Pegada Recomenda – O caldeirão sonoro da Eddie

Por Luciano Viana

Em um papo sobre música em qualquer lugar do mundo, ao se falar no nome “Eddie”, as primeiras memórias visuais e auditivas que podem vir à mente são dos clássicos do Eddie Van Halen, do Pearl Jam, e seu vocalista Eddie Vedder ou até mesmo do famoso mascote do Iron Maiden. Em qualquer lugar do mundo, menos no Recife e Olinda, que são locais que dão origem e inspiração à banda Eddie.

A Eddie já é uma antiga conhecida do público alternativo pernambucano, em menor escala do público nacional, e com até uma boa pitada do público internacional, com três turnês européias na bagagem. Além disso, a banda já lançou quatro álbuns.

O primeiro disco da banda saiu em 1998, pela gravadora Roadrunner, experiência meio traumática, segundo declarações do vocalista/compositor/guitarrista Fábio Trummer. “Sonic Mambo” (1998) já não refletia mais a realidade musical da banda, mas, devido a pressão da gravadora, saiu assim mesmo. Como não acabou rendendo o esperado pela major, tiveram seu contrato rescindido. O que em alguns casos poderia ser um desastre para uma banda, para o Eddie foi extremamente válido. Não porque o disco era ruim, pelo contrário. “Sonic Mambo” juntava ao ska e ao hardcore, elementos interessantíssimos como os ritmos regionais pernambucanos, principalmente o frevo e demais influências do dub e do reggae. Mas, após remar para o mundo da produção independente (onde se encontram até hoje), a Eddie enfim pôde se libertar de qualquer tipo de amarras estéticas, mergulhando despretensiosamente em um caldeirão de ritmos e texturas cada vez mais diversificadas.

O disco seguinte, já mostrou bem esse resultado. “Original Olinda Style” (2002), já era um Eddie com uma cara muito diferente do seu CD de estreia. Mais consciente dos passos dados, mais próxima de suas raízes e demonstrando uma transição constante de influências, parece que a banda amadureceu dez anos em quatro. O trabalho sucessor, “Metropolitano” (2006), só veio a reforçar ainda mais essa mentalidade, embora seja o disco e o momento da banda mais criticado negativamente, muito pelo argumento de apenas seguir uma fórmula anterior e não apresentar novidades, como se a cena de Recife/Olinda estivesse fechada por uma redoma de vidro cada vez mais impenetrável. Mas o disco possui boas canções, e um flerte cada vez maior com ritmos como o samba e o dub.

“Carnaval no Inferno” (2008), elimina de vez os resquícios do rock nas composições dos pernambucanos (se é que ele ainda existia) e coloca mais tempero nas receitas da banda. Os arranjos são mais sofisticados, as texturas mais bem exploradas, e as melodias alternando entre o pop e o imprevisível. Incomoda-me, um pouco, o fato das linhas vocais arranjadas por Fábio se mostrarem um pouco “duras”, sem muitas variações, perto de tanto suingue e musicalidade presente no álbum. Mas, em muitos momentos, é compensada por outros arranjos que fazem esse papel. E fazem muito bem, já que na minha opinião, está aí o melhor álbum da banda.

É sempre bom ver bandas assim no cenário brasileiro: inteligentes e estudiosas, sem limites estéticos e fazendo exclusivamente aquilo que gostam, com uma convicção precisa de cada passo dado. Divirta-se seguindo os passos até a Eddie.

Confira o Myspace da banda.

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