Graveola e o Lixo Polifônico lança primeiro disco

todos_graveola_01_rgb

A estranheza que causa o nome da banda parece ser a porta de entrada mais adequada para o som que vem dali: um terreno fértil de ambiguidades, referências e “plágios estilísticos”, configurando um mosaico simbólico intrincado e confuso. E talvez seja justamente essa incoerência auto-afirmada o motivo do impacto que o grupo Graveola e o Lixo Polifônico vem lentamente causando no cenário artístico de Belo Horizonte. Para demonstrar isso, o grupo lança, hoje, 20/1, no Teatro Francisco Nunes seu primeiro CD, dentro do Verão Arte Contemporânea. O show começa às 21h e tem entrada franca.

Surgido na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, em meados de 2004, o grupo emergiu das rodas de violão como um trio que se reunia informalmente para tocar um repertório tão diverso quanto eclético, em que se misturavam clássicos da grande música brasileira a fragmentos da cultura pop mais deslavada e corrompida. Interessados nesse processo de “liquificações sonoras”, os então estudantes de graduação Luiz Gabriel, Marcelo e José Luis começaram a se reunir com mais freqüência, intensificando a produção. A partir daí um repertório próprio começa a ser esboçado, cheio de absorções irresponsáveis, dos mais variados gêneros: oscilam entre o lirismo e o deboche, das canções consagradas aos jingles televisivos. Nessa época, a falta de instrumentos comuns – e a falta de formação musical – os leva a incorporar utensílios domésticos e instrumentos de brinquedo como ferramenta sonora – o que acabou por lhes dar o subtítulo do grupo, o lixo polifônico, imagem a que dedicam constante divagação conceitual e reescrita, em seus verborrágicos releases e peças de divulgação.

Da continuidade e fertilidade desse processo, novos integrantes foram se juntando, o grupo foi crescendo, ganhando fôlego e reconhecimento. Em 2007, integraram a programação dos festivais de inverno de Ouro Preto e Diamantina, e tocaram na abertura do festival forumdoc.bh.2007 – em show nos jardins internos do Palácio das Artes, que contou com a inusitada participação da dupla (na verdade, um trio) Zé do Poço e Sarieiro. Já no ano de 2008, por meio de projeto aprovado no Fundo Municipal de Cultura de BH, entraram em estúdio para gravar seu primeiro disco.

Hoje a banda conta com seis membros: Flora Lopes, Marcelo de Podestá, Luiz Gabriel Lopes, José Luis Braga, Yuri Vellasco e João Paulo Prazeres. Entretanto, talvez um dos mais fortes motivos do crescimento e da consistência do trabalho da banda é justamente a existência de uma espécie de equipe que acompanha a trajetória do grupo, atuando nos bastidores do processo musical: como uma espécie de coletivo, o grupo forma em torno de si uma espécie de “família graveola”, que responde por tudo que existe por trás de uma banda: produção, sonorização, imagem, dentre tantas outras atividades. O processo de gravação do disco, por exemplo, contou com a participação intensa do trabalho dos amigos Rafael Barros, que gerencia a produção executiva, e Fernando Braga Bozo, que assina a produção musical do disco em parceria com Luiz Gabriel e é responsável por toda a parte de gravação e mixagem. O grupo também tem feito shows com músicos convidados que, mesmo sem vivenciar o cotidiano da banda, incrementam as gravações e reforçam o som ao vivo: Bruno de Oliveira, Francisco César e Juliana Perdigão são as “cartas na manga” que ajudam a fazer do Graveola um dos grupos mais instigantes da atual cena belorizontina.

Vale dizer também que o trabalho da banda articula com singularidade e destreza únicas um intenso potencial comunicativo a uma refinada e original concepção musical e estética: ao passear pelo disco, encontramos desde as mais grudentas e radiofônicas baladas pop – como Antes do azul (papará), ou Dois lados da canção – às mais soltas (e longas!) seções de improvisação instrumental – como nas faixas Ensolarado e Cidade. O elemento lúdico e irônico também é uma veia muito explorada, novamente a partir do slogan do lixo que lhes constitui um dos mais fortes nortes estéticos: o grupo traz fortemente a idéia da reciclagem de gêneros e estilos, que se faz presente nas inúmeras paródias e pastiches que saltam pelas entranhas do primeiro álbum. Assim, revisitam o brega e o kitsch em canções como Benzinho e Insensatez, a mulher que fez, e utilizam jocosidade e ironia em O quarto 417 (As aventuras de Dioni Lixus) e Chico buarque de Hollanda vai à copa de 2006.

Como conseqüência da aposta em tantas aproximações insólitas e influências controversas, o grupo é freqüentemente rotulado (e mais ainda, se diverte se auto-rotulando) com um milhão de termos estranhos: pós-tropicalismo, culinária sonora, estética do plágio, barroco-beat. Independente da prateleira em que serão colocados, o certo é que a polifonia do Graveola é mesmo fértil e original, e vale a pena.

serviço:

oO quê?
Graveola e o Lixo olifônico – lançamento do CD – Verão Arte Contemporânea 2009

Quando?
20 de janeiro | 21hs

Onde?
Teatro Francisco Nunes – Parque Municipal

Quanto?
De graça!

Anúncios

3 Comentários

Arquivado em Agenda, coletivopegada, Show

3 Respostas para “Graveola e o Lixo Polifônico lança primeiro disco

  1. Voces esqueceram de colocar a autoira deste texto. foi escrito pelo membro da banda, Luiz Gabriel Lopes.

    para maiores informações acessem o site http://www.graveola.com.br

    valeu.

  2. Oi Zelu,
    a gente recebeu o release do lançamento, não sabíamos que era do Luiz Gabriel o texto. Mas que legal saber que é o Luiz Gabriel que faz o release!

    É a Flora quem fez as ilustrações do CD, não é? Ficaram lindas.

    Legal também saber que a banda liberou o álbum para download no site!

    beijo da Mi

  3. galera,
    sinto desapontá-los mas o filho não é meu.
    é fruto de 6 mãos envolvidas: eu, zé e marcelo.
    (acho q o zé que não tá querendo assumir a paternidade, hehehe…)
    valeu, abraço.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s