu acho que hoje, dar certo na música, é muito diferente disso, as bandas estão dando certo, os projetos são viáveis, o projeto RockNova é um projeto super viável, só que tem que ralar, tem que arregaçar a manga.

Nenel – Não é só tocar hoje. Como disse o pessoal do Macaco Bong, músico agora é pedreiro. A gente toca, mas a gente divulga, a gente faz divulgação de Orkut, a gente liga pra jornal para ver se eles querem divulgar uma notinha nossa. Amigos nossos e pessoas que nem conhecem a gente, mas gostam do som, ligam na 98FM e pedem a música ou elogiam pelo Orkut. É isso, a gente trabalha e a gente toca, mas faz tudo.

Gustavo – Músico não é só mais quem está dentro do estúdio e quem está cantando não. Hoje, você tem que ser muito mais que isso.

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