O que é indie?

Por Eduardo Curi
Coordenador de Jornalismo do coletivo Pegada

indie nada mais é do que um rótulo que designa um padrão de comportamento e que engloba vários aspectos de produção e consumo cultural e tem como um dos seus maiores expoentes uma filosofia musical. E que filosofia musical é essa? Não é possível traçar uma definição direta e reta como se estivéssemos definindo Heavy Metal (guitarras pesadas, bateria rápida, baixo poderoso, vocal alto) ou Axé (tambor, guitarra estridente, cantora mulherão). O indie, como filosofia musical, pode abranger desde vertentes mais punk rock puristas até bandas mais experimentais e eletrônicas, daí porque não podemos reduzi-lo, simplesmente, a um estilo.

No universo indie, além da música encontram-se vários outros ramos de produção cultural, como cinema, moda, comportamento e artes plásticas. O que une toda essa miscelânia de coisas é a vontade comum de quebrar padrões. Por isso o indie é tão diverso. Cada um quebra o padrão da maneira como quer. Nomeando uma banda com uma frase (Help! She can´t swim, She wants revenge), pontos de exclamação (!!!) ou colocando a primeira letra em minúsculas (de Kits), fazendo filmes sobre gente nada popular (Napoleon Dynamite, How to be), usando calças com uma perna mais comprida do que a outra, enfim, fazendo o que der na telha sem se importar com o que os outros vão falar, ou fazendo o que der na telha justamente para que os outros falem alguma coisa.

Inicialmente, o termo “indie” era usado como abreviação para “Independent” em inglês que veio para substituir o termo “alternativo” quando esse ganhou o mainstream nos anos 90 e passou a definir bandas que vieram na leva grunge. Quando o alternativo passou a ser mainstream, as bandas realmente alternativas tiveram que achar um outro termo pelo qual pudessem ser chamadas. Como elas eram bandas independentes, ou seja, não eram ligadas a nenhuma grande gravadora e possuíam pleno domínio sobre a sua produção, nada mais justo do que ser chamado de independente, o que ajudou a gerar a enorme diversidade musical sob a alcunha “indie”.

Mas indie e independente são a mesma coisa? Para mim não. Os termos se dissociaram lingüisticamente e passaram a ter significados próprios. Indie tem a ver com um estilo de vida, englobando os vários aspectos de consumo cultural que eu citei no início do texto. Independente significa algo que não depende de nada para que exista, tome decisões, governe-se, resumindo, quem é dono do próprio nariz é independente, mas nem tudo que é indie é independente. O indie não tenta ser independente, ele quer ser original, único.

É um fenômeno tipicamente urbano de grandes metrópoles. É um fenômeno pop. É um fenômeno que vem se formando há muito tempo. Aconteceu de forma conjugada nos anos 60 e 70 com hippie e punks, que são a anti-contracultura hippe. Nos anos 80 lançou-se a base da diversidade indie com a fragmentação do mercado cultural em vários nichos e nos anos 90, com a popularização da internet, foi encontrado o canal ideal de comunicação. Estamos nos anos 2000 vendo o fenômeno se consolidar a cada dia.

Será que estamos próximo de virar mainstream?

Anúncios

2 Comentários

Arquivado em coletivopegada

2 Respostas para “O que é indie?

  1. Olá!
    Moro a pouco tempo em BH e procuro meus pares. Vim de SPaulo e às vezes sinto-me um peixe fora d’água numa cidade repleta de barzinhos estilo MPB ou dos rockers clássicos. Encontrei o link deste blog no orkut e aqui estou lendo-o. Conheço pouco a produção musical independente no que diz respeito à parte burocrática e todas essas polêmicas atuais sobre investimento público ou não, etc. Acho que a produção independente nacional vai muti bem sim no que diz respeito às bandas – vide Curumin, Macaco Bong, Guizado, Binário, etc. E acho que com um pouco mais de seriedade e união destes coletivos que buscam um norte e uma unidade para essa cena dita independente estamos sim a um passo do mainstrema.
    Já os indies são outra coisa, quando tivermos nossa própria cena pararemos de querer ser belgas e usar roupas de francesas camponesas para afirmar nossa identidade.

    Abs a todos, parabéns pelo trabalho, Andy
    johnnymarr31@gmail.com

  2. nome obrigatorio

    tem uma característica marcante da cena atual (um tanto irritante diga-se de passagem) que é um pouco herança dos strokes – como várias outras coisas – que é essa ligação muito forte com o meio da moda, dum jeito muito pouco contracultura, muito menos do que era nos outros contextos citados aí. daí nos desfiles da alta costura começa a tocar essas bandinhas indie aí e vira um negócio recíproco a coisa. por outro lado tem uma cena mais junkie e com uma veia meio mc5 que tá se lixando pra isso e é muito mais interessante musicalmente… esses últimos sim são independentes, o resto é pose.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s